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Economia e
Negócios 5 lições para derrubar o juro
e crescer mais Time de economistas que
criou o real e ajudou a debelar a inflação mostra em livro
como reduzir o custo do dinheiro e atrair novos investimentos
 Giuliano
Guandalini Selmy
Yassuda
 | | Chrysostomo
e Bacha, na Casa das Garças: falta remover entulhos do período inflacionário
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1 ESTABILIDADE ACIMA DE TUDO
O livro Mercado de Capitais
e Dívida Pública (Contra Capa; 404 páginas; 52 reais),
que chega às livrarias nesta semana, compila as distorções
brasileiras, relata seus efeitos perversos e propõe saídas para
que o país consiga normalizar o sistema financeiro, derrubar os juros e
engrenar uma nova fase de crescimento. Se a estabilidade representou um avanço,
há ainda muito a fazer. Organizado pelos economistas Edmar Bacha e Luiz
Chrysostomo de Oliveira Filho, o livro resultou do embate acadêmico de alguns
dos mais brilhantes economistas do país entre eles, André
Lara Resende e Pérsio Arida, criadores do real, ao lado de Bacha, e os
ex-presidentes do Banco Central Affonso Celso Pastore e Gustavo Franco. Os artigos
refletem uma infindável série de discussões ocorridas ao
longo do ano passado, na Casa das Garças, residência projetada por
Oscar Niemeyer na década de 50. Ali, há três anos, funciona
o Instituto de Estudos de Política Econômica (Iepe), a poucos metros
da PUC-Rio, de onde saíram seus fundadores. Ainda que os autores sejam
alinhados ideologicamente essencialmente liberais , não foram
poucas as discordâncias. Mas, se há um consenso, é que o atual
modelo e seu tripé de sustentação controle dos gastos
públicos, regime de metas de inflação e câmbio flutuante
precisam ser mantidos. Por quê? Seu abandono traria incertezas, os
juros subiriam e projetos voltariam a ser engavetados.
2 REDUÇÃO DA DÍVIDA
No prefácio do livro, o ex-presidente
do BC Armínio Fraga sentencia: "A principal distorção da
atual cena econômico-financeira do Brasil é o altíssimo nível
das taxas de juros". Isso se deve, entre outros motivos, ao ainda elevado risco
de investir no país. Para minorar esse problema, o governo terá
de cortar gastos e reduzir o endividamento. O ajuste das contas controlaria a
inflação e diminuiria a necessidade de financiamento do governo,
abrindo espaço para juros menores. Outro ponto fundamental seria uma legislação
que desse autonomia operacional ao BC, porque reduziria o temor de um repique
inflacionário. "Em todos os países que deram independência
ao banco central os juros caíram", afirma Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor
do BC. 3 TRIBUTAÇÃO
MAIS SIMPLES Que os impostos subiram
nos últimos anos não é novidade. Nem que a tributação
elevada representa um dos maiores empecilhos ao crescimento. Mas, no sistema financeiro,
o efeito foi especialmente de distorção e de perversidade. Na ânsia
de arrecadar, o governo criou uma enormidade de tributos que incidem sobre as
transações financeiras a CPMF é o mais famoso deles.
A carga tributária no setor financeiro dobrou entre 1995 e 2004. Resultado?
O financiamento para empresas e consumidores ficou mais caro. O irônico
é que isso acabou atingindo o potencial de arrecadação a
longo prazo, porque inibiu o aumento do crédito na economia. "O imposto
deveria ser cobrado sobre o lucro da operação, como ocorre nos Estados
Unidos, e não em cima de cada transação", propõe Bacha.
O efeito seria o aumento do crédito a um custo menor.
4 O MERCADO VICIADO
Durante as crises dos últimos vinte anos, os países em desenvolvimento
tiveram a confiabilidade colocada em xeque. Os credores exigiram juros mais elevados
para emprestar dinheiro a esses países. A moeda de alguns ficou tão
desacreditada que a única saída foi a dolarização.
O Brasil escapou desse caso extremo. Mas, para atravessar as crises, a equipe
econômica criou um artifício: começou a emitir títulos
de curtíssimo prazo, cujas taxas de retorno são ajustadas diariamente,
conforme as alterações decididas pelo BC. São as Letras Financeiras
do Tesouro (LFTs), que oferecem pouco risco ao investidor. Metade da dívida
brasileira é composta desses papéis. Esses títulos, porém,
minam a eficácia da política monetária, que precisa ser mais
dura com juros mais altos para controlar a inflação.
Normalmente, os países avançados emitem títulos de longo
prazo, com taxas prefixadas. Isso deixa a economia menos vulnerável a choques.
Como eliminar as LFTs? Esse foi um dos temas mais controversos nos debates da
Casa das Garças. A maioria crê numa redução lenta,
conforme o país ganhe credibilidade. Outros dizem que o mercado ficou viciado
nesses papéis, e o governo precisará adotar medidas para desestimular
a compra deles. 5
NOVA CULTURA DO POUPADOR A cultura
dos poupadores terá de mudar. Calejados com as perdas no período
de alta inflação, os brasileiros se acostumaram a fazer aplicações
de curto prazo, com possibilidade de resgate diário. Esse imediatismo impossibilita
que a poupança nacional financie projetos de longo prazo, fundamentais
ao desenvolvimento. Nos países avançados são comuns os fundos
em que os recursos só podem ser resgatados após um ano. Como mudar
isso? Aí as discussões pegaram fogo. Para Gustavo Franco, os atuais
fundos de investimento são extremamente lucrativos para os bancos, que
resistirão a mudanças. Por isso o governo precisa torná-los
mais arriscados e menos rentáveis. Os menos céticos crêem
que o alongamento virá naturalmente, com a queda dos juros e a redução
do risco Brasil. Diz Ilan Goldfajn, ex-BC: "Será uma transição
gradual." |