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O devorador de estrelas

Cientistas comprovam um buraco

negro no centro da Via Láctea

Desde os anos 60, os cientistas acreditavam na existência de um buraco negro no centro da Via Láctea, a galáxia onde está o sistema solar. Na semana passada, um grupo de astrônomos finalmente conseguiu comprovar que essa hipótese, uma das mais instigantes da astronomia, corresponde à realidade. Buracos negros são ralos cósmicos que sugam as estrelas e todas as matérias encontradas nas proximidades. São campos gravitacionais tão descomunais que nada, nem a luz, consegue escapar a sua atração. Quatro anos atrás, esses astrônomos, do Instituto Max Planck, na Alemanha, já haviam reunido evidências suficientes para bancar a existência desse devorador de astros. Mas a confirmação só veio agora, com o estudo detalhado de uma estrela que orbita próximo ao buraco. Trata-se da S2, um astro sete vezes maior que o Sol, parte da constelação de Sagitário e que viaja numa velocidade espantosa para uma estrela de seu tamanho. Deslocando-se a 5.000 quilômetros por segundo, ele leva quinze anos para dar uma volta completa em torno do centro da galáxia. O Sol faz o mesmo percurso em 230 milhões de anos. A S2 está a 17 bilhões de quilômetros do buraco negro, uma distância pequena para os padrões cósmicos, mas suficiente para não ser tragada por sua potente sucção.

Ao analisarem o comportamento da S2, os cientistas puderam medir o tamanho e a massa do buraco negro. Previstos pela teoria da relatividade, de Albert Einstein, os buracos negros não podem ser vistos nem fotografados porque não refletem luminosidade. Para provarem sua existência, os astrônomos têm de se basear apenas em indícios. São pistas que a presença de um buraco negro imprime na região do universo em que está situado. Uma delas é a velocidade das estrelas na vizinhança. A observação da S2 pode ajudar os cientistas a esclarecer alguns mistérios. Um deles é como se forma um buraco negro tão grande. Acredita-se que seja o resultado do colapso de estrelas gigantes, algumas trinta vezes maiores que o Sol. É provável que o grande buraco negro no centro da Via Láctea, chamado de supermassivo, seja o resultado da união de vários buracos negros menores ou do inchaço decorrente da quantidade de gases sugados. Os cientistas querem entender por que o buraco da Via Láctea, que está a 26 000 anos-luz do Sol, é mais calmo que outros localizados em galáxias vizinhas, bem mais vorazes. "É provavelmente um buraco negro muito antigo, que já sugou muita matéria, portanto tem bastante energia estocada", diz o astrônomo Amâncio Friaça, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP. Essa calma é aparente. Um buraco negro pode ser despertado por acontecimentos cósmicos, como o choque entre duas galáxias, e voltar a sugar violentamente o plasma, os gases e as estrelas da vizinhança.

 



Ilustração André Luiz

   
 
   
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