Diogo Mainardi
Petróleo...
Na África!
"O pré-sal tem tudo para repetir o ciclo da
borracha.
Do apogeu à queda. A belle époque amazonense
recorda
a
belle époque lulista. De um lado, os magnatas
da floresta;
do outro, os
magnatas do sindicato"
A nova fronteira do petróleo. Onde?
Serra Leoa. Até a semana passada, a nova fronteira do petróleo era
formada pela Bacia de Santos e pela Bacia de Campos, com suas reservas na camada
do pré-sal. Agora isso mudou. A nova fronteira do petróleo, segundo
as manchetes do Wall Street Journal e do Financial Times, está
localizada na África Ocidental, numa área de 1 100 quilômetros
que se estende do litoral de Gana, onde há o campo de Jubilee, até
o litoral de Serra Leoa, onde acaba de ser descoberto o campo de Venus B-1, a
uma profundidade de 5 640 metros, como os jornais anunciaram, batendo o bumbo,
na última quarta-feira. A Anadarko, a companhia americana que fez a descoberta
em Serra Leoa, já está mandando seu navio-sonda, Belford Dolphin, para a Costa do Marfim. Depois ele seguirá para o outro lado da África.
Dependendo do que encontrar por lá, a área certamente será
chamada pelo Wall Street Journal e pelo Financial Times parem
as máquinas! de nova fronteira do petróleo.
O Brasil
tinha um modelo seguro. Igual ao de Serra Leoa. Igual ao dos Estados Unidos. Para
terem o direito de perfurar o solo, as companhias de petróleo eram obrigadas
a pagar antecipadamente, arrendando lotes. O risco era só delas. E o poder
público sempre saía ganhando. Lula decidiu desmontar o modelo. No
pré-sal, quem paga antecipadamente é o contribuinte, por meio de
empréstimos públicos, e a Petrobras promete rendimentos para daqui
a dez ou quinze anos, se seus planos derem certo. Nos últimos tempos, o
barril de petróleo chegou a 150 dólares e, em seguida, caiu para
30 dólares. O que Lula está fazendo, enrolado na bandeira nacional
junto com Dilma Rousseff e Luis Fernando Verissimo, é apostar metade do
PIB brasileiro nesse negócio, como um especulador no mercado futuro de
petróleo.
O pré-sal tem tudo para repetir o ciclo da borracha.
Do apogeu à queda. A belle époque amazonense recorda a belle époque
lulista. De um lado, os magnatas da floresta; do outro, os magnatas do sindicato.
A borracha amazonense desvalorizou-se quando os ingleses plantaram seringais na
Malásia. É o que pode ocorrer com a descoberta de novas fronteiras
do petróleo, mais competitivas e mais baratas: em Serra Leoa, no Ártico,
nos Estados Unidos. Por fim, a indústria desenvolveu a borracha sintética,
da mesma maneira que vai desenvolver novas fontes de energia, para substituir
o petróleo. Rodrigues Alves tomou posse do Acre, para garantir o monopólio
da borracha. Lula está tomando posse do pré-sal, para garantir o
monopólio do petróleo. Sim, o pré-sal tem tudo para repetir
o ciclo da borracha. Nesse caso, o lulismo é uma espécie de Madeira-Mamoré
do pensamento: inútil e deficitário.

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