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Direto do gargalo

As bebidas ice diversificam:
até uísque com guaraná já vem
misturado e pronto para tomar

Divulgação


Não dá para não ver: na maioria das festas mostradas pelas revistas de celebridades hoje em dia, famoso que é famoso está bebendo – no gargalo, como manda a nova etiqueta – uma das chamadas bebidas ice. Em garrafas long neck, normalmente em sabor limão, mas também laranja, abacaxi e melancia – sim, melancia –, elas são uma mistura de água gaseificada com alguma bebida alcoólica. Para apreciadores tradicionais de vodca e uísque, soa como anátema. Para quem não está nem aí com tradições, as tais ready-to-drink (prontas para beber, seu nome de guerra) são uma novidade avidamente consumida. A primeira grande marca a dar certo nesse segmento foi a Smirnoff Ice, que vendeu 30 milhões de garrafas (55% do mercado) nos últimos doze meses. Seguiu-se uma série de outras vodcas ice, posteriormente repaginadas em rum ice e absinto ice, até chegar às novidades do momento: uma caipirinha e dois uísques prontos para beber.

 
Fotos divulgação
Rum, vodca, cachaça, absinto e uísque: competindo com a cerveja, os destilados invadem o mercado do drinque engarrafado e pronto para gelar e beber

"Depois da cerveja, existia um vazio grande no mercado da garrafinha long neck. É nesse espaço que os destilados estão entrando", diz Douglas Tsukimoto, gerente responsável pela Orloff Ice. Dirigidas a jovens de 18 a 25 anos que freqüentam bares com amigos e gostam de sair para dançar, as ice miravam, inicialmente, os rapazes. Para surpresa dos fabricantes, as mulheres aderiram com entusiasmo. Com 5,5% de teor alcoólico, quase o mesmo que o da cerveja, elas "casam com o paladar da mulher. Além disso, não dão mau hálito", afirma Tsukimoto. Uma vantagem adicional, apenas sussurrada, é que as filas para o toalete ficam um pouco menores em comparação com as das baladas regadas a cerveja. O contraponto deletério: de tão suaves, acabam favorecendo excessos – ninguém pára em uma garrafinha só. Colecionador de garrafas desse tipo de bebida, Tsukimoto já contabiliza mais de quarenta na prateleira, a grande maioria nacionais. As de vodca, com aspecto meio turvo para dar a impressão de ser geladas, são as campeãs. Entrando agora nesse nicho, a Johnnie Walker está lançando do Brasil (quarto maior consumidor de sua marca) para o mundo o One, iconoclasta mistura de uísque, aromas artificiais e água gaseificada. "O Brasil tem as condições ideais para esse tipo de drinque: clima quente, hábito de consumo de bebida gelada e vida noturna ativa", enumera Pedro Mendonça, gerente de marketing da Diageo, fabricante do Johnnie Walker. Mistura por mistura, a TG radicaliza: junta na garrafinha o uísque ("nacionalizado") Teacher's com o quê? Guaraná, claro. O grupo Tatuzinho, por sua vez, conta com o apelo ao bolso para invadir o mercado. Sua Velho Barreiro Caipirinha Ice custa, em média, 2 reais, menos de um terço do preço das colegas.

   
 
   
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