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Nem todos que
lulam são PT
O eleitorado
cativo do PT é de cerca
de 23 milhões. O de Lula pode ser
bem mais que o dobro

João
Gabriel de Lima

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Luís
Inácio Lula da Silva sempre foi maior que o PT. Ele teve 39,4 milhões
de votos no primeiro turno das eleições presidenciais, cerca
de 46% dos votos válidos ou 41% dos votos totais. Aproximadamente
16 milhões de brasileiros que não se dizem petistas nas
pesquisas votaram em Lula no primeiro turno. Se for confirmado o número
de votos que os levantamentos dos institutos lhe davam na semana passada,
Lula chegará à eleição de domingo com cerca
de 57 milhões de votos válidos. Ou seja, nesta eleição,
Lula mais do que dobrou o contingente eleitoral do PT. Ao longo do ano
de 2002, segundo dados do instituto Datafolha, o número de eleitores
que declararam ter o PT como partido preferido girou em torno de 20%,
o que daria cerca de 23 milhões de pessoas. É interessante
observar que, na Câmara Federal, o PT terá uma representação
bem próxima dessa proporção o partido elegeu
91 deputados federais, o que equivale a 18% dos assentos da casa.
De acordo
com dados do Ibope obtidos a uma semana do segundo turno das eleições,
os brasileiros que votaram em Lula se distribuem de maneira praticamente
uniforme por todas as faixas de renda e escolaridade. Espalham-se igualmente
também pelas regiões do país. As únicas discrepâncias
notáveis são de sexo e faixa etária. O lulista é
predominantemente homem e jovem. Na pesquisa do Ibope realizada no dia
1º de outubro, Lula aparecia com 51% do voto masculino e 36% do feminino.
Em termos de faixa etária, o candidato decrescia gradativamente
de 48% entre os jovens de 16 a 24 anos até chegar a 38% entre os
adultos de mais de 50 anos. As dificuldades do PT para atrair o voto das
mulheres vêm de longa data. Essa rejeição é
atribuída ao fato de muitas mulheres associarem o PT à baderna
e à desordem. Durante um encontro com petistas realizado em Guarulhos,
município da Grande São Paulo, o deputado José Dirceu,
presidente do partido, fez sua avaliação do quadro: "As
mulheres acham que seriam as primeiras prejudicadas por um governo onde
houvesse alta de preços, violência e greves, já que
são elas que comparam os preços da feira".
Além
de entender as mulheres, a direção do PT quer também
conhecer melhor seus militantes. O Partido dos Trabalhadores está
promovendo, atualmente, um recadastramento de seus filiados. Até
o dia 15 de outubro, eles estavam em torno de 300.000
em todo o Brasil exatamente 296.233.
Estes são os petistas de carteirinha, que têm direito a voto
nas prévias do partido e eventualmente ocupam cargos em prefeituras
e governos do PT. O partido nunca se havia preocupado até agora
em saber o nível de escolaridade, ocupação ou mesmo
o perfil social de seus militantes.
A votação
de Lula no primeiro turno das eleições deste ano cresceu
extraordinariamente em relação aos pleitos anteriores. O
petista teve cerca de 17 milhões de votos em 1994, passou para
21 milhões em 1998 e praticamente dobrou essa cifra, chegando aos
mais de 39 milhões atuais. Os especialistas explicam o fenômeno
pela aceitação de Lula por parte de quem o achava simpático
mas despreparado e pela guinada do candidato rumo ao centro. Numa pesquisa
aprofundada sobre o comportamento dos eleitores brasileiros, realizada
na Universidade de São Paulo sob coordenação do cientista
político José Augusto Guilhon Albuquerque, surgiu uma explicação
mais detalhada do fenômeno. A questão seria menos ideológica
e mais pragmática. Nas eleições de 1989, 1994 e 1998,
descobriu Guilhon, Lula perdeu feio entre os eleitores preocupados apenas
com o desempenho do candidato no governo, com sua capacidade administrativa.
"Na campanha eleitoral deste ano, Lula apresentou projetos e apareceu
na propaganda televisiva comandando um time de intelectuais, e isso mudou
a expectativa das pessoas quanto à questão do desempenho",
acredita Guilhon. Lula teria, finalmente, conseguido fazer com que vários
brasileiros céticos quanto ao seu desempenho no cargo passassem
a acreditar na sua competência e na da equipe que o cerca. Se ele
vencer domingo, esse convencimento terá sido talvez o ponto mais
decisivo de toda a campanha petista.
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