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Edição
1 774 - 23 de outubro de 2002 |
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"Adoro ver os
bíceps crescendo"
Ana Cláudia
é a incrível mulher que
dobrou de tamanho e hoje tem o
título de a mais forte do Brasil
Silvia Rogar
Álbum de família
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Oscar Cabral
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| A
carioca Ana Cláudia quando era surfista e agora: quinze anos para
virar uma montanha de músculos, com apenas 2% de gordura no corpo
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Perto dela,
Joana Prado, em sua troncuda versão Casa dos Artistas 2,
é um suspiro de gente. Ana Cláudia Macedo Pires, 31 anos,
fisiculturista carioca, malha há quinze anos para ficar com o corpo
que pode ser conferido na foto maior. Por causa dele, alcançou,
em setembro, sua grande aspiração: conquistou o campeonato
brasileiro feminino na categoria "peso pesado" (acima de 57 quilos). Em
tese, com 1,67 metro e 77 quilos, ela é hoje a mulher mais forte
do país. Agüenta meia tonelada o peso de uma vaca
no leg press, aquela cadeirinha em que o malhador se recosta e empurra
peso com as pernas. Também levanta 50 quilos (uma Deborah Secco)
nos exercícios com halteres. É bastante para humilhar o
fortão Kleber Bambam, campeão do primeiro Big Brother,
que empurra meros 300 quilos com as coxas e sustenta não mais que
40 quilos com os braços.
Antes de
virar fisiculturista, Ana Cláudia fazia aulas de balé e
natação, gostava de pegar onda e pesava 51 quilos. Tinha
até uma sombra de barriguinha. Era, enfim, uma garota normal. A
idéia de ficar muito, muito forte surgiu ao folhear uma revista
importada numa banca de jornal. "Vi a foto de uma mulher musculosa, sem
celulite nenhuma, e quis ficar igual", resume. Aos 16 anos, escondido
da família, pegou o dinheiro das aulas de dança e passou
a investir em musculação pesada. Quando os músculos
começaram a explodir, a família reparou e o pai, bancário,
pediu que parasse. Não adiantou. Ana Cláudia continuou em
seu incrível programa de expansão. Várias partes
de seu corpo têm hoje o dobro ou mais do tamanho original. Com apenas
2% de gordura corporal, suas medidas (veja quadro abaixo) não
fazem feio perante as da holandesa Juliette Bergmann, Ms. Olympia 2001,
título do mais badalado concurso de fisiculturismo dos Estados
Unidos. "Hoje, minha mãe, que já fez escândalos, é
minha maior fã", diz Ana Cláudia.
A rotina
da campeã brasileira inclui, diariamente, uma hora e meia de musculação
e uma hora de exercícios aeróbicos e alongamento. Mais dura
que a malhação é a dieta: nas quatro semanas anteriores
a uma competição, ela come, ao longo do dia, seis refeições
exatamente iguais de carne, carboidrato e legumes, tudo sem sal nem gordura.
Ao longo do dia, também ingere duas a três dúzias
de claras de ovos cozidas. Água, só sem sais minerais, para
não reter nada de líquido no aperto, é salva
pela de bateria de carro, que atende à exigência. Ana Cláudia
diz que não toca em anabolizantes, até porque se submete
regularmente a exames antidoping, mas engole todo dia um coquetel de shakes
e mais de vinte comprimidos de suplementos alimentares e aminoácidos
em pó. Na véspera do concurso, não bebe líquido
algum no auge da sede, molha a boca com um pano úmido. "Quando
subo no palco, esqueço todo esse esforço. Fico realizada",
diz. Por força do fisiculturismo, Ana Cláudia fala grosso
e teve de pôr 350 mililitros de silicone nos seios, engolidos pela
musculatura maciça. Inevitavelmente, recebe olhares tortos por
onde passa. "As crianças acham que eu sou um super-herói,
mas os adultos provocam", conta. "Outro dia, umas senhoras falaram alto
que eu parecia um travesti. Respondi que elas não tinham educação",
diz Ana. Tudo, esclareça-se, na maior calma: ela jura que não
é de briga.
Ana Cláudia
ganha a vida como professora de ginástica e personal trainer. Entre
filmes de pancadaria e românticos, prefere estes adorou o
mimoso francês O Fabuloso Destino de Amélie Poulain.
Foi casada durante seis anos com um esportista e, há três,
namora um advogado de 50 anos, sedentário. Adora saia curta, mesmo
porque comprar calças é um problema. "Quando passam na coxa,
ficam largas na cintura", lamenta. A idéia de esculpir o corpo
muito além de qualquer ideal atlético até então
conhecido pela humanidade surgiu na década de 50. Técnicas
aprimoradas e o sucesso de ídolos como Sylvester Stallone e Arnold
Schwarzenegger expandiram drasticamente os limites do fisiculturismo.
Dinheiro, não dá: Ana Cláudia, campeã que
é, recebe no máximo passagem e hospedagem. Mesmo assim,
a modalidade conta com 1.500 atletas no país.
Visão distorcida do próprio corpo, vício em academia,
obsessão por controle que se manifesta através do físico
afinal, o que faz alguém se transformar de maneira tão
radical? Ana Cláudia responde por si: "Pura vaidade. Adoro ver
minhas coxas ou meus bíceps crescendo".
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