Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 774 - 23 de outubro de 2002
Geral Ginástica
 

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Índice
Seções
Eleições 2002
Brasil
Internacional
Economia e Negócios
Geral
 

Furacões destroem plantações de fumo em Cuba
Crise leva ricos latinos a investir em imóveis em Miami
Brasileira luta para conter a cegueira do filho
Adolescentes apelam para a "pílula do dia seguinte"
Maquiagem que imita o bronzeamento
A campeã brasileira de fisiculturismo
A diversificação das bebidas ice
Milagre de madre Teresa é contestado
João Paulo II muda o terço
O narcoterrorismo no Rio de Janeiro
Um buraco negro no meio da Via Láctea

Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Claudio de Moura Castro
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Arc
Gente
Datas

Para usar
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos

VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Arquivo 1997-2002
Reportagens de capa
2000|2001|2002
Entrevistas
2000|2001|2002
Busca somente texto
96|97|98|99|00|01|02


Crie seu grupo




 

"Adoro ver os bíceps crescendo"

Ana Cláudia é a incrível mulher que
dobrou de tamanho e hoje tem o
título de a mais forte do Brasil

Silvia Rogar

 
Álbum de família
Oscar Cabral
A carioca Ana Cláudia quando era surfista e agora: quinze anos para virar uma montanha de músculos, com apenas 2% de gordura no corpo

Perto dela, Joana Prado, em sua troncuda versão Casa dos Artistas 2, é um suspiro de gente. Ana Cláudia Macedo Pires, 31 anos, fisiculturista carioca, malha há quinze anos para ficar com o corpo que pode ser conferido na foto maior. Por causa dele, alcançou, em setembro, sua grande aspiração: conquistou o campeonato brasileiro feminino na categoria "peso pesado" (acima de 57 quilos). Em tese, com 1,67 metro e 77 quilos, ela é hoje a mulher mais forte do país. Agüenta meia tonelada – o peso de uma vaca – no leg press, aquela cadeirinha em que o malhador se recosta e empurra peso com as pernas. Também levanta 50 quilos (uma Deborah Secco) nos exercícios com halteres. É bastante para humilhar o fortão Kleber Bambam, campeão do primeiro Big Brother, que empurra meros 300 quilos com as coxas e sustenta não mais que 40 quilos com os braços.

Antes de virar fisiculturista, Ana Cláudia fazia aulas de balé e natação, gostava de pegar onda e pesava 51 quilos. Tinha até uma sombra de barriguinha. Era, enfim, uma garota normal. A idéia de ficar muito, muito forte surgiu ao folhear uma revista importada numa banca de jornal. "Vi a foto de uma mulher musculosa, sem celulite nenhuma, e quis ficar igual", resume. Aos 16 anos, escondido da família, pegou o dinheiro das aulas de dança e passou a investir em musculação pesada. Quando os músculos começaram a explodir, a família reparou e o pai, bancário, pediu que parasse. Não adiantou. Ana Cláudia continuou em seu incrível programa de expansão. Várias partes de seu corpo têm hoje o dobro ou mais do tamanho original. Com apenas 2% de gordura corporal, suas medidas (veja quadro abaixo) não fazem feio perante as da holandesa Juliette Bergmann, Ms. Olympia 2001, título do mais badalado concurso de fisiculturismo dos Estados Unidos. "Hoje, minha mãe, que já fez escândalos, é minha maior fã", diz Ana Cláudia.

 

A rotina da campeã brasileira inclui, diariamente, uma hora e meia de musculação e uma hora de exercícios aeróbicos e alongamento. Mais dura que a malhação é a dieta: nas quatro semanas anteriores a uma competição, ela come, ao longo do dia, seis refeições exatamente iguais de carne, carboidrato e legumes, tudo sem sal nem gordura. Ao longo do dia, também ingere duas a três dúzias de claras de ovos cozidas. Água, só sem sais minerais, para não reter nada de líquido – no aperto, é salva pela de bateria de carro, que atende à exigência. Ana Cláudia diz que não toca em anabolizantes, até porque se submete regularmente a exames antidoping, mas engole todo dia um coquetel de shakes e mais de vinte comprimidos de suplementos alimentares e aminoácidos em pó. Na véspera do concurso, não bebe líquido algum – no auge da sede, molha a boca com um pano úmido. "Quando subo no palco, esqueço todo esse esforço. Fico realizada", diz. Por força do fisiculturismo, Ana Cláudia fala grosso e teve de pôr 350 mililitros de silicone nos seios, engolidos pela musculatura maciça. Inevitavelmente, recebe olhares tortos por onde passa. "As crianças acham que eu sou um super-herói, mas os adultos provocam", conta. "Outro dia, umas senhoras falaram alto que eu parecia um travesti. Respondi que elas não tinham educação", diz Ana. Tudo, esclareça-se, na maior calma: ela jura que não é de briga.

Ana Cláudia ganha a vida como professora de ginástica e personal trainer. Entre filmes de pancadaria e românticos, prefere estes – adorou o mimoso francês O Fabuloso Destino de Amélie Poulain. Foi casada durante seis anos com um esportista e, há três, namora um advogado de 50 anos, sedentário. Adora saia curta, mesmo porque comprar calças é um problema. "Quando passam na coxa, ficam largas na cintura", lamenta. A idéia de esculpir o corpo muito além de qualquer ideal atlético até então conhecido pela humanidade surgiu na década de 50. Técnicas aprimoradas e o sucesso de ídolos como Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger expandiram drasticamente os limites do fisiculturismo. Dinheiro, não dá: Ana Cláudia, campeã que é, recebe no máximo passagem e hospedagem. Mesmo assim, a modalidade conta com 1.500 atletas no país. Visão distorcida do próprio corpo, vício em academia, obsessão por controle que se manifesta através do físico – afinal, o que faz alguém se transformar de maneira tão radical? Ana Cláudia responde por si: "Pura vaidade. Adoro ver minhas coxas ou meus bíceps crescendo".

   
 
   
  voltar
   
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS