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Em 1992, o Conselho Federal de Entorpecentes decidiu liberar o uso religioso do chá em todo o território nacional. Em 2004, o Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (Conad) retirou a ayahuasca da lista de drogas alucinógenas. Em janeiro, o Conad atualizou as normas do uso da ayahuasca no Brasil, proibindo, por exemplo, sua comercialização e propaganda regras que já estavam em vigor, mas de forma pouco clara. O dado alarmante é que não há estudos científicos aprofundados e seguros sobre os riscos para a saúde mental do uso constante de DMT na forma de chá. Ou seja, em atendimento ao princípio constitucional da liberdade religiosa, o governo federal liberou a utilização sem regras nem limites de uma substância química alucinógena. Há indícios de que não o fez por negligência, mas por método. A recente Segunda Conferência Nacional de Cultura, realizada sob auspícios governamentais, considerou um dever do estado "registrar, valorizar, preservar e promover" as "comunidades ayahuasqueiras". O trágico episódio que causou a morte de Glauco e de seu filho ainda tem pontos misteriosos, sobre os quais se debruça a reportagem de VEJA desta semana mas desde já chama atenção para o risco de exageros quando se pratica a tão desejada tolerância. Talvez Glauco ainda estivesse vivo se Carlos Eduardo estivesse sendo submetido a tratamento psiquiátrico adequado? A resposta não é simples. Mas, claramente, a pajelança química travestida de religiosidade pastoril contribuiu para a tragédia. |