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Edição 1970 . 23 de agosto de 2006

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Televisão
O fator Silvio

Com a gincana Topa ou Não Topa,
o apresentador mostra mais uma
vez por que faz a diferença


Marcelo Marthe

 

Francisco C. Inácio/SBT
Silvio apresenta o Topa ou Não Topa: o duro é entender as regras do jogo

Nos últimos meses, a competição pela vice-liderança na TV brasileira tornou-se acirrada. Por muito tempo em segundo lugar no ranking, só abaixo da Globo, o SBT agora tem sua posição ameaçada pela Record. Mas a emissora dispõe de uma arma peculiar: o fator Silvio Santos. O apresentador, como se sabe, possui um imenso carisma – e é também imprevisível. A mais recente prova disso é o programa Topa ou Não Topa, que o SBT transmite desde o começo do mês. Versão nacional de uma atração veiculada em mais de trinta países, ele teve seus direitos comprados da produtora Endemol, inventora do Big Brother e sócia da Globo no Brasil (o que não deixa de ser irônico, já que o SBT foi acusado de plágio por ambas quando fez o Casa dos Artistas, há cinco anos). Apesar de importada, a fórmula é puro Silvio Santos: a cada edição, um candidato concorre a até 1 milhão de reais tendo de adivinhar quanto há de dinheiro dentro de 26 malas. O apresentador antecipou a estréia em uma semana, de surpresa, para bater de frente com o primeiro episódio de O Aprendiz 3, o reality show do publicitário Roberto Justus na Record, no domingo 6. Venceu o embate por 15 a 8 pontos de média.

No mercado publicitário, calcula-se que os custos de premiação sairão mais em conta para o SBT que os 5 milhões de reais gastos pela concorrente só com a divulgação de O Aprendiz. A malandragem de Silvio deu mote a uma piada que circulou em e-mails no SBT: fazer televisão é coisa para profissionais, não para um aprendiz, riram os funcionários da casa. Não por coincidência, a Record passou a exibir sua atração mais tarde depois da surra. Mas, como Silvio é imbatível em matéria de inconstância, o bom desempenho não foi suficiente para manter o Topa ou Não Topa no mesmo horário. Na semana passada, já se anunciava que a atração seria transferida para as noites de quarta. Se vai continuar lá, é provável que nem Silvio saiba ao certo.

 

Raphael Falavigna
Roberto Justus: mudança de horário depois de tomar surra

O Topa ou Não Topa envolve cálculos matemáticos e regras um tanto intricadas. Nos Estados Unidos, esse detalhe não escapou ao humorístico Saturday Night Live, que já mostrou uma sátira na qual os participantes, o apresentador e até as modelos que exibem as tais malas em cena se revelam perdidos. Ao contrário do que a intuição faria supor – e aí é que está a pegadinha –, o participante leva vantagem quando escolhe as malas que contêm valores menores e se sai mal quando tira as boladas mais altas, numa escala que vai de 50 centavos ao prêmio máximo. De tempos em tempos, ele tem de decidir se prefere continuar na gincana ou embolsar a soma oferecida por um "banqueiro" de mentirinha, que surge envolto em sombras. Até agora, o maior ganhador foi um analista de sistemas paulista, que obteve 329.000 reais. Mas sabe-se que, num dos programas gravados e ainda não exibidos, um sortudo abocanhou o milhão.

 
 
 
 
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