Fumaça em
perigo
Devastação
causada por furacões
deixa em pânico
os apreciadores
do puro habano
Daniel Hessel
Teich

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As tempestades
que castigaram Cuba no fim do mês passado estão causando
calafrios em milionários e bon-vivants de todo o mundo. Separados
por um intervalo de apenas dez dias, os furacões Isidore e Lili
arrasaram as plantações e os depósitos por toda a
ilha, colocando em risco a produção dos charutos cubanos,
os melhores do mundo. Pinar del Río, região de onde saem
os puros habanos, os mais caros e requintados, perdeu metade das
plantações e 90% dos galpões de secagem de folhas.
No ano passado, a ilha exportou 200 milhões de unidades, sua segunda
maior fonte de divisas. Ainda não se sabe qual será o impacto
na produção. A única certeza é a de que o
preço do puro começa a disparar no mercado internacional.
O temor é que se repita a crise dos anos 90, quando três
anos de colheitas ruins reduziram pela metade a produção.
Em 1995, tamanha era a escassez que no Brasil os charutos cubanos só
podiam ser comprados de contrabandistas, por preços abusivos.
A produção
de fumo para os charutos segue a lógica dos grandes vinhos franceses.
Fatores como qualidade do solo, regime de chuvas, incidência de
luz solar e temperatura são os responsáveis pela qualidade
das folhas. "A diferença entre o charuto de Cuba e o de outros
países é como a que existe entre o café expresso
e o café de coador", exemplifica Paulo Rogério Gonçalves,
gerente-geral da Tabacaria Lee, de São Paulo. O solo vermelho e
o clima úmido e quente de Pinar del Río dão ao charuto
cubano o sabor intenso que os conhecedores consideram inigualável.
Outros produtores centro-americanos e caribenhos, como a República
Dominicana, vivem de suprir o mercado americano, proibido há quarenta
anos de importar legalmente qualquer coisa de Cuba. O Brasil fabrica cerca
de 4 milhões de charutos por ano, exportados para a Europa. O prestígio
do produto brasileiro é uma sombra, se comparado ao cubano.
"Não
adianta levar as sementes ou copiar o método. O charuto é
diferente mesmo", diz Ernesto Lopez, da Puro Cigar de Habana, representante
das 36 marcas cubanas no Brasil. Toda produção de habanos
é manual. Um Cohiba Esplendido, considerado o Mercedes-Benz dos
charutos, é feito com folhas escolhidas entre as melhores de Pinar
del Río. Chega a custar 180 reais por unidade nas tabacarias brasileiras.
O Brasil importa 1 milhão de charutos cubanos por ano, mas estima-se
que outros 6 milhões entrem clandestinamente, boa parte deles falsificada.
Como ter certeza de que se trata de um puro habano? Só o
conhecimento e a experiência contam nesses casos.
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