Edição 1846 . 24 de março de 2004

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Brasil
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Economia e Negócios
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Guia
Artes e Espetáculos
Claudio de Moura Castro
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
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Cartas

 

"Não posso acreditar que essas cabeças que trabalham para o mal pensem que a ideologia e o fanatismo devem prevalecer sobre a vida de um pai de família."
Igor Lukasevicius
ilukasevicius@ig.com.br

 

Terror

É inevitável a comoção de milhões de pessoas no mundo diante das imagens do atentado da semana passada na Espanha ("As vítimas somos todos nós", 17 de março). O que deixa a maioria das pessoas indignadas é o caminho utilizado pelos terroristas para chamar a atenção: a morte de crianças, desastres, grande quantidade de civis mortos e marcas eternas de tristeza para milhares de famílias.
Eveline Schultz
Florianópolis, SC

Sou brasileira e moro na Espanha há pouco mais de um ano. Após o massacre do dia 11, posso assegurar que o sentimento que reina na sociedade espanhola é de indignação. Perplexos diante de tanta barbárie, os espanhóis só têm uma pergunta em mente: "Por quê?"
Gisele Mendes de Carvalho
Zaragoza, Espanha

A foto publicada na capa da edição 1.845 mostra a crueldade real do que aconteceu no dia 11 de março em Madri. Um horror para que todos possam ver. Digo, sinceramente, que jamais fiquei tão chocada com uma capa, mas essa mereceu uma opinião. Olhando para aquele corpo sem vida (que foi tirada de maneira muito cruel), a sensação que nos dá é que estamos lá, vendo aquela cena de horror.
Fernanda Oliveira
Bauru, SP

Está na hora de o mundo tomar conhecimento de que estamos na terceira guerra mundial. Uma guerra desigual de inimigos covardes, que fazem a lavagem cerebral do ódio em seus jovens, tornando-os assassinos suicidas. Israel, Espanha, Marrocos, Iraque, Arábia Saudita, Turquia, EUA... qual será a próxima vítima?
Ronit Amiel
Campinas, SP

Tentaram manipular as informações até o último momento, atribuindo a autoria à banda terrorista ETA, para tirar proveitos eleitorais, sabendo que terrorismo neste país rende votos. A maioria da população esteve contra a Guerra do Iraque protagonizada pelo eixo Bush, Blair e Aznar, e essa gente pacífica protagonizou algumas das manifestações pela paz mais massivas do mundo. Devido a isso, a Espanha entrou no roteiro do terrorismo islâmico.
Rodinei Vânder de Oliveira
Barcelona, Espanha

Tão insano quanto os terroristas é quem acredita que esses ataques monstruosos são uma maneira justa de protestar contra as ações de qualquer governo. Estranhas pessoas essas que se dizem importar com o destino da humanidade. Rezam de manhã e à noite sacrificam vítimas inocentes em nome de uma causa que ninguém consegue definir qual é.
Maria Lúcia Benevides da Silva
Natal, RN

As cenas vistas e fotografadas nas estações onde bombas foram explodidas mostraram que realmente o terrorismo é o mal do século, principalmente levando em conta que o objetivo de grandes líderes, como Osama bin Laden, é destruir a civilização ocidental. É difícil lidar com um homem que tem esse pensamento.
Bruno Ladorucki Meier
Joinville, SC

Em meio a tudo que já foi dito e escrito sobre o horrível ataque terrorista na Espanha, veio na hora certa o belo artigo de Mario Sabino ("Um espectro ronda a Europa", 17 de março). Por maiores que sejam as qualidades da democracia americana, ora ofuscadas pelo lamentável George Bush, não há construção humana da magnitude da União Européia. É essa "obra-prima da política", na feliz definição de Sabino, que nos lembra de tudo que é oposto ao fanatismo destruidor, sobretudo nossa capacidade de aprender a preservar nossa raça – a raça humana.
Hugo Dart
Rio de Janeiro, RJ

 

Roberto Pompeu de Toledo

Brindar à morte é tudo que gostaríamos de aprender, já que sabemos tanto brindar à vida. Que esse momento se torne menos amargo para todos nós. Através dos olhos requintados de Roberto Pompeu de Toledo, pudemos ver que nosso encontro com ela pode ser mais do que normal. Pode ser um ritual aceitável para os que estão indo, e para nós que estamos à espera. E que isso não nos paralise nem nos tire a felicidade que é viver ("A tragédia vista em suas ninharias", 17 de março).
Mara Yanmar Narciso
da Cruz Silveira
Montes Claros, MG

