Edição 1932 . 23 de novembro de 2005

Índice
Claudio de Moura Castro
Millôr
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
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Entrevista
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DVD

 

Fotos divulgação
O menino e seu guepardo, protagonistas de Duma: uma aventura impecável

Duma (Estados Unidos, 2005. Warner) – O guepardo Duma tem o temperamento de um gatinho. Mas já pesa quase 100 quilos e precisa, portanto, ser devolvido à natureza. Como seu pai morreu antes de poder ajudá-lo nessa tarefa, o garoto Xan (Alex Michaeletos) decide empreender sozinho a viagem, que o levará de sua fazenda sul-africana ao Deserto de Kalahari e à savana. O diretor americano Carroll Ballard é um especialista no tema, como atesta seu currículo, composto de O Corcel Negro, Voando para Casa e Os Lobos Nunca Choram, entre outros. Em sua adaptação de How It Was with Dooms, o relato semiverídico de Carol e Xan Hopcraft – além de mãe e filho, a certa altura os felizes donos de um guepardo domesticado –, o diretor entrega mais um pequeno clássico infanto-juvenil, muito bem dosado entre a aventura e o sentimento. Veja cenas.

 

CINEMA

O Fim e o Princípio: relatos da velhice

O Fim e o Princípio (Brasil, 2005. Desde sexta-feira em cartaz em São Paulo e no Rio de Janeiro) – O diretor Eduardo Coutinho, dos documentários Cabra Marcado para Morrer e Edifício Master, amplia aqui sua experiência. Acompanhado de sua equipe, mas sem planos e sem roteiro, ele passou um mês na pequena Araçás, no sertão da Paraíba, recolhendo histórias de quem as quisesse contar. O que de início parece um tiro no escuro logo ganha contornos definidos. "Velho gosta de prosa", diz uma das entrevistadas de Coutinho, e na maioria serão os idosos de Araçás que irão conversar com ele, relatando, quase sem querer, seus erros e acertos do passado e também sua visão de uma morte que certamente está próxima. Mais uma vez, o diretor confirma que, para um bom documentarista, qualquer garimpo pode render ouro.

 

MÚSICA

Elizete Sobe o Morro, Elizeth Cardoso (EMI) – Há anos fora de catálogo, esse disco lançado originalmente em 1965 representou uma guinada na carreira de Elizeth Cardoso (1920-1990). Naquela época, a cantora dava preferência aos sambas-canções e às composições de artistas como Tom Jobim. Em Elizete Sobe o Morro, ela privilegiou sambistas cujo repertório era praticamente inédito. É o caso de Cartola, Zé Kéti e da dupla Elton Medeiros e Paulinho da Viola (que tocam no álbum). Porém, o destaque é Nelson Cavaquinho (1911-1986). Elizeth gravou três canções suas, sendo que A Flor e o Espinho – que Cavaquinho fez em parceria com Guilherme de Brito – é considerada uma das interpretações definitivas da carreira da cantora.

 
O guitarrista Buddy Guy: o blues do divórcio  

Bring 'Em in, Buddy Guy (Sony/BMG) – O cantor e guitarrista de Chicago alterna belos discos com produções feitas no piloto automático. Bring 'Em in pertence ao primeiro grupo. Buddy Guy recrutou o produtor e baterista Steve Jordan, que tem no currículo trabalhos com Keith Richards e Aretha Franklin. Couberam a ele a escolha de um repertório mais voltado para o rythm'n'blues e a seleção dos convidados especiais. Entre os destaques estão o ídolo pop John Mayer em I've Got Dreams to Remember e Santana – que dá o toque latino a I Put a Spell on You. Mas as faixas que mais sobressaem são Now You're Gone e Somebody's Sleeping in My Bed. Guy as dedicou à mulher, que neste ano deu entrada na Justiça americana com um pedido de divórcio.

 

Diana Krall: como pôr pimenta em Jingle Bells  

Christmas Songs, Diana Krall (Universal) – No mercado americano de discos, é hábito os artistas pop lançarem álbuns dedicados às músicas de Natal – que não raro acabam se tornando itens de colecionador. Agora é a vez de a cantora e pianista canadense Diana Krall trilhar o caminho de astros como Frank Sinatra e Mariah Carey. Com sua voz rouca e interpretação peculiar, Diana consegue a proeza de tornar Jingle Bells uma canção sensual. As faixas do CD também reafirmam o talento de Diana como pesquisadora musical: uma das músicas mais bem-acabadas aqui é Count Your Blessings Instead of Sheep, raridade do compositor Irving Berlin (1888-1989).

 

LIVROS

71 Contos, de Primo Levi (tradução de Maurício Santana Dias; Companhia das Letras; 528 páginas; 41 reais) – Sobrevivente de Auschwitz, o mais terrível dos campos de concentração nazistas, o químico italiano Primo Levi (1919-1987) deixou um dos mais eloqüentes testemunhos do que foi o horror do holocausto em obras autobiográficas como É Isto um Homem? e A Trégua. Os três livros de contos reunidos nesse volume – Histórias Naturais, que o autor publicou com o pseudônimo de Damiano Malabaila, Vício de Forma e Lilith – revelam que o talento de Levi não se resumia ao memorialismo. Alguns contos voltam ao tema central de sua obra, o holocausto. Mas também há histórias fantásticas e até de ficção científica. Leia trecho.

A Bruxa de Kepler, de James A. Connor (tradução de Talita M. Rodrigues; Rocco; 378 páginas; 53 reais) – O alemão Johannes Kepler (1571-1630) entrou para a história da ciência principalmente por ter introduzido um aperfeiçoamento crucial no modelo de sistema solar proposto por Nicolau Copérnico quase um século antes: Kepler descobriu que a órbita dos planetas segue uma trajetória elíptica, e não circular. Nessa biografia, o americano James Connor – um ex-jesuíta com formação em filosofia, ciência e literatura – investigou a difícil posição de Kepler diante dos conflitos religiosos que dividiam o século XVII. O mais curioso é a reconstituição do julgamento de Katharina, mãe do cientista, que foi acusada de praticar bruxaria. Leia trecho.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Siciliano, Nobel, Fnac; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano, Travessa, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Siciliano, Cultura; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano, Cultura; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano, Livrarias Catarinense; Goiânia: Siciliano, Saraiva, Leitura; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Vitória: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Saraiva, Sodiler, Nobel, Fnac, Siciliano, Submarino.
 
 
 
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