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Ponto
de vista: Stephen Kanitz
Previsões para 2007
"Estas são as
minhas previsões para 2007; cobrem de mim no ano
que vem"
Viver é prever. Preveja
mal a sua vida e viverá pior ainda. Se você não
é capaz de prever o futuro, escolha com cuidado os "gurus"
a quem dará ouvidos. Saiba quem acerta e quem sistematicamente
erra. Por isso, todo ano guardo as previsões feitas no início
do ano para poder comparar com os resultados efetivos no final.
Estas são as minhas previsões, recortem-nas para poder
cobrar de mim no ano que vem.
Ilustração Atômica
Studio
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Previsão nº 1. A carga tributária deste país
aumentará e ultrapassará 42% do PIB no fim de 2007.
Depois continuará subindo até 53% em 2010, sufocando
ainda mais nossa economia.
Previsão nº 2.
Os gastos do governo continuarão a aumentar ano após
ano até 2035. Cortes de gastos serão sempre de curto
prazo e temporários.
Previsão nº 3.
As taxas de juro não diminuirão de 13,25% para 10,75%,
como muitos prevêem, um corte de quase 20% que poderia gerar
crescimento.
Previsão nº 4.
O Brasil continuará a ser muito mal administrado. Trilhões
de reais de dinheiro público serão "administrados"
por pessoas que nunca estudaram administração, nunca
fizeram um MBA nem sabem o que é "regime de competência"
e "regime de caixa". Por isso, serão enganadas, roubadas
e ludibriadas por pessoas mais espertas do que elas.
Para quem não acompanhou
a safra de previsões deste ano, a maioria previu o contrário:
1. Que a carga tributária chegou ao seu limite. 2. Que o
governo não terá coragem de aumentar ainda mais os
seus gastos. 3. Que os juros cairão 30%. 4. Que haverá
um "choque de gestão" neste país.
Previsão nº 1.
Felizmente, ou infelizmente, minha previsão número
1 já se concretizou, em menos de quinze dias. A carga tributária
do Brasil já é superior a 42% do PIB. Esses 38% de
"carga tributária" que se publicam por aí são,
na realidade, a "receita tributária do governo", algo bem
diferente da "carga tributária", que é o peso para
quem paga impostos neste país. Como somente 90% das pessoas
e empresas pagam impostos no Brasil, a "carga tributária"
é de 42%, mas a "receita do governo" é de apenas 38%,
isso supondo um mercado informal de somente 10%. Mas o erro não
pára aí. Digo que a carga tributária é
superior a 42% porque há muitos impostos referentes a 2007
que o governo só arrecadará em 2008, 2009 e daí
em diante, como ganhos de capital, rendimentos de fundos de ações,
imposto sobre herança, valorização imobiliária,
multas de impostos atrasados e os próprios impostos atrasados.
É a diferença entre "regime de caixa" e "regime de
competência", que ninguém estudou e ninguém
calcula. Não tenho uma verba de pesquisa econômica
para fazer o cálculo preciso, bem que gostaria. Só
posso adiantar minha estimativa de que nossa carga tributária
verdadeira já é de 53%, incluindo os impostos a recolher.
Previsão nº 2.
Não haverá reforma previdenciária para valer
nem aqui nem nos Estados Unidos. Como o número de aposentados
não vai parar de crescer até 2035, e como são
direitos adquiridos que ninguém pretende tirar, muito menos
abrir mão deles, os impostos terão de subir.
Previsão nº 3.
As taxas de juro cairão 30% só para aqueles que acreditam
na "escola nominalista" de economia. Se juro real é o verdadeiro
juro, o juro nominal é uma grande mentira, para enganar investidores,
órfãos, viúvas e jornalistas econômicos.
O juro real poderá cair, sim, de 9% para 8,2%, o que não
gera nenhuma fuga em massa de títulos públicos para
projetos empresariais que promovem crescimento. E só saberemos
dessa queda "real" no fim de 2008. Quem é "realista" vai
esperar para ver.
Previsão nº 4.
Apesar de termos 1,5 milhão de formados em administração
pública e privada, nosso governo continua a ser gerido por
gente sem a devida formação profissional em administração,
no exercício ilegal da profissão de administrador
público. É fácil identificá-los porque
usam a palavra "gestão", e não "administração",
termo criado por intelectuais franceses, que não são
conhecidos por seus dotes administrativos, pelo contrário.
Isso é um desperdício e um insulto ao 1,5 milhão
de administradores formados e competentes que temos e que só
querem uma chance de um dia mudar definitivamente este país.
Se você anda desanimado com o futuro do Brasil, há
esperança de que esse dia virá. É a nossa única
chance para um crescimento duradouro e sustentável.
Stephen Kanitz é formado pela
Harvard Business School
(www.kanitz.com.br)
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