O ensaio me comoveu de modo especial, pelo lirismo que conseguiu transmitir diante da brutalidade ocorrida em Madri. Apesar de tudo, de toda a bestialidade e pequenez que presenciamos, ainda temos a poesia, e isso ainda não conseguiram destruir.
Maria Cristina Silveira
Rio de Janeiro, RJ

 

William Adas

Cumprimento VEJA pela excelente reportagem "VEJA o acompanhou por 16 meses" (17 de março). E também Mônica Weinberg e o bem-sucedido esforço de William Adas, que encontrou nova qualidade de vida após a cirurgia bariátrica. Nunca é demais frisar que a cirurgia para grandes obesos não é cirurgia cosmética, como inicialmente os planos de saúde desdenhosamente a classificavam. É procedimento que garante a vida por maior prazo e com qualidade para milhares de pessoas que não conseguem perder peso, de forma sustentada, em várias tentativas clínicas.
Doutor Geraldo Medeiros-Neto
Professor do Departamento
de Clínica Médica e Endocrinologia da Faculdade de Medicina da USP
São Paulo, SP

Meus parabéns pela reportagem. Fui operado há seis meses e, agora com menos 43 quilos, sei como não é fácil esse processo de emagrecimento. Além da saúde, a sociedade nos obriga a ter um corpo em forma.
João Geraldo Abussafi
Miami, Flórida, EUA

Absolutamente incrível! Não tenho outras palavras para descrever como essa revista pôde fazer uma matéria tão completa sobre cirurgia de estômago, como a reportagem com William Adas. Eu e meu marido nos submetemos a essa maravilhosa cirurgia mais ou menos um ano atrás e não há nada neste mundo que nos faça sentir mais felizes.
Priscilla Carecho Chagas
Campinas, SP

Fico feliz por VEJA tratar com seriedade a obesidade e mostrar a vitória de William. Tenho 28 anos e há dois sou operada. Já perdi 80 quilos. Hoje, com 51 quilos, sem dúvida sou outra mulher e estou feliz. A obesidade é o mal do século.
Paulla Leles
Goiânia, GO

Como ex-obeso que também se submeteu à cirurgia de redução de estômago, fiquei maravilhado com a precisão jornalística da reportagem. Tanto no campo esotérico como em várias religiões se fala muito em vidas futuras. Não vou entrar no mérito da questão, até porque meu objetivo aqui não é filosofar sobre crenças. Mas se realmente existe uma segunda vida, um renascimento, ninguém melhor para falar sobre essa experiência do que o ser humano que venceu em definitivo a obesidade.
Silvestre H. Marchese
São Paulo, SP

 

A Paixão de Cristo

Assisti ao filme A Paixão de Cristo de Mel Gibson ainda nos EUA e o achei grotesco, violento, sem propósito. Concordo com a jornalista Isabela Boscov. Jesus vira fetiche nas mãos do diretor. O ponto positivo vai para as falas em aramaico e latim. Foi ótimo ver os americanos se virando para acompanhar as legendas ("Um Jesus nada cristão", 17 de março).
Sávio Siqueira
Salvador, BA

Considero o filme sensacional. Pela primeira vez consegui ver um Jesus humano, um Jesus que não é uma santidade inalcançável. Só alguém que realmente não tem conhecimento religioso para não se sentir extremamente confortável, confiante e revitalizado após assistir à película.
Erick Henrique de Carvalho
Belém, PA

Jesus era judeu, filho de mãe judia, sendo esta descendente da tribo de Davi. Seus seguidores eram judeus. Seus apóstolos eram judeus, assim como judeu era também o sacerdote Caifás. A morte de Cristo teve motivos políticos, e não religiosos. Jesus certamente incomodava os interesses de muitos quando dizia: "Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus". O filme pode ser extremamente violento, mas se atém aos fatos narrados no Novo Testamento de forma cartesiana.
Carmen Adorno
São Paulo, SP

