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Diogo
Mainardi Os bandidos e a CPMF
"Eu
já disse que os petistas se acostumaram a lidar com grandes valores.
Eles se acostumaram também a pagar a todos os seus
fornecedores por fora, como ficou amplamente demonstrado durante a crise
de 2005" Aconteceu alguns
dias antes do Natal. Bandidos armados e encapuzados invadiram a chácara
de Luiz Gushiken em Indaiatuba e roubaram 10.000 reais em dinheiro, além
de computadores, jóias e, de acordo com a polícia, uma quantia não
especificada em dólares. Eu
me pergunto: quanto pode ser uma quantia não especificada em dólares.
315? 3 150? 31 500? Quanto? Nos últimos anos, os petistas se acostumaram
a lidar com grandes valores. 315.000 dólares?
Eu me pergunto também o que há para comprar com dólares em
Indaiatuba? O Mercadinho dos Sapatos negocia em dólares? A Sorveteria San
Remo negocia em dólares? A Loja Picapau negocia em dólares?
Luiz Gushiken deve ser dos meus. Deve fazer tudo para sonegar a CPMF. Só
isso justificaria aqueles 10.000 reais em dinheiro. Luiz Gushiken é um
desobediente fiscal. Eu já disse que os petistas se acostumaram a lidar
com grandes valores. Eles se acostumaram também a pagar a todos os seus
fornecedores por fora, como ficou amplamente demonstrado durante a crise de 2005.
Se eu pudesse, faria como Luiz Gushiken
e guardaria todo o meu salário em casa, em moeda sonante, subtraindo do
governo o imposto que ele embolsa sempre que tenho de movimentar minha conta bancária.
Só que eu não posso fazer isso. Porque aqui há uma enorme
quantidade de bandidos armados e encapuzados, que invadem nossas casas e levam
tudo embora, tanto os reais quanto as quantias não especificadas em dólares,
como aconteceu com o heróico desobediente fiscal Luiz Gushiken.
De certa maneira, os bandidos armados e encapuzados trabalham para o governo.
Eles asseguram que nenhum de nós jamais poderá escapar da CPMF e
de outros impostos. Os bandidos armados e encapuzados agem como fiscais da Receita
informais. Uma mente um pouco mais perturbada do que a minha poderia até
desconfiar que o governo descuida deliberadamente da segurança pública
porque ela representa uma importante garantia de arrecadação fiscal.
O governo federal acaba de divulgar
que sua arrecadação de impostos subiu 4,45% em 2006. Atingiu o maior
nível de sua história. Assim como já havia atingido o maior
nível de sua história em 2005.
Parte do dinheiro arrecadado será restituída a partir deste ano.
É o que prevê o PAC, o plano de aceleração da economia
do Lula. O dinheiro não será restituído a mim. Não.
Continuarei pagando igual. Talvez até mais, porque assim eu paro de ser
besta. O dinheiro será repassado a alguns setores da economia escolhidos
a dedo por Lula, sob a forma de benefícios fiscais. É o que se chama
de política industrial. Em vez de tomar dinheiro de um e distribuir a todos,
Lula toma de todos e distribui a um.
Eu já subsidiei usineiros pernambucanos, industriais amazonenses e cineastas
gaúchos. Agora decidiram que eu tenho de subsidiar a indústria calçadista,
as tecelagens e os fabricantes de TV digital, como se isso bastasse para competir
com a China. Por falar em China, quanto
ele tinha em Indaiatuba? 3 150 000 dólares? 
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