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A garota que voa

A patinação radical tem uma rainha.
Ela se chama Fabíola e nasceu em
São Paulo

Cristina Poles


Ricardo Benichio
Fabbi, à paisana e vestida para vencer: das ruas do Imirim para os campeonatos na Califórnia


A patinação radical é um esporte que conta com apenas 225 atletas profissionais em todo o mundo. Desses, vinte são mulheres que competem de igual para igual com os homens. Entre elas, a rainha é Fabíola de Oliveira Simões da Silva, uma paulistana de 21 anos. Em cinco anos de carreira, Fabbi, como é conhecida no circuito, já acumulou 28 vitórias nos principais campeonatos dos Estados Unidos e da Europa. Especialista na modalidade vertical, disputada com patins in-line em pistas em forma de U, é a única mulher capaz de dar o "flat spin", uma arriscadíssima pirueta no ar. O sucesso da brasileira é tanto que, em dezembro passado, uma fábrica de brinquedos canadense lançou uma boneca que leva seu nome. Com o licenciamento, ela deverá aumentar seus rendimentos, hoje na faixa dos 70.000 dólares por ano. Jeito de adolescente, um piercing no nariz, um no umbigo, outro na orelha e um quarto na língua, Fabbi coleciona, além de arranhões e manchas roxas nas pernas, admiradores
que apreciam tanto a sua ousadia nas rampas como as curvas do seu corpinho. Curvas essas invariavelmente emolduradas por calças jeans um número maior do que o seu, camisetas justas e cuecas samba-canção, das quais se pode vislumbrar um bom pedaço (ela prefere a de coraçõezinhos estampados). "Para patinar, cueca é mais confortável", explica a fera.

Fabbi adquiriu o estilo agressivo de patinar no Imirim, bairro de classe média baixa de São Paulo. Ela ganhou o primeiro par de patins aos 10 anos. Começou imitando os meninos que faziam manobras radicais em uma pista de skate perto de sua casa. Não demorou a inverter o jogo: os companheiros é que passaram a imitá-la. Depois que o pé cresceu, sem dinheiro para patins novos, Fabbi trocou as botas do seu par velho por tênis aparafusados na base de rodinhas. Só aos 16 anos conseguiu comprar um equipamento do tipo in-line. Em 1996, durante uma visita ao Brasil, Chris Edward, criador do estilo radical de patinação nos Estados Unidos, ficou embasbacado ao ver Fabbi patinar. Seis meses depois, ela viu-se convidada a competir no Extreme Games, a olimpíada americana dos esportes radicais, patrocinada pelo canal de televisão ESPN. A brasileira foi, viu e venceu.

As conquistas foram se sucedendo até que, em 1999, quando terminou o colegial, ocorreu o inevitável: ela mudou-se para a Califórnia, meca da patinação radical. Hoje, Fabbi mora sozinha em um apartamento de dois quartos na cidade de Santa Ana, nas proximidades de Los Angeles. Depois de três anos de namoro com o americano John Julio, um dos melhores patinadores do mundo, Fabbi está sozinha. Mas "feliz da vida" (aliás, o leitor já reparou que todo mundo quando rompe um namoro diz-se "feliz da vida"?). No último Extreme Games, ela venceu pela primeira vez a modalidade "street", disputada em circuitos de rua. Com os prêmios e patrocínios acumulados até o momento, deu de presente aos pais, um ex-dono de bar e uma ex-contadora, uma casa na Praia Grande, balneário popular do litoral paulista.

 

A 10 dólares


Para aproveitar a popularidade da patinadora brasileira na Califórnia, uma fábrica de brinquedos lançou em dezembro passado a bonequinha "Fabiola". Custa 10 dólares. A previsão é que 50 000 unidades sejam vendidas no prazo de um ano.

 

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