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A família cresce

Esqueleto de 3,4 milhões de anos é
mais uma peça do quebra-cabeça
da evolução humana

A árvore genealógica dos ancestrais humanos ganhou um novo galho na semana passada. Paleontólogos da Universidade Estadual do Arizona encontraram na Etiópia o esqueleto fossilizado de uma criança que morreu há 3,4 milhões de anos. A ossada petrificada pode ajudar a entender melhor como foi o processo de evolução dos primeiros ancestrais mais primitivos do homem. Os ossos foram localizados na região de Afar, um dos mais ricos sítios paleontológicos da África. Foi lá que o pesquisador Donald Johanson descobriu há 26 anos o esqueleto batizado de Lucy, o mais famoso exemplar da espécie Australopithecus afarensis, datado de 3,2 milhões de anos. Os especialistas acreditam que o novo esqueleto pertença a um ser da mesma espécie. Os A. afarensis viveram no nordeste africano entre 3,9 e 3 milhões de anos e foram uma das espécies mais duradouras e bem-sucedidas entre os hominídeos extintos. "O esqueleto pode preencher uma lacuna que há entre Lucy e os indivíduos que viveram na Tanzânia 700.000 anos antes e explicar as diferenças que existem entre esses dois grupos", diz o pesquisador etíope Zeresenay Alemseged, coordenador das escavações. Alguns estudiosos acham que Lucy e seus ancestrais da Tanzânia são tão diferentes que podem pertencer a espécies distintas.

Os Australopithecus foram os primeiros primatas a andar em postura ereta e deram origem ao Homo habilis, de cérebro maior e capacidade para produzir as primeiras ferramentas. Pelo menos quatro espécies diferentes conviveram simultaneamente na África há cerca de 3 milhões de anos. Eram populações minúsculas, de poucas centenas de indivíduos que vagavam entre o sul e o nordeste do continente. Não há consenso sobre qual delas exatamente se transformou no homem moderno. Essa é uma das grandes polêmicas entre os paleontólogos que estudam a evolução humana. Os grupos que pesquisam as espécies meridionais, como o do paleontólogo Ronald Clarke, defendem que foram os A. africanus, originários da África do Sul, que se transformaram no gênero Homo. Johanson advoga em favor dos A. afarensis.


 

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