Edição 1957 . 24 de maio de 2006

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Cinema
Teoria da evolução

O terceiro X-Men dá a um diretor
inexpressivo a chance de mostrar
que mudar é, sim, melhorar


Isabela Boscov

 

Fotos divulgação
Halle Berry, como Tempestade, e Hugh Jackman, como Wolverine: quem vai sobreviver?

DA INTERNET
Trailer do filme

O diretor Brett Ratner, de 37 anos, tem uma longa folha de contribuições prestadas ao cinema descartável americano, de A Hora do Rush a Ladrão de Diamantes. Seu bom trabalho em X-Men – O Confronto Final (X-Men: The Last Stand, Estados Unidos, 2006) o expõe de forma inesperada como um cineasta injustamente tido como inexpressivo – categoria que já foi freqüentada também por Curtis Hanson antes que este se saísse com Los Angeles – Cidade Proibida, e por Gore Verbinski, até o recente O Sol de Cada Manhã. Acima de tudo, porém, o filme que estréia nesta sexta-feira no país mostra a força da franquia: graças à dedicação e à inteligência com que o diretor Bryan Singer desenvolveu tramas e personagens nos dois primeiros episódios da série, os X-Men ganharam uma identidade sólida. Este terceiro (e, até onde se sabe, último) capítulo não tem a imaginação do anterior, mas é robusto e honesto. Tem, além disso, o argumento mais ressonante de toda a série. Num mundo dividido de forma já bastante incômoda entre os seres humanos comuns e os mutantes, uma empresa farmacêutica anuncia ter encontrado a cura para o gene X, mediante uma simples injeção. Acende-se então um debate: ser mutante é ser doente, ou apenas ser diferente? E, nesse caso, "curar" um mutante não seria um ato de fascismo?

Rebecca Romijn: mutante, e linda

Um dos méritos de O Confronto Final é a audácia com que ele joga seus protagonistas mais queridos, como Wolverine, Jean Grey, o Professor Xavier, Mystique e Magneto, em circunstâncias extremas, às quais eles poderão ou não sobreviver, e das quais mesmo os mais afortunados sairão transformados. O outro é oferecer a esperada cota de ação e aventura sem trivializar essa questão da diferença, tão crucial para o último século – desde a Alemanha de Hitler até a presente fobia anti-Islã e ao cerco à homossexualidade pelo conservadorismo americano. X-Men preserva os ecos de todas essas caças às bruxas, e acerta principalmente em indicar que elas são ainda mais perigosas quando nascem não do ódio declarado, que se pode combater de frente, mas das boas intenções. Tudo o que o inventor da "cura" do gene X quer é tirar seu próprio filho, um mutante, do sofrimento em que se perderam sua infância e sua adolescência. Em O Confronto Final, os dois lados dessa guerra derramam muito sangue até concluir que a mutação, seja ela de genes, seja de idéias, é, sim, o requisito para a evolução – uma tese que o diretor Brett Ratner ilustra melhor até do que qualquer personagem.

 
 
 
 
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