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Livros
O mundo na estante
VEJA e Larousse do Brasil
lançam uma versão nacional
do mais reputado dicionário
enciclopédico francês
Fotos Pedro Rubens-Stock Photos-Hulton
Archive/
Getty Images-Roger Viollet
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A DIFUSÃO
DO CONHECIMENTO
A célebre Enciclopédia dos franceses
Diderot e D'Alembert foi um capítulo fundamental na propagação
das informações. A primeira edição,
publicada entre 1751 e 1772, era luxuosa e cara e só
atendeu 4000 assinantes. Mas as edições seguintes,
mais baratas, venderiam mais 20000 exemplares antes da Revolução
Francesa, em 1789. Acima, uma ilustração da Enciclopédia
mostra uma oficina de impressão |
Nesta semana, VEJA publica o primeiro
dos 24 volumes do Dicionário Enciclopédico Ilustrado
Veja Larousse. Resultado de uma parceria entre a revista
e a editora Larousse do Brasil, a obra, com 80.000 verbetes, é
uma versão do Petit Larousse, a mais popular e conceituada
enciclopédia da França. Mas não se trata de
uma simples tradução, e sim de um elaborado trabalho
de adaptação, que custou três anos a uma equipe
de mais de cinqüenta lexicógrafos e especialistas das
mais variadas áreas. A editora Larousse do Brasil contou
com a colaboração do Instituto Antônio Houaiss,
o mesmo que elabora o mais completo dicionário em língua
portuguesa do Brasil. O resultado equilibra uma visão do
conhecimento universal e uma perspectiva cultural brasileira. "O
Veja Larousse tem mais verbetes dedicados ao futebol e à
música popular do que, por exemplo, o Petit Larousse polonês",
diz Louis Lecomte, diretor editorial da Larousse internacional.
Estima-se que, nos últimos
dois milênios, tenham sido editadas cerca de 2.000 enciclopédias
em todo o mundo. Reunidas, elas se estenderiam por mais de 3 quilômetros.
A ambição de concentrar todo o conhecimento de uma
época em uma só obra já existia entre os romanos
e gregos antigos. O mais notável exemplo é a História
Natural, do erudito romano Plínio, o Velho (23-79 d.C.).
Dividida em livros temáticos, a obra é uma fascinante
mistura de ciência e crendice. Plínio afirma até
que viu o cadáver de um centauro embalsamado em mel. Essa
forma de apanhado do conhecimento universal organizada por um único
e imodesto sábio preservou-se na Idade Média, com
muitas enciclopédias compostas em latim por clérigos
eruditos como Isidoro de Sevilha (560-636), autor de Etimologias.
Foi um erudito alemão,
Paul Scalich, o primeiro a utilizar a palavra "enciclopédia"
como título para uma obra de conhecimento geral, em 1559.
Nos séculos seguintes, a enciclopédia se consolida
como um empreendimento coletivo, congregando grandes equipes de
especialistas. O grande marco é a Enciclopédia
dos iluministas franceses Diderot e D'Alembert, publicada entre
1751 e 1772. Com mais de 72.000 verbetes, 2.800 pranchas de ilustrações
e colaborações de Voltaire e Rousseau, entre outros
grandes pensadores, ela moldou um novo modelo de conhecimento secular
e foi colocada no índex, a lista de livros proibidos
pela Igreja. A Britannica, talvez a mais conhecida das grandes
enciclopédias, surgiu na Escócia, em 1768, sob a influência
da obra francesa.
Na trajetória das enciclopédias,
nota-se a tendência de uma difusão crescente do conhecimento.
A Enciclopédia iluminista é um divisor de águas
nesse ponto: foi o maior sucesso editorial do século XVIII,
vendendo 24.000 exemplares em sucessivas edições.
Uma enciclopédia é um esforço não só
de coletar, mas também de organizar o conhecimento
e a evolução do gênero conduziu a obras de consulta
cada vez mais simples. Na Idade Média, as enciclopédias,
em latim, organizavam-se por núcleos temáticos, de
acordo com as disciplinas comuns das universidades de então
(retórica, astronomia, geometria etc.) ou ao sabor das idiossincrasias
do autor. Nos séculos XVI e XVII, os verbetes em ordem alfabética
se impuseram como o meio mais prático de apresentar o texto
e, claro, em língua vernácula. É o modelo
predominante ainda hoje.
Os princípios que regem
o trabalho dos enciclopedistas contemporâneos são similares
àqueles que orientaram o feito heróico de Diderot,
embora as enciclopédias não tenham mais o mesmo caráter
de manifesto político. Obras como o Petit Larousse,
cuja primeira edição data de 1905, são resultado
do trabalho de várias autoridades das mais diversas áreas,
coordenadas por uma equipe editorial. Uma tentativa curiosa de "democratizar"
esse processo especializado é a Wikipedia, uma enciclopédia
gratuita da internet. Qualquer diletante pode escrever ou alterar
os verbetes que por isso são muitas vezes eivados
de erros. A autoridade com que as enciclopédias tradicionais
fundamentam sua informação ainda é imprescindível.
Do físico Isaac Newton ao psicanalista Sigmund Freud, muitos
expoentes da ciência, das letras e da política foram
colaboradores de enciclopédias. A informática, claro,
incorporou-se à elaboração das enciclopédias,
agilizando a manutenção e a atualização
dos bancos de dados. "Hoje, é só no último
estágio que chegamos a uma enciclopédia em papel ou
on-line. Até ali, não há diferença nenhuma
no trabalho", diz Lecomte. O Dicionário Enciclopédico
Veja Larousse, a propósito, também estará
disponível on-line para os leitores que comprarem toda a
coleção.
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