Tenho 73 anos, sou filho de imigrantes russos, nascido aqui, e me considero paulista e paulistano. Quando tinha 13 anos vivia no bairro do Bom Retiro, perto da Igreja Dom Bosco. O padre local, por ignorância, instilava nos jovens que a freqüentavam a idéia de que os judeus eram deicidas. Como conseqüência, éramos roubados e espancados, como se o fato tivesse ocorrido à época, justificando, portanto, as reações explosivas, como se nós fôssemos os culpados de um episódio longínquo. Pergunto: "o que o senhor Mel Gibson pretende, além de encher os bolsos de dólares? Retroceder ao tempo da escuridão?
Jayme Kotujansky
São Paulo, SP

 

Stephen Kanitz

Em seu ótimo artigo "O fim das pequenas empresas" (Ponto de vista, 17 de março), Stephen Kanitz apresenta uma questão para debate no fim do texto: quem tem mais condições de gerar os empregos que este país necessita? Nossos intelectuais, nossos economistas, nosso governo ou nossa classe média? A construção civil tem uma formidável capacidade de gerar empregos. Ela absorve mão-de-obra menos especializada em seus canteiros de obras, emprega engenheiros, arquitetos. E isso somente na fase de construção de um prédio. A cada 1 milhão de reais investidos na construção civil, são gerados 65 empregos diretos, indiretos e induzidos. Ainda, na época da ocupação do prédio, são empregados zeladores, porteiros, vigias, faxineiros e administradores de condomínio. Mas o melhor – ou o pior, dependendo do ponto de vista – é que 96% das empresas de construção civil são micros e pequenas, e empregam até 49 pessoas. Há anos os empresários do mercado imobiliário amargam a paralisação de seus negócios – em 2003, o PIB da construção caiu 8,6%. Além de não gerarem vagas, têm desempregado muito e deixado de contribuir socialmente com o país, cujo déficit habitacional aproximado é de 6,7 milhões de moradias, concentrado nas famílias com renda de até cinco salários mínimos.
Basílio Jafet
Vice-presidente do Sindicato
da Habitação
São Paulo, SP

Dirijo uma empresa metalúrgica de 51 anos, herdada de meu pai, e nos últimos sete anos, além de toda a encrenca que representa uma sucessão familiar, sinto na pele o que está descrito em seu artigo. Estamos sempre levando para ver se algum dia melhora. Não tenho medo de quebrar, mas sinto pelos cinqüenta empregos que algum dia poderão sumir, pois somos uma empresa pequena mas temos as responsabilidades e as cargas tributárias de uma grande.
Waltraud Keuper Rodrigues Pereira
Petrópolis, RJ

Um dos inúmeros motivos que me levaram a sair do Brasil há quatro anos foi exatamente a falta de perspectivas: ou me submetia (no sentido mais amplo da palavra) indefinidamente ao esquema corporativo e rezava, ou partia para a carreira pública – investir no Brasil era e é para quem tem muito dinheiro ou pouco juízo.
Carlos Eduardo Souza Lopes
Cottage Grove, Wisconsin, EUA

Lúcido e oportuno o comentário de Stephen Kanitz. O foco dos dias atuais é exatamente esse: o excesso de tributação está demonstrando que o governo (o obeso, insaciável e inepto Estado brasileiro) resolveu fazer uma canja com a galinha que põe um ovo de ouro todo santo dia, tal como na fábula. Imagino que alguém, em algum lugar da Europa, tenha escrito alguma coisa semelhante às vésperas da Revolução Francesa.
Guilherme Vinicius Dietrich
Porto Alegre, RS

Acredito que todos os pequenos empresários deste país gostariam de enviar esse artigo ao nosso presidente e a seus ministros, que deveriam olhar mais para as pequenas e médias empresas. Se realmente é verdade que apenas 10% dos lucros obtidos com as taxas de juro que os bancos cobram são verdadeiramente impostos e inadimplência, por que o Banco do Brasil e a Caixa Econômica não praticam taxas de juro mais baixas? Isso quebraria o cartel dos bancos e renderia bom volume de negócios a esses bancos e, principalmente, ajudaria as pequenas e médias empresas que precisam de capital para crescer e criar empregos.
Carlos Oliva
Campinas, SP

 

Boris Fausto

Sereníssima e objetiva a entrevista com o historiador Boris Fausto (Amarelas, 17 de março), em que ele analisa de forma brilhante o governo Lula e a atuação do PT como seu sustentáculo político. Concordo inteiramente quando o historiador diz que o PT tinha um discurso, e nunca um projeto de governo.
Julio Rodrigues Correia
Manaus, AM

