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Carta ao leitor A
promoção a povo
Hulton
Archive/Getty Images
 | | Jefferson:
"Um homem honesto não sente prazer no exercício do poder sobre seus
iguais" |
Quando VEJA revelou, na
semana passada, que o banqueiro Daniel Dantas usou espiões internacionais
para levantar a vida financeira de petistas, o presidente Lula reagiu com violência
verbal. Mesmo sem ler a reportagem e conhecendo apenas relatos sobre seu conteúdo,
atacou os profissionais que a fizeram e concluiu: "Sinceramente, é de uma
leviandade e de uma grosseria que um ser humano comum não pode admitir,
quanto mais um presidente da República".
Na página 50 da presente
edição, VEJA comenta as repercussões da reportagem e publica
novas descobertas sobre as relações de Dantas com o governo petista.
Neste espaço se tratará da concepção de Lula de que
um presidente da República merece mais consideração que um
cidadão comum. Isso exige uma reflexão. Ela nos vem da lembrança
de que os fundadores do sistema democrático de governo, aqueles americanos
que se rebelaram contra a tirania monarquista do rei George III da Inglaterra
no século XVIII, cuidaram principalmente de coibir o poder e as regalias
pessoais do presidente. Preocupados em não
criar um novo rei com o cargo de presidente, ficou estabelecido que:
• O presidente não pode processar ninguém, mas
pode ser processado por qualquer cidadão. •
O presidente é um servo do povo e, portanto, deve aos cidadãos obediência
litúrgica e hierárquica. • O mandato
presidencial é uma missão constitucional a que um dos cidadãos
do país se submete muitas vezes a contragosto e em prejuízo de suas
atividades privadas. Thomas Jefferson, o terceiro presidente dos Estados Unidos,
disse: "Um homem honesto não sente prazer no exercício do poder
sobre seus iguais". • Quando deixa o comando do
governo e volta a ser um cidadão comum, o presidente é promovido
a povo. São lições que precisam
ser lembradas a Lula, que tem amigos como o ditador cubano Fidel Castro, que há
meio século recusa sua promoção a povo, e o venezuelano Hugo
Chávez, que pretende adiar a mesma promoção pelas próximas
duas décadas. Além disso, cercado de bajuladores, Lula acabou convencido
de que é um "líder", um "guia", enfim, alguém superior aos
cidadãos comuns. Nada menos republicano. Nada menos democrático.
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