Edição 1957 . 24 de maio de 2006

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Arte
Monet em plena forma

O fim da reforma do Orangerie devolve
a luminosidade natural às Ninféias

 

Remy de La Mauviniere/AP
Aberto à visitação: os grandes murais de novo em destaque

Foram seis longuíssimos anos e 36 milhões de dólares na reforma. Custou, mas enfim, na quarta-feira 17, o museu de l'Orangerie, em Paris, reabriu suas portas e devolveu oito enormes e magníficas telas da série Ninféias, de Claude Monet, à luz do dia. Construído em 1852 como estufa para o cultivo de árvores cítricas do vizinho Jardim das Tulherias, o Orangerie serviu posteriormente de quadra de esportes, palco de apresentações musicais e salão de exposições; durante a I Guerra Mundial, chegou a acomodar armas e soldados. Em 1927, foi transformado em museu justamente para abrigar os oito painéis de 2 metros de altura e até 17 de largura, doados pelo próprio Monet, retratando os jardins de sua casa em Giverny, que ele pintou incansavelmente nos últimos trinta anos de vida. Por mais de três décadas, eles reinaram sozinhos em dois salões ovais especialmente projetados, dispostos de forma que uma metade reproduz o amanhecer e a outra, o anoitecer. A concorrência chegou na década de 60, na forma da coleção Walter-Guillaume. Para receber as obras de Cézanne, Renoir, Matisse, Modigliani e Picasso, entre outros, que pertenceram ao colecionador Paul Guillaume, o museu ganhou um 2º andar, que bloqueou a luz natural que até então iluminava as Ninféias. Com a reforma, esse piso foi demolido e as obras lá expostas, remanejadas para uma nova galeria no subsolo do museu, também parcialmente banhada pela luz externa.

 

AFP

O Orangerie no século XIX: estufa, quadra esportiva e salão antes de virar museu

"A parte mais importante do nosso trabalho foi restaurar a iluminação natural, que era tão fundamental a Monet", declarou Olivier Brochet, o arquiteto-chefe do projeto. "O estudo da luz é a base do movimento impressionista. Quisemos restaurar o que era a essência desse prédio, que já foi descrito como a Capela Sistina do impressionismo", disse ele. Durante os seis anos de obra – quatro além do planejado, por causa da descoberta de ruínas de um muro do século XVI na área onde seria construída a nova galeria –, as celebradas Ninféias não saíram do museu, protegidas por anteparos ultra-reforçados, vedados e ligados a alarmes. "Em uma ou duas ocasiões, por causa das vibrações, as flores gritaram e os trabalhadores tiveram de parar", conta Brochet. Agora, podem respirar aliviadas. E o público pode voltar a apreciá-las como seu criador imaginou.

 
 
 
 
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