Imagem da Semana
Eles
estão azuis de raiva
Vestidos como no filme Avatar,
palestinos fazem um protesto diferente:
sem pedras, mas com criatividade

Vilma Gryzinski
Darren Whiteside/Reuters
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Gente
com peruca bem comprida, malha colante azul e cara pintada da mesma cor só
pode estar fazendo duas coisas: pulando o Carnaval ou aumentando o culto (e a
bilheteria) ao já campeoníssimo Avatar. Pois manifestantes
palestinos de uma cidadezinha dos territórios ocupados por Israel acrescentaram
uma terceira opção ao se fantasiar como os habitantes de Pandora,
o estranho corpo celeste onde transcorre o filme. O protesto era contra a grande
cerca de segurança que passa pela região. Os palestinos dizem que
é um pretexto de Israel para encampar mais terras deles; Israel argumenta
que é para aumentar a própria segurança. Ao contrário
do filme, em que tudo é simples (vários americanos bonzinhos, uma
corporação muito má e nobres nativos uropigialmente ligados
à natureza), na realidade complicada da eterna encrenca palestino-israelense
ambos os argumentos são verdadeiros. Já o uso criativo da metáfora
avatariana alimenta a mitologia em torno da obra magna de James Cameron. O filme
já foi acusado de promover o animismo e de denegrir o capitalismo (bem...).
Na China, acharam que era uma defesa dos tibetanos (e, na dúvida, substituíram-no
por uma vibrante biografia de Confúcio). Um intelectual palestino-israelense,
Seraj Assi, ficou azul de raiva com as comparações, em especial
com a ideia de que um herói branco precisa salvar os nativos ingênuos.
"É uma das piores fantasias orientalistas da memória recente",
fuzilou. Seria engraçado se a pacificação na região
não continuasse, tal como o minério precioso de Pandora, completamente
inobtenível.
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