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Brasil
Banditismo e podridão
Ao atacar VEJA, Lula usou adjetivos que seriam
mais indicados para qualificar o seu governo
Na semana passada, o presidente da República,
Luiz Inácio Lula da Silva, desferiu contra VEJA o pior ataque
já feito por uma autoridade pública a um órgão
de imprensa desde a redemocratização do país.
Ao comentar a reportagem da revista sobre o arsenal de informações
contra o governo estocado pelo banqueiro Daniel Dantas, Lula atacou
o mensageiro e não a mensagem. O presidente disse que: 1)
VEJA atingira "o limite da podridão"; 2) o autor do texto
era "bandido, mau-caráter, malfeitor, mentiroso"; e 3) na
redação da revista não havia ninguém
com "10% da dignidade" dele próprio como se dignidade
pudesse ser medida em porcentagem, assim como as propinas dos petistas.
Em seguida, Lula afirmou que não havia lido a reportagem
contra a qual vociferara. Típico.
Desde 2005, quando VEJA revelou o escândalo
da corrupção nos Correios, Lula, seus ministros e
aliados se esforçam para negar todas as revelações
feitas pela revista. Foi assim com o valerioduto, a empresa de Lulinha,
os sacadores do mensalão, os dólares de Cuba, a quebra
do sigilo do caseiro, e por aí vai. Nestas páginas,
VEJA apresenta uma lista dos principais escândalos da era
Lula escândalos que só vieram à tona
graças ao trabalho da imprensa. Chama atenção
o fato de que, quando eles eclodiram, o presidente jamais utilizou
contra seus protagonistas estes, sim, malfeitores
os termos empregados em relação à reportagem
exemplar de VEJA. Mas os fatos estão aí, ainda que
Lula tente ignorá-los. Se ele quiser estender-se sobre "banditismo"
e "podridão", é preciso que olhe para seu próprio
governo.
CORRUPÇÃO NOS CORREIOS
O banditismo: em maio de 2005, VEJA
publicou reportagem sobre Maurício Marinho, um funcionário
dos Correios flagrado em vídeo embolsando propina de 3 000
reais. A revista informou que Marinho fazia parte de uma rede de
corrupção que arrecadava recursos para o PTB, de Roberto
Jefferson, com o aval do PT. Outros órgãos federais,
como o IRB, também estavam no esquema.
A podridão: o ex-ministro José
Dirceu classificou a reportagem como "golpismo das elites", afirmou
que o governo Lula "não rouba nem deixa roubar" e garantiu
que a corrupção nos Correios era "um caso isolado".
O PT tentou impedir o Congresso de investigar o caso.
O desfecho: funcionários das
empresas confirmaram as denúncias. Todos os diretores dos
Correios e do IRB foram afastados.
VALERIODUTO
O banditismo: em junho de 2005, VEJA
informou que Marcos Valério havia montado um grande esquema
de lavagem de dinheiro a pedido do PT. Segundo a reportagem, Valério
distribuía dinheiro a políticos de vários partidos
para garantir apoio a Lula no Congresso. No mês seguinte,
a revista mostrou que Valério e os petistas José Genoino
e Delúbio Soares haviam firmado contratos milionários
de empréstimos nos bancos Rural e BMG.
A podridão: antes de VEJA publicar
cópias de contratos assinados por Valério, Genoino
e Delúbio, os três refutaram as afirmações
da revista. Valério afirmou que todas as acusações
eram mentirosas. Delúbio garantiu que nunca havia transgredido
os "limites da ética política". Genoino disse "nunca
ter assinado" nenhum empréstimo.
O desfecho: a análise da contabilidade
de Valério comprovou todas as denúncias e revelou
a existência do mensalão, esquema descrito por Roberto
Jefferson em entrevista à Folha de S.Paulo.
LULINHA E A GAMECORP
Ana Araujo
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O banditismo: Fábio Luís
da Silva, filho do presidente Lula, montou uma empresa no segundo
ano do governo do pai, a Gamecorp. Logo em seguida, ficou sócio
da gigante Telemar e levou 5 milhões de reais no negócio.
A operação não foi comunicada à Comissão
de Valores Mobiliários, como determina a lei. A história
foi revelada na edição de VEJA de 13 de julho de 2005.
A podridão: o presidente Lula
se recusou a investigar o caso. Em um discurso indignado, disse
ser alvo de um "golpe baixo" da imprensa destinado a "invadir sua
vida privada".
O desfecho: a reportagem de VEJA foi
inteiramente confirmada, mas o governo não tomou nenhuma
providência sobre o caso.
