Edição 1957 . 24 de maio de 2006

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Internet
Luz vermelha

Os Estados Unidos vetam a criação
do domínio .xxx, que seria dedicado
aos sites pornográficos


Laurence Dutton/Getty Images
Sexo na internet: isso pode ser um vício
NESTA REPORTAGEM
Quadro: Da prisão perpétua ao "liberou geral"


Lançada há seis anos, a idéia de instituir uma espécie de "distrito da luz vermelha" na internet – um espaço específico para os sites pornográficos – acaba de ser enterrada. O Icann, órgão americano responsável pelo gerenciamento da rede em âmbito mundial, vetou a criação do domínio .xxx, que diferenciaria as páginas de conteúdo erótico – assim como os sites governamentais são acompanhados do sufixo .gov, por exemplo. A proposta foi concebida por uma entidade da Flórida que se dispunha a gerenciar o novo domínio. Embora tivesse a oposição de diversos países, inclusive do Brasil, ela chegou a ser pré-aprovada pelo Icann no ano passado. Mas foi fulminada agora, em razão da pressão de grupos religiosos sobre o governo de George W. Bush. A União Européia, que era a favor da criação do domínio, acusou o governo Bush de usar politicamente o comitê gestor da rede. O veto americano deu combustível à tentação de alguns países de desmembrar a internet em redes próprias – o que traria um prejuízo evidente à ampla circulação de informação.

Os defensores do domínio .xxx asseguravam que o nicho para pornografia facilitaria o controle do acesso de menores a esse tipo de site, assim como o combate à pedofilia. Também ajudaria na luta contra a propaganda indesejável, os spams. Seus opositores achavam o contrário: o novo domínio legitimaria a pornografia e seria um canal a mais para o conteúdo impróprio, na medida em que nada impediria a continuidade de sua veiculação nas páginas .com. Curiosamente, até a indústria da pornografia foi contra, por achar que a medida redundaria em segregação.

Estima-se que a indústria do erotismo tenha movimentado 12,6 bilhões de dólares no mundo em 2005. Só a internet representou uma fatia de 2,5 bilhões de dólares desse bolo, mais que o dobro do que se faturou com o comércio de música na internet no período. Em abril, de acordo com a ComScore, empresa que mede o tráfego na rede, registraram-se 351 milhões de visitas a sites pornográficos pelo planeta afora. Um levantamento de 2004 da ComScore mostrou que mais de 70% dos internautas do sexo masculino entre 18 e 34 anos visitam páginas eróticas. Há quem diga que a internet contribui para a propagação do "vício em pornografia" – um problema que começa a ser tratado como doença em vários países.

A tendência nos países democráticos é permitir a veiculação da pornografia, como decorrência do princípio de liberdade de expressão (veja quadro). Seu consumo é aceito como um assunto do âmbito da intimidade. A exceção está nos casos em que a pornografia envolve menores de idade – e é por isso que a discussão sobre esse tema tem de ir adiante. A internet tornou muito complicado o controle sobre a oferta de material obsceno para as crianças. Pior que isso, virou um refúgio para os pedófilos. Não dá para ignorar esses males.

 
 
 
 
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