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Cinema Teoria
da evolução O terceiro
X-Men dá a um diretor inexpressivo a chance de mostrar que
mudar é, sim, melhorar  Isabela
Boscov
Fotos
divulgação
 | | Halle
Berry, como Tempestade, e Hugh Jackman, como Wolverine: quem vai sobreviver? |
O diretor Brett Ratner, de 37 anos,
tem uma longa folha de contribuições prestadas ao cinema descartável
americano, de A Hora do Rush a Ladrão de Diamantes. Seu bom
trabalho em X-Men O Confronto Final (X-Men: The Last Stand,
Estados Unidos, 2006) o expõe de forma inesperada como um cineasta injustamente
tido como inexpressivo categoria que já foi freqüentada também
por Curtis Hanson antes que este se saísse com Los Angeles Cidade
Proibida, e por Gore Verbinski, até o recente O Sol de Cada Manhã.
Acima de tudo, porém, o filme que estréia nesta sexta-feira no país
mostra a força da franquia: graças à dedicação
e à inteligência com que o diretor Bryan Singer desenvolveu tramas
e personagens nos dois primeiros episódios da série, os X-Men ganharam
uma identidade sólida. Este terceiro (e, até onde se sabe, último)
capítulo não tem a imaginação do anterior, mas é
robusto e honesto. Tem, além disso, o argumento mais ressonante de toda
a série. Num mundo dividido de forma já bastante incômoda
entre os seres humanos comuns e os mutantes, uma empresa farmacêutica anuncia
ter encontrado a cura para o gene X, mediante uma simples injeção.
Acende-se então um debate: ser mutante é ser doente, ou apenas ser
diferente? E, nesse caso, "curar" um mutante não seria um ato de fascismo?
 | | Rebecca
Romijn: mutante, e linda |
Um
dos méritos de O Confronto Final é a audácia com que
ele joga seus protagonistas mais queridos, como Wolverine, Jean Grey, o Professor
Xavier, Mystique e Magneto, em circunstâncias extremas, às quais
eles poderão ou não sobreviver, e das quais mesmo os mais afortunados
sairão transformados. O outro é oferecer a esperada cota de ação
e aventura sem trivializar essa questão da diferença, tão
crucial para o último século desde a Alemanha de Hitler até
a presente fobia anti-Islã e ao cerco à homossexualidade pelo conservadorismo
americano. X-Men preserva os ecos de todas essas caças às
bruxas, e acerta principalmente em indicar que elas são ainda mais perigosas
quando nascem não do ódio declarado, que se pode combater de frente,
mas das boas intenções. Tudo o que o inventor da "cura" do gene
X quer é tirar seu próprio filho, um mutante, do sofrimento em que
se perderam sua infância e sua adolescência. Em O Confronto Final,
os dois lados dessa guerra derramam muito sangue até concluir que a mutação,
seja ela de genes, seja de idéias, é, sim, o requisito para a evolução
uma tese que o diretor Brett Ratner ilustra melhor até do que qualquer
personagem. |