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Charles Dharapak/AP![]() |
Você sabe que um líder político está encrencado quando Jimmy Carter sai em sua defesa. Está certo que Carter é o ex-presidente mais bem-conceituado entre os americanos (32% de aprovação à sua conduta depois da Casa Branca), mas a concorrência consiste em Bill Clinton do caso Monica e nos dois Bush de todo o resto. Por causa da aura de recessão, inflação e enrolação que ainda acompanha o governo Carter (1977-1981), a turma de Barack Obama desconversou quando ele atribuiu ao racismo muito da atual oposição ao presidente. Existe, por certo, um teor de preconceito em parte das críticas, mas os americanos já ungiram Obama, com honras, no direito de, nas inesquecíveis palavras de Martin Luther King, ser julgado pelo que faz, não pela cor que tem na superfície da pele. Apesar da compreensível aura de superpoderes que acompanhou sua eleição, Obama surpresa, surpresa é exposto aos mesmos riscos de todos os políticos e, no momento, está com popularidade declinante. A recuperação econômica ainda não produziu os empregos prometidos; e possivelmente não o fará. Obama e o Partido Democrata também acharam que a vitória eleitoral do ano passado era um passaporte carimbado para a reforma no sistema de saúde. Ao contrário da versão Michael Moore da realidade, muitos americanos sentiram que, em vez de ganhar, sairiam perdendo. A reforma empacou e tem hoje 44% de aprovação da opinião pública, contra 52% de reprovação. Obama empunhou um sabre e brincou com uma equipe de esgrima no gramado da Casa Branca para promover Chicago como sede da Olimpíada. Haja força.