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Home  »  Revistas  »  Edição 2144 / 23 de dezembro de 2009


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Conversa com Zeca Gavião

"Não gosto de técnico escandaloso"

O índio Pepkrakte Jakukrekaperi, mais conhecido como Zeca Gavião, é presidente e técnico do primeiro time indígena profissional do Brasil, o Gavião Kyikatejê Futebol Clube. Neste ano, a equipe disputou a segunda divisão do campeonato do Pará e ficou com o sexto lugar no torneio


Leonardo Coutinho

Tarso Sarraf

Zeca Gavião
Fã de Andrade, do Flamengo

O que significa o nome do time?
Kyikatejê é "povo do rio acima". É assim que minha etnia se autodenomina. E Gavião foi o nome que os homens brancos colocaram na tribo, por causa das penas que usamos no cocar.

Onde vocês treinam?
Na aldeia. Temos um campo de tamanho oficial. A gente jogou umas sementes de grama, mas não nasceu nada. O chão é muito duro. Agora que começou a chover, é capaz de ela brotar.

Como é o treinamento?
Antes, eu usava métodos indígenas: colocava o pessoal para correr carregando uma tora de 50 quilos nas costas. Depois, mandava todo mundo fazer natação no igarapé. Agora, contratamos um preparador físico que não é índio.

Alguém já tentou comprar seus jogadores?
O Clube do Remo queria comprar o Arukapé, mas eu não liberei, porque ele é o nosso melhor atacante.

Todos os jogadores são índios?
Todos. Os locutores nunca acertam os nomes. Os que eles mais erram são o do Pryjo e do Kaprektyre.

O senhor se identifica com algum treinador?
Com o Andrade, do Flamengo, que é calmo e humilde. Não gosto de técnico escandaloso, que berra na beira do campo.

 

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