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Fico contente com o amadurecimento do eleitorado brasileiro, que convive
com a democracia há tão pouco tempo. Espero que VEJA continue
contribuindo nesse processo. Nossos filhos agradecem ("Barrados pelas
urnas", 16 de outubro). Aleluia!
Enfim, o eleitorado brasileiro descarregou uma chuva de votos meteóricos
sobre os cabeções dessa raça famigerada que devora
o Brasil. É lamentável que alguns espécimes tenham
sobrevivido, e mais lamentável ainda é o fato de que eles
possam procriar. Todavia, o primeiro passo foi dado, os primeiros meteoros
foram lançados. Sei
que é uma tremenda falta de educação rir da desgraça
alheia, mas todas as vezes em que eu olhar para a capa da edição
1.773 vou gargalhar de felicidade. Simplesmente
magnífica a capa da edição 1.773.
Sintetiza tudo o que nós, eleitores, pensamos desses políticos
jurássicos. A representação do político de
Alagoas não poderia ter sido melhor: o mais voraz predador de todos.
Melhor ainda se em vez de "parque" fosse "cemitério" dos dinossauros. Essa
é a resposta do povo alagoano aos que acham que "errar uma vez
é humano, duas vezes é alagoano". Não tínhamos
o poder de impedi-lo de candidatar-se, mas sim de eleger-se. Se
juntarmos todos os nossos "políticos-dinossauros", os excluídos,
os ainda ativos e os reeleitos, daria para filmar os Jurassic Park
1, 2 e 3. Felizmente, há eleitores buscando renovação. Considero
injuriosa e preconceituosa a capa e a reportagem "Barrados pelas urnas",
publicada na edição 1.773 de
VEJA (16 de outubro). Tenho uma carreira pública que poucos possuem
no Brasil e da qual me orgulho pelo muito que consegui fazer em todos
os postos que ocupei. Fui presidente da Caixa Econômica Federal
em São Paulo de 1967 a 1969, prefeito da cidade de São Paulo
de 1969 a 1971, secretário de Estado dos Transportes de 1971 a
1975, presidente da Associação Comercial de São Paulo
de 1976 a 1978. Governei o Estado de São Paulo de 1979 a 1982,
fui eleito deputado federal por São Paulo de 1983 a 1986, o mais
bem votado em todo o Brasil até a presente eleição.
Exerci novamente o cargo de prefeito de São Paulo de 1993 a 1996,
quando fui considerado o melhor prefeito da cidade em treze anos, segundo
pesquisa do Datafolha publicada em 8 de março de 1999, mais de
três anos depois do término de minha administração.
Fui duas vezes candidato à Presidência da República.
Bastou agora que, democraticamente, eu perdesse uma eleição
para que esta revista me agrida sem nenhuma justificativa.
O doutor Enéas e a doutora Havanir representam a voz de mais de
2 milhões de brasileiros que estão decepcionados com essa
política nacional, totalmente contrária à cidadania
("1.570.000 votos",
16 de outubro)! Quem
imaginaria que logo ele, com sua enorme barba e sua frase tão ridicularizada,
seria o deputado federal mais votado da história nacional! Isso
mesmo, ele se chama Enéas e surpreendeu a todos e a ele mesmo com
seus 1.570.000 votos.
Enéas, um nome que jamais será esquecido. Enéas
é o ovo da serpente. Em 1923, a Alemanha vivia uma frágil
democracia estabelecida pela constituição da República
de Weimar, que lutava contra os grilhões de Versalhes. Surgiu um
cidadão austríaco, que vinha de família simples e
tinha algumas idéias um tanto estapafúrdias. Foi preso,
fez uma espécie de prefácio sobre o que faria se estivesse
no poder. No começo foi ridicularizado, mas, com o caos tomando
conta da economia alemã, sufocada pela pressão dos vencedores
da I Grande Guerra, o povo começou a acreditar que as idéias
daquele austríaco seriam a saída para a combalida Alemanha.
No Brasil de hoje, sufocado pelos especuladores internacionais, o terreno
está se tornando propício a que esses "ovos de serpente"
vicejem. Começam lentamente a aparecer no cenário político
e arrebatam, cada vez mais, seguidores de suas verdades infinitas e inabaláveis.