Quando votei no Lula, pela primeira vez acreditei estar ajudando a eleger alguém humilde que realmente compreendesse o sofrimento do povo para nos representar. Mas em pouco tempo vi esse mesmo homem entregar o país nas mãos dos mesmos abastados de sempre.
Sérgio Toreto
Goioerê, PR

Excelente a entrevista com Boris Fausto nas páginas amarelas. Com equilíbrio, sobriedade e isenção, ele retratou exatamente o que se passa no governo Lula. Espero que o presidente leia a matéria e saiba absorver as críticas, ajudando nosso país a crescer.
Fernando Augusto de Mendonça Neto
Recife, PE

 

Juventude

O cálculo do índice de desenvolvimento juvenil (IDJ), pelo qual Alagoas aparece na última posição do ranking nacional, levou como referência dados do IBGE de 2002 e não surpreende o governo de Alagoas. Quando assumi o Executivo, em janeiro de 1999, recebi a pior herança administrativa entre as demais unidades da Federação: o pior IDH do país, a pior taxa de mortalidade infantil, a maior concentração de analfabetos e inadimplência com o governo federal. Nossa terra alcançou esse nível de degradação por causa dos equívocos cometidos pelas elites dirigentes alagoanas na execução de políticas públicas durante pelo menos duas décadas. Hoje, ainda refletindo o peso do passado, o quadro é outro, porque o trabalho contínuo e parceiro entre diversas esferas de poder e organizações sociais já derrubou à metade a mortalidade infantil e vem reduzindo o analfabetismo ("É Santa Catarina", 17 de março).
Ronaldo Lessa
Governador de Alagoas
Maceió, AL

Muito boa a reportagem que coloca meu Estado em primeiro lugar no índice de desenvolvimento dos jovens. Aproveito o espaço para pedir aos governantes de Brasília que olhem mais para o Sul e dupliquem urgentemente a BR-101, que mata mais que atentado.
Filipe Machado Casagrande
Criciúma, SC

 

Diogo Mainardi

Parabéns a Diogo Mainardi por "expor" um tema tão tabu neste país! É bom lembrar que as mulheres ganham em média a metade dos salários masculinos, amargam 23% de desemprego (a média nacional é de 11%) e, com rendimentos de até dois salários mínimos, são responsáveis por 57% das crianças até 6 anos de idade! Ninguém, nem o Estado, principalmente, dá a menor bola a essas mulheres e seus filhos, a não ser para jogar sobre elas o ônus de criá-los. Isso sem falar na quantidade de crianças abandonadas e miseráveis no país. E o senhor Lula ainda acha que um café-da-manhã com as funcionárias do Planalto no Dia da Mulher é capaz de esconder toda essa hipocrisia!
Andréa Câmara
Barueri, SP

Sobre o meu projeto de conscientização junto aos hospitais dos efeitos do aborto na mulher e de incentivo à adoção pós-parto, quem entende que o feto humano não tem vida e pode ser tratado como um simples furúnculo a ser extraído será contra sua aprovação. Parte significativa e importante da comunidade científica prova que há vida desde a concepção, portanto não se trata apenas de uma questão religiosa. Quantas mulheres ficaram com seqüelas físicas e/ou psicológicas após a realização de um aborto? Quantos abortos são feitos apenas porque casais de namorados tiveram atitudes irresponsáveis? A ciência e a tecnologia devem estar a serviço da vida em todas as suas fases, ou seja, dos "menos 9 meses" aos 199 anos, caso contrário serão apenas experiências secundárias que mais polemizam do que ajudam na resolução dos problemas de saúde ("O planejamento petista", 17 de março).
Durval Orlato
Deputado federal (PT-SP)
Brasília, DF

Divirto-me ao ler, todos os domingos, as cartas endereçadas a Diogo Mainardi, assim como ele o faz com um leve sorriso malicioso e sádico no aconchego de sua casa. Como num reality show, tenho certa curiosidade quanto às reações das pessoas diante de temas tão espinhentos e das tiradas tão agressivas porém verdadeiras sobre nosso país e nossa cultura. Diogo nos testa a cada edição de VEJA, aguardando uma reação, uma ofensiva nossa diante de tudo o que está aí e com que convivemos passivamente. Somos suas cobaias.
Bento João da G.A. Abreu
Belo Horizonte, MG

