DISCOS
WEA
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| Led
Zeppelin: estréia em trilha sonora |
Almost
Famous, vários intérpretes
(Universal) Com estréia prevista para março
no Brasil, o filme Almost Famous
(Quase Famosos) tem causado sensação ao retratar
os bastidores do rock nos anos 70. Responsável por roteiro
e direção, o cineasta Cameron Crowe, ex-repórter
da revista musical Rolling Stone,
cuidou pessoalmente da trilha sonora. Montou uma seleção
saborosa e eclética, bem ao estilo de uma época
em que as tribos roqueiras não se dividiam de maneira tão
marcada quanto hoje. Nela é possível encontrar cantores
românticos, como Cat Stevens (The
Wind) e Elton John (Tiny
Dancer), ao lado de bandas de rock
puro, como The Who (Sparks)
e Allman Brothers (One Way Out).
Mas a jóia da coroa é
That's the Way,
do Led Zeppelin, grupo que nunca havia cedido canções
a uma trilha sonora.
Mama's
Gun, Erykah Badu (Universal)
Em 1997, com o CD Baduizm,
essa cantora texana deu um toque de classe ao hip hop, acrescentando-lhe
elementos da música negra "tradicional" dos Estados Unidos.
A garotada aprovou sua mistura de batidas eletrônicas, rhythm'n'blues
e jazz e Erykah foi alçada à fama. Passados
três anos, ela mostra que ainda tem muito que dizer com
Mama's Gun.
A interpretação classuda, que com um pouco de exagero
lhe rendeu comparações até com a diva Billie
Holiday, se faz presente em faixas como Booty,
Kiss Me on My Neck e
Bag Lady,
uma canção que faz o ouvinte se imaginar num cabaré
enfumaçado dos anos 40. Mas Erykah também é
capaz de outros vôos, como no funk Hey
Sugah e no reggae In
Love with You, que conta com os
vocais de Stephen Marley, outro dos incontáveis filhos
do cantor Bob Marley.
LIVROS
Divulgação
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| Mario
Puzo: a máfia nos dias de hoje |
Omertà,
de Mario Puzo (tradução de Sylvio Gonçalves;
Record; 363 páginas; 30 reais) Mario Puzo inventou
um subgênero: o romance sobre a máfia ítalo-americana.
Autor de O Poderoso Chefão,
ele compôs personagens memoráveis, ao explorar o
peculiar código de honra da Cosa Nostra. Concluído
pouco antes de sua morte, em 1999, Omertà
mostra as famílias mafiosas sob um novo prisma. Aposentados
depois das perseguições do FBI, os chefões
que sobraram se ocupam agora de negócios legais e estão
plenamente integrados à sociedade americana. Mas nem por
isso eles se transformaram em sujeitos inofensivos ou deixaram
para trás a sede de vingança. É isso o que
busca Astorre Viola, filho de um "capo" assassinado, nesse thriller
de primeira.
A
Esperança, de André
Malraux (tradução de Eliana Aguiar; Record; 473
páginas; 46 reais) Escrito em 1937, A Esperança,
do ponto de vista temático, está para a literatura
assim como Guernica
para a pintura. Uma das telas mais impactantes do pintor Pablo
Picasso, Guernica
foi inspirada em um episódio da Guerra Civil Espanhola,
o bombardeio genocida da cidade de mesmo nome pela aviação
nazista. O mesmo se dá com esse livro. Na época
membro do Partido Comunista Francês, Malraux, que mais tarde
denunciaria o stalinismo, participou como voluntário na
luta contra o fascismo na Espanha. Logo depois, compôs um
retrato do conflito que presenciara, cuja tônica é
a condenação moral da guerra.
VÍDEO
Divulgação
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| O
Ladrão: a Rússia de ontem |
O Ladrão (Vor,
Rússia/França, 1997. Europa) Na Rússia
dos anos 50, uma mãe solteira conhece num trem um oficial
do Exército soviético. Rapidamente, ele a conquista
e assume o posto de chefe da família. Tudo bom demais para
ser verdade. Apesar da aparência sedutora, Tolyan esconde
alguns segredos sujos mais ou menos como o regime comandado
à época pelo ditador Stalin. Bela como drama e rica
como analogia política, a fita dirigida por Pavel Chukhraj
foi indicada ao Oscar de filme estrangeiro em 1998 (e, assim como
O que É Isso Companheiro?,
derrotada pelo holandês Caráter).
Curiosidade: Pavel é filho de Grigori Chukhraj, diretor
do clássico Balada do Soldado,
de 1959, que também gira em torno de um rapaz e de uma
moça que se conhecem a bordo de um trem.
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OS
MAIS VENDIDOS
CRÍTICA
Navegar
é preciso, ler não é preciso. Essa
é a conclusão a que se chega depois de atravessar
as páginas de Família
Schürmann Um Mundo de Aventuras (Record;
331 páginas; 30 reais), que ocupa nesta semana o
sexto lugar na lista de mais vendidos de VEJA, na categoria
não-ficção. O livro narra as peripécias
do clã de velejadores catarinenses entre novembro
de 1997 e abril de 2000. Nesse período, eles percorreram
a rota traçada pelo descobridor português Fernão
de Magalhães, no século XVI, pelos oceanos
Atlântico, Pacífico e Índico. Visitaram
locais deslumbrantes e passaram por episódios tensos,
como um quase ataque de piratas no Mar das Filipinas ou
dificílimos mergulhos nas cavernas inóspitas
da Micronésia. Infelizmente, porém, o relato,
escrito por Heloisa Schürmann, a matriarca e cronista
oficial da família, falha em transportar o leitor
a essas paragens distantes. E, o que é pior, faz
com que ele sinta falta de um remedinho contra enjôo.
Oscar Cabral
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| A
família Schürmann: atmosfera de comercial de margarina |
O sal de fruta é necessário por causa das
descrições cheias de "encantos" e envoltas
numa atmosfera de comercial de margarina que dá nos
nervos. A certa altura, Heloisa Schürmann consegue
ir além de outro célebre escritor-navegante
brasileiro, Amyr Klink, que descreveu com entusiasmo inaudito
sua relação de afeto com um leão-marinho
na Antártica. "Ficamos todos muito emocionados, vendo
um animal tão grande ser tão delicado com
outro bicho que não era de sua própria espécie.
Quem disse que a África é selvagem?", escreveu
Heloisa, depois de observar o chamego entre um rinoceronte
e um elefante. As ambições literárias,
por assim dizer, da autora atravancam o ritmo de seu relato
e impedem que ele atinja velocidade de cruzeiro. É
quase impossível resistir à tentação
de abandonar o barco.
Flávio
Moura
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