Quando nos dermos conta, estaremos no obscuro terreno do incontestável.
É
interessante notar que durante a ditadura os ativistas de esquerda eram
invariavelmente silenciados. E hoje, em plena democracia, o candidato
do PT à Presidência da República foge dos debates
televisivos em pleno segundo turno ("Aos debates, companheiros!", Carta
ao leitor, 16 de outubro).
Não sou filiado ao Prona, não tenho nenhuma simpatia pelo
partido nem pelo futuro deputado federal Enéas. Aliás, no
momento não receberiam meu voto. O resultado das eleições
em São Paulo é o reflexo de seu eleitorado. Se o aloprado
e o mequetrefe receberam enorme votação, é porque
aloprados e mequetrefes são os eleitores, ou o resultado é
a mais evidente demonstração da democracia. Pode-se até
tratar como problema o resultado das referidas eleições,
mas não como um problema a ser resolvido com uma mudança
do sistema de voto ("A primeira vez", Ponto de vista, 16 de outubro).
Meu caro marciano, você não é o único que não
entende o Brasil. Sou brasileira e me esforço muito nessas árduas
tarefas (de ser brasileira e de entender determinadas coisas que acontecem
neste país). Pelo menos você tem a opção de
um dia, se quiser, se mandar. Eu não. Tenho de continuar aqui e
ver essa porcalhada toda se (re)eleger (Arc, 16 de outubro).
Soa como negação dos princípios cristãos a
afirmação do padre John McCloskey (Amarelas, 16 de outubro)
de que "a Igreja não vai mudar" porque está certa em toda
a sua doutrinação. Parece que ele não saiu de Wall
Street, pois desconhece que a redenção é a síntese
e a seiva do cristianismo, não os malabarismos dogmáticos
e morais que se repetem por conveniências de reserva de mercado
de trabalho e interesse carreirista do clero descompromissado com o Evangelho
e com a humanidade. Gostaria
de lembrar ao padre John McCloskey, para quem a Igreja não vai
mudar e não pode mudar, que ela mudou muitíssimo. Só
para citar alguns exemplos nos últimos 200 anos: a liberdade de
consciência, a liberdade religiosa, a autonomia das ciências,
a vacina, a separação entre Igreja e Estado, a independência
da América, a unificação da Itália e o fim
dos Estados pontifícios são coisas a que os papas foram
visceralmente contrários e depois mudaram. Comparem os pronunciamentos
de Pio IX e Pio X com os do Concílio Vaticano II. A Igreja mudou,
sim, graças a Deus, ainda que com certo atraso. Ótima
a entrevista com o padre John McCloskey sobre o momento que a Igreja Católica
está vivendo. Mas acho que ele está errado. O mundo mudou
muito desde que Jesus Cristo apareceu. Hoje em dia existem doenças,
estupros, mulheres no mercado de trabalho etc. A Igreja Católica
precisa rever seus conceitos sobre a condenação do aborto,
do divórcio, do controle da natalidade, entre outros. Se isso não
acontecer, será inevitável a perda de fiéis para
outras doutrinas.
Como é triste pensar que um país tão abençoado
com áreas verdes não sabe preservá-las! A falta de
uma melhor fiscalização faz com que me lembre de um antigo
ditado: "Quem não sabe zelar pelo que tem não pode reclamar
por aquilo que não tem". Ou seja, de que adianta o Brasil querer
aumentar o turismo se não há uma proteção
a áreas com tais potenciais? (Contexto, 16 de outubro.)
Sou consultor de empresas e defensor da idéia do cooperativismo,
assim como também do associativismo entre pessoas ou empresas.
Foi com muito entusiasmo que li a reportagem "Quem manda são os
pais" (16 de outubro), que deixa claro aos leitores que unindo forças
podemos ir muito mais longe. Atualmente, em nosso país já
existem vários exemplos de sucesso de empresas e pessoas que se
uniram e fizeram a diferença.
