Sem palavrões

No rap e no cinema, Will Smith fatura
milhões com um estilo que é pura diversão

Rap, para a maioria das pessoas, costuma ser sinônimo de letras cheias de palavrões vociferadas em ritmo de metralhadora. O maior astro desse estilo musical nos dias de hoje contraria essa receita frontalmente. As composições do americano Will Smith, de 29 anos, não trazem mensagens políticas nem falam de violência policial. Ele faz músicas sobre festa e diversão, com um balanço capaz de encher qualquer pista de dança. Seguindo esse estilo, seu primeiro CD-solo, Big Willie Style, já vendeu 5,5 milhões de cópias no mundo inteiro, das quais 65.000 no Brasil. Com isso, ajudou a aumentar a fortuna de Smith, que já não era pequena. Na última lista de milionários do show biz americano elaborada pela revista Forbes, divulgada há duas semanas, ele aparece em 36º lugar, com faturamento de 34 milhões de dólares neste ano. No último dia 10, o rapper Smith conseguiu outra vitória: subiu duas vezes ao palco do Video Music Awards da MTV americana para receber os prêmios de melhor clipe masculino e de melhor clipe de rap. O fato serviu para despertar ainda mais a ira dos rappers tradicionais, segundo os quais Smith desvirtua o gênero com letras que falam de charutos cubanos (que acabaram se tornando o assunto da moda nos Estados Unidos) e praias de Miami. O cantor nem liga. Com seu jeito de garotão gaiato, ele tem êxito em várias áreas. Além do sucesso musical, é também um astro de Hollywood. Ele tornou mais engraçada a luta contra os ETs nos filmes Independence Day e MIBHomens de Preto, as maiores bilheterias dos Estados Unidos em 1996 e 1997, respectivamente.

Se cantasse músicas no estilo do Public Enemy, Smith, que só foi ao Harlem a passeio, soaria falso. Nascido em Filadélfia, de uma família de classe média, começou a cantar rap aos 12 anos. Ainda adolescente, montou uma parceria com o amigo Jeff Townes, usando o nome artístico de The Fresh Prince. Além de acumular discos de platina, a dupla DJ Jazzy Jeff & The Fresh Prince ganhou o primeiro Grammy concedido a artistas de rap, em 1988. O sucesso acabou por levar Smith à TV. O cantor precoce tornou-se ator na série The Fresh Prince of Bel-Air, interpretando um personagem inspirado nele mesmo. Mais uma vez seu carisma funcionou. O programa, atualmente exibido no Brasil pelo canal de TV paga Warner, ficou em cartaz durante seis anos nos Estados Unidos. No cinema, Smith comprovaria o talento de comediante, defendendo seus papéis com charme, inteligência e um irresistível arsenal de caretas. Para se dedicar aos filmes, ele se afastou da música a partir de 1993, quando foi lançado o último CD de sua dupla. Só quando gravou o tema de Homens de Preto decidiu voltar ao disco. A música puxou as vendas da trilha do filme no ano passado, que chegaram a 2 milhões de cópias. De olho nesse bom desempenho, Smith incluiu a faixa também em seu álbum-solo.

Família — Hoje, o rapper-ator tem de dar duro para conciliar o trabalho com a família. Ele é casado, pela segunda vez, com a atriz Jada Pinkett, a namorada de Eddie Murphy em O Professor Aloprado. "Com Jada, passei a acreditar que uma relação pode durar para sempre", costuma dizer Smith. O casal vive com os dois filhos do cantor: Willard III, de 5 anos, do primeiro casamento, e Jaden Christopher, nascido há dois meses. Sempre que tem oportunidade, Smith faz questão de se mostrar bom pai e bom marido. Uma das músicas premiadas pela MTV, Just the Two of Us, foi escrita para Willard III. Na festa de entrega dos troféus, o paizão levou o filho ao palco e fez um discurso de agradecimento à mulher e à ex-mulher. Mais família, impossível. No auge do sucesso, Smith quer agora atuar em outras frentes. Já escreveu uma comédia em parceria com Jada, Love for Hire. O roteiro, vendido para a Universal Pictures, deve ser levado às telas no ano que vem.

Luiz Sampaio




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