Em consonância com o comentário sempre apimentado da coluna de Diogo Mainardi, fica a pergunta: até quando o povo brasileiro ficará refém de políticos picaretas e falsas ideologias partidárias, que sob o manto de honestas e castas infligem ao povo o terrorismo do "melhor calar do que ver o Brasil parar"? Simplesmente vergonhoso... Parabéns ao senhor Mainardi pela ousadia crítica de sempre ("Pelo impeachment de Lula", 3 de março).
Raphael Maués
Coimbra, Portugal

 

Política econômica

Após ler a reportagem "'Por favor, me deixem trabalhar'" (17 de março), senti-me o "bobo da corte" por ter votado pela primeira (e última) vez no PT. Presidente de atitude dúbia, Lula não vive sem seu ministro todo-poderoso, que alfineta seus companheiros de partido e de ministério, quando estes não fazem o que ele determina. Agora, seu filho Zeca Dirceu, funcionário de terceiro escalão no Paraná, aparece intermediando verba em favor da cidade da qual futuramente será candidato a prefeito. Nepotismo execrável e condenável. Aí surge o ministro da Justiça falando que é normal. Daqui a pouco, roubar, delatar, trair vão ser também, isso sem contar que não se pode mais criar CPI nem para o rumoroso caso de Waldomiro Diniz.
José Geraldo Queiroz
Juiz de Fora, MG

Os empresários brasileiros também têm um pedido ao senhor presidente e sua cúpula: "Por favor, e pelo amor de Deus, nos deixem trabalhar!".
Omar Jundi
Araçatuba, SP

 

Macau

De um lado, um governo competente, corajoso e íntegro, que define rígidos padrões de funcionamento e penalidade. Resultado: território mínimo (25 quilômetros quadrados); 445.000 habitantes; taxa mínima de desemprego; 11,5 milhões de turistas (pelas médias mundiais, três dias/turista, gasto médio: 100 dólares/dia = 3,5 bilhões de dólares); previsão de aumento de turistas em relação ao ano anterior, 49%. Várias casas de jogos 24 horas (milhares de empregos). Só um dos investidores, 1 bilhão de dólares. Movimento bruto do jogo: 4,4 bilhões de dólares (Terceiro Mundo). Tributo pago ao Estado (média mundial, 6% do bruto = 300 milhões de dólares). Do outro lado, governo e políticos incompetentes, omissos e corruptos, resultado: 5.500 municípios em 8 milhões de quilômetros quadrados; 180 milhões de habitantes; 1.100 casas de bingo fechadas; 500.000 máquinas clandestinas; 4 milhões de turistas; expectativa de aumento de turistas, 4%; 300.000 demissões diretas; 20% do faturamento para propinas a políticos e policiais. Conclusão: sorte deles que não têm Casa Civil nem Waldomiro. Azar o nosso, que temos o Fome Zé...ro ("Sorte no jogo", 17 de março).
Tadeu Abralhão Fernandes
Rio de Janeiro, RJ

 

Claudio de Moura Castro

Claudio de Moura Castro, mais uma vez, levanta uma discussão importante: a falácia da dedicação integral na universidade pública ("A ilegalidade virtuosa", Ponto de vista, 25 de fevereiro). O articulista observa, pertinentemente, que a proibição de atuar profissionalmente no mundo real confina o professor na torre de marfim acadêmica, impedindo-o de acompanhar os avanços tecnológicos de sua área. Mas não é só por isso que muitos professores decidem violar a anacrônica proibição. A maioria dos professores universitários faz bico por um motivo mais trivial e urgente: simplesmente porque não consegue viver de modo digno com os vencimentos que recebe da universidade pública. É também importante ressaltar que, no âmbito da universidade, o rigor na fiscalização das violações à dedicação integral varia bastante de professor para professor. Em geral, vale a famigerada regra: "Para os amigos tolerância, para os inimigos todo o rigor da lei".
Ricardo Molina de Figueiredo
Professor da Universidade
Estadual de Campinas – Unicamp
Campinas, SP

 

CORREÇÃO: O preço correto da matrícula do curso Grupo de Humanidades, preparatório para o concurso do Instituto Rio Branco, é 310 reais, e não 210 reais, como foi publicado na matéria "Via diplomática" (Guia, 17 de março).