Solidarizo-me com o leitor Odivaldo Moreno, de Santana de Parnaíba
(Cartas, 16 de outubro), com relação ao cargo ou função
de embaixador na FAO, em Roma. Como ele, tenho 46 anos, sou casado, pai
de dois filhos, professor de uma universidade federal não
efetivo, por falta de concursos. Caso ele seja agraciado com tal cargo
desprezado por aquele cidadão (Itamar Franco, ex-presidente), teria
muito prazer em ser convidado para assessorá-lo. Informo ainda
que gostaria de ter uma bolsa de estudos na Itália. Tenho cidadania
italiana. A
manifestação do senhor Olívio Dutra na edição
1.773 é uma obra-prima de ficção
criada por esse senhor.
Felizmente há quem se lembre de que nossas esperanças falsas
e ufanas estão baseadas em mentiras, ilusões e promessas
("Nada de buzinaço", 16 de outubro).
Sempre preciso e sutil, Roberto Pompeu de Toledo denuncia o artificialismo
absurdo em que está imerso o "mundo da moda" ("Delícias
e opressão do salto alto", Ensaio, 16 de outubro). O episódio
do salto alto resume bem a falta de sentido exibida com tanta naturalidade
por pessoas cujo corpo e cujas roupas nada têm a ver com os dos
outros 99% da humanidade. Aliás, felizmente, pois um mundo povoado
por réplicas de Giseles e Leonardos seria tão assustador
quanto insuportável.
Parabéns para Sérgio Abranches por seu artigo "O povo sabe
votar" (Em foco, 16 de outubro). A evolução da qualidade
de nosso voto merece esse registro, mesmo sabendo-se que, assim como o
Brasil, ainda temos muito que melhorar.
Tenho de comungar com o sentimento de Gustavo Franco ("Saudades de Fernando
Henrique", Em foco, 9 de outubro). Temos um estadista, sim, digno do título,
cuja força transformadora provavelmente só vai começar
a ser mensurada dentro de uma década. Comparações
são cruéis, porque são inúteis, mas também
irresistíveis. O grande problema do próximo presidente (quem
quer que se eleja) será o peso da responsabilidade histórica
de suceder um homem da estatura de Fernando Henrique.
Achei uma hipocrisia a igreja dos homossexuais. Jesus prega a união
do homem e da mulher como modelo de procriação. Tudo bem,
é problema deles a opção sexual, mas colocar a homossexualidade
em religião é uma coisa inaceitável ("A catedral
gay", 16 de outubro).
É
correto afirmar que o príncipe Claus Van Amsberg, dos Países
Baixos, tinha de cumprir serviço militar regular no Exército
alemão durante a II Guerra Mundial: o cumprimento do serviço
militar era obrigatório para todos os jovens alemães (Datas,
16 de outubro). No entanto, o príncipe Claus Van Amsberg nunca
compartilhou das idéias nazistas, como foi provado por uma comissão
de purgação política dos aliados, à qual o
príncipe foi submetido após a guerra, como qualquer outro
jovem alemão que desejasse estudar em uma universidade. Aliás,
o príncipe Claus nunca participou da ocupação alemã
dos Países Baixos, como mencionado na nota. Após o casamento
com a rainha Beatriz, em breve tempo o príncipe se tornou um dos
membros mais populares da Casa Real Neerlandesa e manteve essa popularidade
até seu falecimento, no último domingo, 6 de outubro, em
Amsterdã (e não em Paris, como publicado).
VEJA cita a marca de água Crystal informando que ela contém
flúor e que seu "uso freqüente não é aconselhado
para menores de 7 anos" (Para usar, 16 de outubro). Existe mais de uma
marca Crystal de água mineral no mercado. A Crystal Spal, pertencente
à Panamco Brasil, contém em sua composição
química fluoreto no nível de 0,52 mg/l, perfeitamente dentro
das normas estabelecidas pelo Ministério da Saúde.
O senhor Kanitz se esquece de que governos são responsáveis
não apenas pela eficiência da máquina estatal, mas
também pela distribuição de recursos entre distintos
setores da sociedade. Esquece que política é negociação
("Um país mal administrado", Ponto de vista, 9 de outubro).
O rosto aparentemente cansado de Lula, bem como a "falta" de um curso
superior, talvez represente a grande massa da população
brasileira ("Você decide", 9 de outubro).
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