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Millor
ENTRE-VISTAS
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| A maior joalheria de Lyon homenageia nosso
patrocinador. Lyon, como todos sabem, quase desapareceu num
incêndio no ano LXIII. Nero – aquele mesmo – ajudou a reconstruí-la.
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Mesmo não dando entrevistas,
fugindo delas o mais que posso, ainda assim, tudo somado, tempo
passando, tempo passado, a gente acaba falando muito, respondendo
a não sabe o quê, sem saber por quê. Vou reproduzir
aqui, uma vez ou outra, entre-vistas (parte delas que caibam
neste espaço) a que cedi, que permiti. Com um acréscimo,
que será um decréscimo quando respondo vocês
não terão as perguntas, e não terão
as perguntas quando me respondem. Se é que me faço
entender. A última coisa que eu gostaria que acontecesse.
Vamo lá:
1 Não. Nada que
faço tem significado especial, ou algum outro. As circunstâncias
traçam os acontecimentos e eu as sigo. Claro, faço
parte das circunstâncias que alguém vai seguir.
2 A corrupção
não é novidade e existirá enquanto existir
o ser humano; o homem é um animal inviável. Graças
a Deus. Senão o mundo seria de uma monotonia insuportável.
3 Não senti nem
sinto falta especial de nada. Sou um contemplativo em ação,
se é que isso existe. E às vezes sou o contrário.
Isso existe.
4 Não sinto grande
diferença entre o trabalho atual e o de outros tempos. Como
a liberdade é sempre relativa, furar o bloqueio das imposições
ou pressões também é relativo. No tempo dos
milicos havia a ameaça de prisão e tortura. Hoje procuram
intimidar jornalistas com ameaças jurídicas fascistóides
(vide o caso, já sepultado, RenóPetrobrás x
Paulo FrancisImprensa, o de Lula, expulsando jornalista americano
e dizendo "eu tenho que dar um exemplo", e Aldo Rebelo, o filólogo,
me cobrando na Justiça R$ 30 200,00 porque eu demonstrei
que ele não sabia o que era idioleto) que os impeçam
de escrever claramente o que estão pensando. A não
ser que tenham "provas definitivas". Ora, jornalista não
é jurista nem tribunal. Se for pesquisar até o fim
aquilo sobre que se propõe escrever, jamais escreverá
coisa alguma. O jornalista deve ser julgado por sua "probidade",
pela constante do seu comportamento profissional (Lula, ao fundo:
"Serão todos condenados. São todos covardes".).
5 Sempre disse e aqui
repito: "Eu também não sou um homem livre. Mas muito
poucos estiveram tão perto".
6 Creio que artigos assinados
quer dizer, personalizados quebram, de uma forma ou
de outra, a monotonia dos textos pasteurizados do conjunto da publicação.
O leitor gosta de reconhecer caras, de discutir personalidades.
E que não gostasse!
7 O que espero dos leitores
é que cumpram a sua função, como eu cumpro
a minha. Eu, jornalista, escrevo. Leitores lêem.
8 Minha visão de
Santa Catarina é antiga e idílica montes, vergéis
floridos, paz e amor, no meio de muita luta, até a proclamação
de uma República (a Juliana) que durou só meses. Tá
certo? Tem um Floriano lá atrás ("À bala!")
e um Garibaldi sempre a todo o galope. Anita tenta acompanhá-lo
com os cabelos brilhando ao vento. Se não é assim
a culpa não é minha. Aprendi assim em criança.
Não é agora que vou mudar essa visão romântica.
9 Não posso falar
dos seres humanos que mais admirei na vida porque são nomes
sem nome, caras que nunca freqüentaram a luz da ribalta. Gente
que viveu a vida como deve ser vivida de maneira puramente
existencial. Quanto aos que merecem ser esquecidos, ah, desses,
coerentemente, eu não me lembro.
10 Bem, não quer
dizer que eu também não seja neurótico. Por
exemplo, sou tarado por gozação, por negar
não negar por negar, mas apenas porque tudo o que se conta
ou se fala, principalmente de história (mas poderia dizer
de tudo), é invenção, má visão,
má audição ou pura e simplesmente mentira.
Mentira simplória, às vezes, que é a dos poetas
e literatos em geral. E mentira, por exemplo, dos antropólogos
e afins que, ao faltar abonamento, saem pelaí com
uma tese embaixo do braço, até encaixá-la em
algum vão geográfico do que pretendem provar. Vide
Margaret Mead.
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