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Tales
Alvarenga
A ursa e o equilibrista
"A substituição ou não
de Palocci tornou-se
irrelevante a essa altura. O problema passa
a ser Lula. Cercado por sua gigantesca
Operação Tabajara"
O escritor Gore Vidal criou uma
piada sobre Ronald Reagan que se adapta a Lula. Vidal disse que
a biblioteca de Reagan pegou fogo e nada se salvou. Os dois livros
ficaram carbonizados. O que mais entristeceu Reagan foi que ele
ainda não tinha colorido as figuras. Ronald Reagan era tido
como carismático mas mentalmente inepto (coisa que não
era). Lula é tido como carismático e mentalmente inepto
(coisa que é).
O governo Lula foi um grande
blefe, menos num ponto. Antonio Palocci, o ministro da Fazenda,
deu a Lula uma economia estável. Seus índices são
melhores que os do governo FHC para inflação, contas
externas, dívida pública e risco Brasil.
Esse era o trunfo de Lula para
se reeleger em 2006. Com a descoberta da quadrilha petista pilhando
o Erário, a carta da estabilidade econômica deixou
de ser suficiente. Era preciso produzir outras mágicas. Foi
então que a ministra Dilma Rousseff, tal como uma ursa de
circo, entrou em cena plantando bananeira, girando bambolês
na perna e andando de patinete para o presidente ver.
Chefe da Casa Civil, Dilma começou
seu número dando uma patada no colega Antonio Palocci, abaixo
da cintura. Declarou que a política de Palocci era uma tolice
"rudimentar". Propôs, no lugar disso, redução
de juros e aumento dos gastos públicos. Nesse momento, o
vice-presidente José Alencar, ele também um urso,
encontrou sua alma gêmea. E o presidente Lula descobriu seu
canto de sereia eleitoral. Sim, sim, claro. Menos juros, mais gastança
e crescimento ao ritmo de Juscelino! Todo político fica assanhado
quando alguém, com o peso de Dilma, acena com a fórmula
da gastança em ano eleitoral.
Nesse momento, foi selado o destino
do equilibrista Palocci. Vai virar homem-bala e ser expelido do
circo pelo canhão, através de um buraco na lona de
cobertura. Em primeiro lugar, por sua "ribeirão-pretagem".
Não vai dar para contornar essa questão diante da
opinião pública. O grande enigma é saber que
destino Lula dará ao único ponto forte do seu governo,
a política de Palocci.
Ninguém pediria a Lula
que saísse por aí defendendo a honestidade de Palocci
pessoa física, depois das denúncias de que ele estava
metido num mensalão como prefeito de Ribeirão Preto,
para engordar o caixa dois do PT. O que se esperaria do presidente
é que defendesse a política econômica seguida
por seu ministro, mostrando que a avaliza cabalmente e sem hesitação.
Resta alertar para o fato de
que uma queda significativa dos juros aliada a mais gastos do governo
são coisas que colidem e se explodem mutuamente. Quanto mais
gastar esse governo, que já é esbanjador e deficitário,
mais altos terão de ser os juros para evitar a desconfiança
do mercado e a explosão inflacionária. Seria reconfortante
imaginar que Lula está vacilando entre caminhos econômicos
diversos. Mas Dilma não teria sido tão agressiva em
relação a Palocci sem o sinal verde do presidente.
Se isso for verdade, a substituição ou não
de Palocci torna-se irrelevante. O problema passa a ser Lula. Cercado
por sua gigantesca Operação Tabajara.
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