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• Música: O clipe de Lady GagaMúsicaMeninas super poderosasCom Telephone, Lady Gaga e Beyoncé fazem mais do que renovar
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Fotos Divulgação![]() |
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AQUI Lady Gaga em cena de Telephone: clipe com nove patrocinadores, referências a Quentin Tarantino e muito sexo proibido para menores |
No último dia
11, a cantora americana Lady Gaga lançou o clipe da canção Telephone. O vídeo, que é coestrelado pela diva Beyoncé,
tornou-se uma sensação imediata no YouTube. Em algumas horas, foi
visto por 500 000 pessoas. Em uma semana, ultrapassou a casa dos 20 milhões
e contando. Pode-se imaginar que o total estaria progredindo ainda mais
rapidamente se, a certa altura, o YouTube não tivesse restringido seu acesso
a maiores de idade: demorou, mas a direção do site afinal se deu
conta de que Telephone exibe "conteúdo impróprio".
Muito impróprio. No filmete de nove minutos e 32 segundos de duração
(a música entra só lá pelo terceiro minuto, e é diversas
vezes interrompida para que o enredo se desenrole), Lady Gaga, também coautora
do roteiro, é levada a uma prisão feminina e violentamente despida
por carcereiras lésbicas, que querem conferir os rumores de que a pop star
seria hermafrodita (não, não é, concluem, olhando de perto
as evidências). Gaga beija langorosamente uma prisioneira com jeito de homem,
dança vestindo um exíguo biquíni de couro e enrola o cabelo
com latas de um refrigerante diet um dos dez patrocinadores cujas marcas
são muito visíveis no clipe. Quando Beyoncé a liberta da
prisão e as duas dividem um bolinho de recheio cremoso, em uma cena que
pode e deve ser levada para a maldade, Gaga já deixou claro o manifesto
representado por Telephone. Sua concepção do pop é
tão extrema, nos dias de hoje, quanto aquela que Madonna propôs na
década de 80: desde que o próprio artista esteja no controle de
sua imagem, não há limite para sua exploração, transformação
em objeto de fetiche e comercialização.
Para Gaga, esse é mesmo o tripé sobre o qual se sustenta a cultura pop, assim como seu próprio sucesso sem precedentes. Com Telephone, ela e Beyoncé igualaram o recorde de Mariah Carey, como as únicas artistas a levar um total de seis canções ao topo da parada pop da Billboard (a medição, baseada em execuções no rádio, começou a ser feita em 1992). A diferença é que Mariah Carey realizou seu feito no decorrer de doze anos, entre 1993 e 2005, enquanto Beyoncé o fez ao longo de sete anos, entre 2003 e a semana passada. Lady Gaga, porém, debutou na parada pela primeira vez dezesseis meses atrás. Há menos de um ano e meio, portanto. É a única artista, homem ou mulher, a emplacar seis canções consecutivas no primeiro lugar e em tão pouco tempo.
Deixe-se Mariah Carey, cujo momento já passou, de fora dessa equação. Entre Beyoncé e Lady Gaga, não há dúvida de que a primeira é o talento mais completo: Beyoncé é linda, tem uma voz extraordinária, é uma grande dançarina e uma intérprete capaz de abarcar qualquer gênero. Já vendeu mais de 25 milhões de discos, em meio à crônica e ao que tudo indica irreversível crise da indústria fonográfica, e é indiscutivelmente um ícone. Lady Gaga é sexy, mas não bonita. Dança bem, mas não especialmente bem. Tem uma voz que não é má, mas que, por seus próprios méritos, não a levaria nem perto do ponto a que ela chegou. E é uma compositora extremamente eficaz, mas apenas e tão somente de pancadões superproduzidos e hiperdançáveis (ao menos até aqui). Em Telephone, contudo, é Gaga quem está no comando. Beyoncé, não obstante os mais de 100 milhões de acessos no YouTube ao onipresente vídeo de Single Ladies (isso sem incluir as incontáveis paródias), que a credenciam a figurar como uma das renovadoras desse gênero, está de carona, aprendendo como se faz para desdobrar um conceito até suas últimas possibilidades.
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| DO
OUTRO LADO DA LINHA Beyoncé atende ao chamado de Gaga: apesar dos 100 milhões de acessos a Single Ladies, agora ela é quem tem a aprender |
Desde que Lady Gaga se lançou, esta tem sido a engrenagem que a faz acumular
tal ímpeto: o videoclipe. Por causa dela, o clipe saiu da estagnação
criativa e mercadológica em que se encontrava havia quase duas décadas
e promete voltar a ser a peça promocional prioritária da música
pop. Ou, seguindo o raciocínio disposto por Gaga em ví-deos como Poker Face, Paparazzi, Bad Romance (este, com 152 milhões
de acessos até aqui) e em particular o novo Telephone, a música
pop é que passa a existir em função do videoclipe. Telephone inclui um sem-número de referências aos trabalhos do diretor Quentin
Tarantino e dos papas do movimento pop, os artistas plásticos Andy Warhol
e Roy Lichtenstein: na visão de Gaga, a sua arte é a mesma que a
deles não a música nem o figurino extravagante, mas a manipulação
da sua imagem. Lady Gaga, enfim, é o produto que Lady Gaga fabrica a cada
aparição sua. É compreensível, assim, que ela deteste
ver mencionado seu nome verdadeiro, Stefani Joanne Angelina Germanotta. Seja quem
for essa pessoa, ela é isso uma pessoa real. Não a criação
efervescente, excitante e indecifrável que ela inventou e a quem deu o
nome de Lady Gaga. E que, desde então, foi incumbida de inventar as mil
Gagas diferentes e contando vistas até aqui.