A montanha
treme
O
Monte Fuji, principal cartão-postal do
Japão, dá sinais de que pode acordar
Pedro Martinelli
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| O
Fuji: número de pequenos tremores em sua base aumentou |
Na
semana passada, os geólogos que acompanham a atividade vulcânica
no interior do Monte Fuji, o principal cartão-postal do Japão,
avisaram as autoridades do país de que talvez ele esteja
para acordar. Desde o final do ano passado, os pequenos sismos que
normalmente ocorrem na base da montanha multiplicaram-se. Foram
133 em outubro, 222 em novembro e 143 em dezembro. Antes, a média
era de um a dois abalos por mês. O aumento na freqüência
de tremores é um dos três sinais de que um vulcão
pode entrar em erupção. Os outros dois, ainda não
verificados no monte japonês, são o aquecimento de
suas encostas e as mudanças na conformação
da cratera. A História registra que o Fuji explode a intervalos
de 300 a 500 anos. A última vez que isso aconteceu foi em
1707. Uma grande erupção causaria uma catástrofe.
Próximo ao vulcão moram 110.000
pessoas e apenas 90 quilômetros o separam das franjas da Grande
Tóquio, que reúne 27 milhões de habitantes,
praticamente um quarto da população japonesa. Ainda
que as aldeias ao redor da montanha fossem evacuadas a tempo, seria
impossível evitar que os gases tóxicos liberados pela
explosão do Fuji alcançassem a capital do país.
Embora
não dê para estabelecer com precisão em que
momento haverá uma erupção, é bom não
subestimar os alarmes dos geólogos. Em 1980, muitas das pessoas
que residiam nas proximidades do Monte Santa Helena, conhecido nos
Estados Unidos como o "Fuji da América", não deram
ouvido aos avisos da equipe que monitorava o vulcão. A explosão
do Santa Helena deixou um saldo de 57 mortos. Exemplo inverso é
o da ilha caribenha de Montserrat. Em 1995, seus 15.000
habitantes passaram a viver em alerta constante ao saber que o Vulcão
Soufrière entraria em atividade. Dois anos depois, quando
ele finalmente explodiu, não havia ninguém por perto.
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