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Edição 1 774 - 23 de outubro de 2002
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Mistérios a mais

João Paulo II acrescenta
orações ao rosário

Domingues

O terço: pelas novas regras, passa a ser rezado quatro vezes


A recitação do rosário é a forma de devoção mais popular da Igreja Católica. Trata-se de uma homenagem simbólica à Virgem Maria. De acordo com a tradição, cada ave-maria rezada durante a recitação representa uma rosa oferecida a ela – daí o nome. As orações do rosário são feitas com a ajuda do terço, o colar de contas que tem uma cruz pendurada. Cada conta marca uma oração. Contas maiores marcam os cinco mistérios – representados cada um por dez ave-marias, um pai-nosso e um glória ao pai. Cada mistério representa uma fase da vida de Jesus Cristo: o nascimento e a infância, a paixão e morte e, por fim, a ressurreição e ascensão. Em cada rosário, percorre-se o terço três vezes. É um ritual praticado há mais de 800 anos, com poucas alterações. Na semana passada, para incentivar a devoção, João Paulo II anunciou novas regras que modificam a estrutura do rosário. A reforma prevê a criação de mais cinco mistérios que se devem juntar aos quinze já existentes. Os novos mistérios contemplam a vida pública de Cristo, ou seja, a pregação e os milagres realizados.

Na prática, isso significa que em vez de três terços, o rosário passa a ter quatro. Em termos quantitativos, o fiel, que reza hoje 159 ave-marias e dezoito pai-nossos, passará a rezar 212 ave-marias e 24 pai-nossos para concluir todos os mistérios. "Quem já reza um rosário por dia certamente terá disposição para incluir um terço a mais nas orações", diz dom Marcelo Pinto Carvalheira, vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Mesmo que os católicos incluam os cinco mistérios em suas orações, dificilmente adotarão o novo nome do instrumento do terço. Já que o rosário não será mais dividido em três e sim em quatro partes, tecnicamente ele deve agora se chamar quarto.

   
 
   
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