DINHEIRO NA CUECA
O banditismo: em julho de 2005, José
Adalberto Vieira da Silva foi preso no Aeroporto de Congonhas, em
São Paulo, com 100 000 dólares e 200 000 reais escondidos
na cueca. Ele era assessor do deputado cearense José Nobre
Guimarães, irmão de José Genoino, ex-presidente
do PT.
A podridão: Adalberto tentou
dizer que o dinheiro havia sido obtido com a venda de "legumes e
verduras". Genoino não se manifestou sobre o caso. Guimarães
foi poupado de dar explicações. Sua única punição
foi ser expulso da executiva do partido no Ceará.
O desfecho: apesar de ter sido apanhado
em flagrante, José Adalberto teve a prisão relaxada
logo em seguida. Ninguém foi preso nem punido pelo episódio.
CASO BOB MARQUES
O banditismo: em 3 de agosto de 2005,
VEJA trazia uma informação que afetava diretamente
o ex-ministro José Dirceu. A CPI dos Correios havia encontrado
uma autorização de saque no valerioduto no valor de
50 000 reais em nome de Roberto Marques, conhecido como Bob, secretário
particular de Dirceu.
A podridão: José Dirceu disse
que quem aparecia na lista era um homônimo do seu secretário.
O ex-ministro se esforçou para esconder o nome de Bob
Marques porque sabia que a autorização de saque
em nome de seu assessor era a prova cabal de sua ligação
com o dinheiro sujo do valerioduto.
Fotos Ernesto Rodrigues/AE
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es/AE
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O desfecho: apesar de tentar ocultar
suas relações com Marcos Valério, Dirceu foi
cassado pela Câmara em novembro do ano passado e não
poderá se candidatar a nenhum cargo público até
2015.
PALOCCI E OS LOBISTAS
Valter Campanato/ABR
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ABR
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O banditismo: no fim de agosto, a revista
informou que Antonio Palocci, então ministro da Fazenda,
mantinha perigosas relações com um grupo de lobistas.
Na semana seguinte, revelou que eles se encontravam em uma luxuosa
mansão no Lago Sul de Brasília.
A podridão: Antonio Palocci
convocou uma entrevista coletiva naquele fim de semana para
refutar todas as afirmações da revista. Também
disse que não se encontrava com os lobistas e que, se tivesse
ido à tal casa, deixaria seu cargo no governo.
O desfecho: Palocci foi desmentido
por Rogério Buratti, seu ex-assessor, e por Francenildo Costa,
o caseiro da mansão.
OS DÓLARES CUBANOS
Luz
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Luludi/Ag. Luz
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O banditismo: Vladimir Poleto, ex-assessor
de Palocci, transportou dólares vindos de Cuba em um jatinho
particular no ano de 2002. Poleto levou o dinheiro de Brasília
para um escritório do PT em São Paulo. VEJA revelou
os bastidores do transporte de dinheiro em novembro de 2005.
A podridão: o PT pressionou
Poleto a desmentir o conteúdo da reportagem durante seu depoimento
à CPI dos Bingos. Ele negou ter dado as informações
a VEJA e alegou até que, se havia dito alguma coisa, era
porque estava alcoolizado.
O desfecho: Poleto saiu da CPI desmoralizado,
pois sua entrevista havia sido gravada. E ele estava sóbrio.
MARKETING BANDIDO
aujo
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Ana Araujo
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O banditismo: em janeiro deste ano,
VEJA revelou que Duda Mendonça, ex-marqueteiro de Lula, que
já havia admitido ter recebido dinheiro do caixa dois petista
nas Bahamas, também tinha outra conta secreta em Miami e
estava envolvido com remessas ilegais de dinheiro para o exterior,
desvio de verbas de órgãos públicos, sonegação
de impostos e crimes eleitorais.
A podridão: Duda atacou duramente
a revista em notas publicadas nos maiores jornais do país.
Lula, apesar das revelações, permitiu que Duda continuasse
sendo o titular da milionária conta publicitária da
Petrobras.
O desfecho: as outras contas de Duda
no exterior vieram à tona e ele foi citado pela Procuradoria-Geral
da República como um dos quarenta membros da "organização
criminosa" petista.
O SIGILO DO CASEIRO
Antonio Cruz/ABR
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z/ABR
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O banditismo: em abril, VEJA publicou
reportagem em que revelava que o ministro Antonio Palocci havia
sido o mandante da quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo
Costa.
A podridão: o governo tentou
montar uma farsa para preservar a imagem de Palocci diante da opinião
pública. O ministro da Justiça, Márcio Thomaz
Bastos, ajudou na tentativa de criar uma versão que eximisse
Palocci de responsabilidade.
O desfecho: o ex-presidente da Caixa
Jorge Mattoso confessou ter recebido ordem de Palocci para quebrar
o sigilo do caseiro. O ministro foi demitido.
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