 

 
CHOQUE COM A REALIDADE
As fotos dos atentados terroristas de Madri que ilustraram a capa da última edição de VEJA e a reportagem "11 de março de 2004 – O século marcado pelo signo do terror" (17 de março) levaram alguns leitores a escrever para a redação. "As fotografias dos corpos mutilados das vítimas espalhados pelo chão são de muito mau gosto", escreveram Lúcio e Adriane Caldas, de Porto Alegre. VEJA lamenta que as fotos tenham tido um impacto tão forte sobre alguns de seus leitores. Não é política da revista publicar fotos cruentas com o objetivo de chocar ou provocar indignação. Isso só ocorre em raríssimas ocasiões quando apenas as palavras são insuficientes para transmitir a perplexidade produzida por alguns episódios. Foi exatamente esse o caso da selvageria dos terroristas que mataram duas centenas de pessoas inocentes e indefesas em Madri. As duas fotos em questão, publicadas em quase todas as revistas e jornais do mundo, diga-se, foram selecionadas entre as menos explícitas de todo o material produzido naquele dia terrível pelos repórteres fotográficos.

 

A OAB E OS CURSOS DE DIREITO
Em seu artigo "A tal da demanda social" (Ponto de vista, 10 de março), sobre o uso pelo Ministério da Educação do critério de "demanda social" para aprovar novos cursos superiores, Claudio de Moura Castro defendeu a tese de que "não há um critério prático para dizer se há ou não demanda social para determinada graduação". Com relação aos cursos de direito, ele afirmou que servem como "uma excelente preparação para uma miríade de ocupações", não limitando seus formandos a carreiras puramente jurídicas. O presidente da Comissão de Ensino Jurídico do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, Paulo Roberto de Gouvêa Medina, fez algumas ponderações sobre a tese defendida pelo articulista de VEJA. Segundo Medina, o conceito de necessidade social é mais apropriado que o de demanda criticado por Moura Castro. "O critério da necessidade social está diretamente relacionado à qualidade do ensino", escreveu Medina. "Onde não existe infra-estrutura não se pode esperar que se desenvolva um bom curso. Onde já existem vagas em excesso é fácil prever que se instaure uma concorrência desenfreada entre os cursos, levando-os a afrouxar as formas de seleção."

 

RUMO AO ITAMARATY

A nota "Via diplomática" (Guia, 17 de março) citou cursos preparatórios para o ingresso no Instituto Rio Branco, que forma os diplomatas brasileiros. Algumas informações adicionais: além dos telefones divulgados na nota, os interessados nos cursos Itamaraty (São Paulo) e Diplomata (Ribeirão Preto) podem contatá-los pelo site do grupo: www.itamaratycursos.com.br. O curso Dédalo, do Recife, não citado na nota, prepara alunos do Nordeste para o concurso do Instituto Rio Branco. Os contatos: (81) 3268-9230 ou dedalo@cyb.com.br.

 

WILLIAM ADAS, EXEMPLO PARA MUITOS

A experiência do empresário paulista William Adas, que em pouco mais de um ano perdeu 65 quilos ("VEJA o acompanhou por dezesseis meses", 17 de março de 2004), chamou a atenção de muitos leitores. "Gostei da reportagem e acredito que ela ajudará muita gente", diz Adas, que colocou dois endereços eletrônicos à disposição dos interessados em trocar idéias com ele: williamadas@ig.com.br e flaviaadas@ig.com.br.

 

CUIDADOS COM A ISOTRETINOÍNA


A reportagem "O apaga-rugas" (17 de março), sobre o uso da isotretinoína no combate às rugas, falou de alguns cuidados que devem ser tomados quando se utiliza a droga. Mas a doutora Marisa Lima, diretora do Centro de Vigilância Sanitária, alerta: "Segundo a Portaria CVS­23, de 28 de novembro de 2003, que dispõe sobre a comercialização e o uso da isotretinoína, os médicos só podem prescrever medicamentos à base dessa substância após ter realizado avaliação clínica e laboratorial criteriosa do paciente, ter explicado detalhadamente os riscos de reações adversas, as contra-indicações, os cuidados a ser tomados durante o tratamento (o que inclui o emprego de dois métodos contraceptivos por mulheres em idade fértil de um mês antes até um mês após o término do uso da isotretinoína, pelo alto risco de malformação fetal) e assinado juntamente com o paciente ou responsável o termo de consentimento informado e o termo de conhecimento de riscos e consentimento, que devem ser anexados à receita especial que ficará retida na farmácia".

 
 
 
 
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