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Canção
do exílio
O gaúcho Noll dá abrigo, ainda que
precário, aos
seus desajustados
Jerônimo
Teixeira
Foto de arquivo
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| Noll:
"inglês de ginasiano" |
Os
personagens de João Gilberto Noll costumavam ser tipos desajustados
que vagavam a esmo por paisagens desoladas. Em Berkeley em Bellagio
(Objetiva; 103 páginas; 19,90 reais), novo romance do escritor
gaúcho, o protagonista ainda é o velho outsider,
e as paisagens estão cada vez mais tristes. Desta vez, porém,
o autor concedeu ao personagem e ao leitor um fio de esperança.
Nos últimos anos, Noll esteve na Universidade da Califórnia,
em Berkeley, ensinando literatura brasileira, e passou uma temporada em
Bellagio, na Itália, a convite da Fundação Rockefeller.
João, o protagonista fictício, percorre os mesmos locais.
Em sua maior parte, o livro é uma visita ao inferno do isolamento
cultural e lingüístico o alter ego de Noll fala apenas
um "inglês de ginasiano retardado". João aparece em toda
a sua miséria, mas ainda assim obtém a empatia do leitor,
o que seria difícil para os tipos amorais de romances como A
Céu Aberto. Saudável sinal de inquietude criativa, essa
mudança tem seus riscos. No final do livro, o quadro de felicidade
doméstica em Porto Alegre roça no sentimentalismo. Roça,
mas não se rende: João (o autor, não o personagem)
conhece bem os delicados limites de sua esperança. Berkeley
em Bellagio sugere que o exílio é a condição
humana natural, e um lar é sempre uma conquista difícil
e precária.
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