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Nos últimos anos, as empresas passaram a encarar a contratação de jovens recém-formados como uma questão estratégica da maior importância. Isso transformou alguns processos de recrutamento em funis muito mais estreitos que o dos vestibulares mais concorridos. Na semana passada, a montadora Ford deu início ao programa de trainee que teve a seleção com o maior número de inscritos da história. Foram 22.087 para pleitear trinta vagas. Cada selecionado deixou para trás 735 pessoas. A briga foi dez vezes mais dura que a registrada no vestibular mais disputado do país, o de publicidade na Universidade de São Paulo. O candidato da Ford precisava ter no máximo 27 anos, dominar o inglês, ter curso superior e demonstrar habilidade em informática. Como boa parte dos candidatos atendia a esses pré-requisitos, os funcionários de recrutamento da montadora foram obrigados a avaliar outras qualidades para chegar à seleção final. Nessa segunda fase da peneira, contaram pontos a capacidade de comunicação, iniciativa e até mesmo a auto-estima do candidato, atributos que estão sendo bastante valorizados no mercado profissional.
Não é à toa, portanto, que a Ford e todas as grandes companhias investem no processo de seleção de novatos. Um processo de recrutamento mal executado pode deixar escapar pelas mãos da empresa um talento que venha a ser contratado pela concorrência. É como se, no futebol, o departamento responsável pelo time juvenil do Palmeiras não prestasse atenção no surgimento de um craque do padrão de Ronaldinho e, por uma bobeada, ele acabasse se tornando a maior atração (e fonte de lucros) do arqui-rival Corinthians. Se não bastasse, ao escolher os trainees errados a empresa vai perder produtividade e enfrentar problemas sérios no futuro, quando descobrir que eles nunca terão capacidade para ocupar um cargo de diretoria. Todos os selecionados pela Ford vão passar por estágios nas mais diversas áreas da companhia. No fim do mês, embolsarão um salário de 2.400 reais. A expectativa da montadora é que a maioria deles faça carreira na própria empresa e alcance, a longo prazo, cargo executivo. Quem sabe algum repita o exemplo dos atuais presidentes da Nestlé, Ricardo Gonçalves, e da Gessy Lever, Vinicius Prianti, que começaram a carreira como trainees nessas empresas e chegaram ao topo da hierarquia. "Queremos que os recém-contratados continuem na Ford por muito tempo e ajudem a pensar a empresa no futuro", afirma Antônio Maciel Neto, presidente da montadora.
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