Bisavós celestes

Estrelas no centro da Via Láctea
são tão antigas como o universo

Algumas estrelas da nossa galáxia são bem mais antigas do que se pensava. A conclusão é de um grupo de pesquisadores brasileiros e italianos que tem estudado o comportamento dos aglomerados (conjuntos de 100.000 a 1 milhão de estrelas) do centro da Via Láctea. Por meio de observações em um telescópio no Chile e do telescópio espacial Hubble, os astrônomos verificaram que esses ajuntamentos de estrelas se formaram entre 12 e 14 bilhões de anos atrás. Teriam praticamente a idade do próprio universo. Com isso, surgiu um mistério. Pelas teorias atualmente aceitas, as galáxias se formaram com a aglutinação dos fragmentos cósmicos espalhados na explosão inicial, conhecida como Big Bang. Assim, os astrofísicos acreditavam que as estrelas mais velhas estariam na sua periferia, batizada de halo. E as mais jovens seriam as do centro, formadas por último.

Agora, ocorre a dúvida. Se as estrelas mais velhas estão no centro da galáxia, o universo pode ter se formado de maneira diferente. Ou então as galáxias teriam surgido tão rapidamente que sua parte de dentro e a de fora teriam quase a mesma idade. "O mais surpreendente é que esses aglomerados de estrelas estão muito próximos uns dos outros", diz Eduardo Bica, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, integrante da equipe da qual também fazem parte astrônomos do Instituto Astronômico e Geofísico da USP e da Universidade de Padova, na Itália. A própria idade do universo nunca foi um consenso. Estima-se que ele pode ser pelo menos 2 bilhões de anos mais velho que o estipulado.




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