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Internet
Luz vermelha
Os Estados Unidos vetam a criação
do domínio .xxx, que seria dedicado
aos sites pornográficos
Laurence Dutton/Getty Images
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| Sexo na internet: isso pode ser um vício |
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Lançada há seis anos, a idéia de instituir
uma espécie de "distrito da luz vermelha" na internet
um espaço específico para os sites pornográficos
acaba de ser enterrada. O Icann, órgão americano
responsável pelo gerenciamento da rede em âmbito mundial,
vetou a criação do domínio .xxx, que diferenciaria
as páginas de conteúdo erótico assim
como os sites governamentais são acompanhados do sufixo .gov,
por exemplo. A proposta foi concebida por uma entidade da Flórida
que se dispunha a gerenciar o novo domínio. Embora tivesse
a oposição de diversos países, inclusive do
Brasil, ela chegou a ser pré-aprovada pelo Icann no ano passado.
Mas foi fulminada agora, em razão da pressão de grupos
religiosos sobre o governo de George W. Bush. A União Européia,
que era a favor da criação do domínio, acusou
o governo Bush de usar politicamente o comitê gestor da rede.
O veto americano deu combustível à tentação
de alguns países de desmembrar a internet em redes próprias
o que traria um prejuízo evidente à ampla circulação
de informação.
Os defensores do domínio
.xxx asseguravam que o nicho para pornografia facilitaria o controle
do acesso de menores a esse tipo de site, assim como o combate à
pedofilia. Também ajudaria na luta contra a propaganda indesejável,
os spams. Seus opositores achavam o contrário: o novo domínio
legitimaria a pornografia e seria um canal a mais para o conteúdo
impróprio, na medida em que nada impediria a continuidade
de sua veiculação nas páginas .com. Curiosamente,
até a indústria da pornografia foi contra, por achar
que a medida redundaria em segregação.
Estima-se que a indústria
do erotismo tenha movimentado 12,6 bilhões de dólares
no mundo em 2005. Só a internet representou uma fatia de
2,5 bilhões de dólares desse bolo, mais que o dobro
do que se faturou com o comércio de música na internet
no período. Em abril, de acordo com a ComScore, empresa que
mede o tráfego na rede, registraram-se 351 milhões
de visitas a sites pornográficos pelo planeta afora. Um levantamento
de 2004 da ComScore mostrou que mais de 70% dos internautas do sexo
masculino entre 18 e 34 anos visitam páginas eróticas.
Há quem diga que a internet contribui para a propagação
do "vício em pornografia" um problema que começa
a ser tratado como doença em vários países.
A tendência nos países
democráticos é permitir a veiculação
da pornografia, como decorrência do princípio de liberdade
de expressão (veja
quadro). Seu consumo é aceito como um assunto
do âmbito da intimidade. A exceção está
nos casos em que a pornografia envolve menores de idade e
é por isso que a discussão sobre esse tema tem de
ir adiante. A internet tornou muito complicado o controle sobre
a oferta de material obsceno para as crianças. Pior que isso,
virou um refúgio para os pedófilos. Não dá
para ignorar esses males.
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