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Nem Einstein

Cientistas freiam e liberam
a luz em laboratório

Albert Einstein construiu a catedral de sua teoria da relatividade, que virou o universo pelo avesso, sobre uma única constante sólida e imutável: a velocidade da luz. Na física de Einstein tudo é relativo, menos a luz. Ela se propaga a 300.000 quilômetros por segundo e coisa nenhuma pode viajar mais velozmente do que um feixe luminoso. Ponto. Final? Sim. Mas nem mesmo o cérebro poderosamente abstrato de Einstein contemplou a hipótese inversa: parar artificialmente um feixe de luz em laboratório, estocá-lo por um átimo e depois deixá-lo seguir viagem, como se o cientista fosse um inspetor de ferrovia e a luz, um comboio. Pois na semana passada cientistas dinamarqueses e americanos descobriram exatamente isso: um jeito de parar um raio de luz. É um feito notável. As implicações práticas são imensas num momento em que sistemas de comunicação e até os chips de computador começam a ser construídos para trabalhar em circuitos ópticos, e não mais eletrônicos.

Para parar a luz, os cientistas usaram uma nuvem de átomos congelados e um feixe de raio laser. Pesquisadores da Universidade Harvard conseguiram resultados idênticos com elementos químicos diferentes. Os cientistas utilizaram uma nuvem opaca de átomos que a luz não podia penetrar. Com um feixe auxiliar de laser eles aumentaram e controlaram a transparência da nuvem. Ela tornou-se, assim, uma armadilha para a luz. Quando a luz viajou entre os átomos, o feixe de laser foi desligado pelos pesquisadores. Automaticamente, o efeito de transparência cessou e a luz foi aprisionada. Para liberá-la, foi só religar o laser. Todo o processo durou apenas um milionésimo de segundo. Parece pouco. Mas no tempo em que ficou retido o raio poderia ter percorrido 300 metros.

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