A fuga dourada
Em busca
de segurança,
ricaços latinos fazem
a festa
das imobiliárias de Miami
Arlete Lorini
Os negócios
imobiliários andam em ritmo lento na maior parte dos Estados Unidos
mas os corretores de imóveis da Flórida não
têm do que se queixar. Na contramão do restante do país,
eles são favorecidos por uma recessão ainda maior, aquela
que atinge a América Latina. A instabilidade econômica e
a escalada da violência e dos seqüestros nos países
latino-americanos têm impulsionado e muito seus negócios.
Em busca de investimentos garantidos em dólares e também
de um porto seguro (e com campo de golfe) para o caso de as coisas piorarem
na terra natal, os endinheirados latino-americanos mantêm aquecidíssimo
o mercado imobiliário da chamada Gold Coast, a faixa litorânea
entre Palm Beach e Miami. No ano passado, foram vendidas mais de 160.000
propriedades somente nessa região, que concentra residências
de alto padrão e comércio de luxo, no valor de 30 bilhões
de dólares. A procura fez subir para 250.000
dólares o preço médio de um imóvel em condomínios
novos, 15% mais alto que no ano passado.
"Em alguns
condomínios novos, os latino-americanos respondem por 50% das vendas",
disse a VEJA Michael Cannon, diretor da Integra Realty Resources, uma
grande imobiliária de Miami. Um pesquisador da Universidade de
Miami, citado pelo jornal inglês Financial Times, diz que
é possível acompanhar os problemas da América Latina
seguindo o rastro dos ricaços que desembarcam na Flórida.
O conturbado governo de Hugo Chávez, na Venezuela, por exemplo,
causou tamanho êxodo que uma área em torno do Doral Country
Club de Miami é agora conhecida como "Doralzuela". Na contramão,
muitos argentinos, que tiveram suas economias bloqueadas nos bancos, não
suportam mais os custos de manutenção de uma segunda casa
na Flórida e as estão vendendo às pressas.
A clientela
latino-americana faz a alegria das imobiliárias de Miami há
pelo menos quinze anos. Uma das razões são os juros baixos
cobrados em negócios imobiliários nos Estados Unidos, atualmente
em torno de 6% ao ano. Mas raras vezes se viu tanta voracidade na compra
de imóveis. Em Weston, onde o preço das casas em condomínios
fechados começa em 200.000 dólares,
os latino-americanos já representam 40% da população.
A cidade atrai pela proximidade com Miami e por seus cobiçados
campos de golfe. A alta qualidade de vida oferecida por Weston não
passou despercebida aos brasileiros.
A brasileira
Sandra Silva, corretora há treze anos na região, simplesmente
quintuplicou a venda de imóveis para conterrâneos nos últimos
cinco anos. Ela negocia em média setenta casas por ano, metade
delas na faixa de 300.000 dólares. Em
Miami, os brasileiros preferem os bairros de Key Biscayne, Coral Gables
e Coconut Grove. Nesses locais, um apartamento de três dormitórios
não sai por menos de 300.000 dólares.
Mais ao norte, o bairro Aventura, com residências que custam até
5 milhões de dólares, atrai os milionários. Um dos
xodós tem sido o condomínio Williams Island, um complexo
de apartamentos que custam a partir de 500.000
dólares.
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