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Edição 1 774 - 23 de outubro de 2002
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Fumaça em perigo

Devastação causada por furacões
deixa em
pânico os apreciadores
do puro habano

Daniel Hessel Teich


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Como identificar um legítimo charuto cubano

As tempestades que castigaram Cuba no fim do mês passado estão causando calafrios em milionários e bon-vivants de todo o mundo. Separados por um intervalo de apenas dez dias, os furacões Isidore e Lili arrasaram as plantações e os depósitos por toda a ilha, colocando em risco a produção dos charutos cubanos, os melhores do mundo. Pinar del Río, região de onde saem os puros habanos, os mais caros e requintados, perdeu metade das plantações e 90% dos galpões de secagem de folhas. No ano passado, a ilha exportou 200 milhões de unidades, sua segunda maior fonte de divisas. Ainda não se sabe qual será o impacto na produção. A única certeza é a de que o preço do puro começa a disparar no mercado internacional. O temor é que se repita a crise dos anos 90, quando três anos de colheitas ruins reduziram pela metade a produção. Em 1995, tamanha era a escassez que no Brasil os charutos cubanos só podiam ser comprados de contrabandistas, por preços abusivos.

A produção de fumo para os charutos segue a lógica dos grandes vinhos franceses. Fatores como qualidade do solo, regime de chuvas, incidência de luz solar e temperatura são os responsáveis pela qualidade das folhas. "A diferença entre o charuto de Cuba e o de outros países é como a que existe entre o café expresso e o café de coador", exemplifica Paulo Rogério Gonçalves, gerente-geral da Tabacaria Lee, de São Paulo. O solo vermelho e o clima úmido e quente de Pinar del Río dão ao charuto cubano o sabor intenso que os conhecedores consideram inigualável. Outros produtores centro-americanos e caribenhos, como a República Dominicana, vivem de suprir o mercado americano, proibido há quarenta anos de importar legalmente qualquer coisa de Cuba. O Brasil fabrica cerca de 4 milhões de charutos por ano, exportados para a Europa. O prestígio do produto brasileiro é uma sombra, se comparado ao cubano.

"Não adianta levar as sementes ou copiar o método. O charuto é diferente mesmo", diz Ernesto Lopez, da Puro Cigar de Habana, representante das 36 marcas cubanas no Brasil. Toda produção de habanos é manual. Um Cohiba Esplendido, considerado o Mercedes-Benz dos charutos, é feito com folhas escolhidas entre as melhores de Pinar del Río. Chega a custar 180 reais por unidade nas tabacarias brasileiras. O Brasil importa 1 milhão de charutos cubanos por ano, mas estima-se que outros 6 milhões entrem clandestinamente, boa parte deles falsificada. Como ter certeza de que se trata de um puro habano? Só o conhecimento e a experiência contam nesses casos.

   
 




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