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Eleições
2006 Todos querem botocar Na
multidão de adeptos da testa livre de sulcos, atores e apresentadores
se destacam. Mas muito poucos confessam 
Bel Moherdaui
Fotos Mario Rodrigues/Caio Guimarães-Contigo
e Monica Imbuzeiro-Ag. Globo  |
| Reações variadas: Eliana e Justus fizeram
uma vez "e nunca mais"; Paula faz sempre e adora; e o galã Celulari fez,
mas não comenta | Já
são quase vinte anos de serviços prestados ao rejuvenescimento.
Nesse período, a injeção de toxina botulínica alcançou
o posto de procedimento estético mais utilizado no mundo, em números
que impressionam pela abundância. Só nos Estados Unidos, campeão
dos campeões na área de embelezamento e rejuvenescimento, são
3,3 milhões de sessões de agulhadas por ano 29% de todos
os procedimentos estéticos no país. No Brasil, medalha de prata
na categoria, as injeções são o tratamento não invasivo
mais pedido nos consultórios de dermatologistas e cirurgiões plásticos,
alcançando de 15% a 20% de crescimento ao ano. O laboratório Allergan,
fabricante do Botox, informa que, em 2005, as vendas do produto no mundo alcançaram
831 milhões de dólares, um crescimento de 18% em relação
ao ano anterior mais significativo ainda por se tratar de um veterano no
arsenal da beleza. Embora toxina botulínica seja praticamente sinônimo
de Botox, outras duas marcas, Dysport e Prosigne, oferecem o mesmo serviço.
"O crescimento do uso do Botox salta aos olhos e é compatível com
a preocupação não só das mulheres como dos homens
com a aparência", comenta o cirurgião plástico Paulo Matsudo,
de São Paulo, pioneiro no uso da toxina no país.
O Botox é mais aplicado na área da testa e em volta dos olhos. A
toxina paralisa os músculos (num efeito semelhante ao do botulismo, uma
doença fatal) e, com isso, suaviza vincos e rugas. Seu efeito é
temporário. Depois de seis meses, em média, é preciso fazer
outra aplicação. A faixa etária dos entusiastas da toxina
é ampla: vai desde modelos de 15 anos (isso mesmo: 15 anos) com uma ou
outra ruguinha que, alegam, atrapalha seu trabalho a senhoras de 70 anos em busca
de algo menos radical que uma cirurgia plástica para aliviar as marcas
deixadas pelo tempo como se testa lisa em rosto nada liso tivesse tal efeito.
"Botox bom é o Botox secreto, que ninguém percebe que foi feito",
diz a dermatologista Ligia Kogos.
Fotos Luciano Trevisan, Ana Carolina Fernandes/Folha
Imagem, Valéria Gonçalves/AE e Rogerio Albuquerque
 | | Eles
e elas: como Marília e Bruna, as mulheres (de qualquer idade) são
maioria no clube do Botox, mas Mesquita e Zezé já têm grande
companhia | A atriz Marília
Pêra, 63 anos, fez, admite e aprovou. Bruna Lombardi, 54 anos, também
fez, "sem alarde", com bons resultados. Paula Burlamaqui, 39 anos, faz, sim, com
freqüência. "Adoro", afirma. A maioria dos pacientes de Botox ainda
são mulheres, mas os homens ganham terreno. Nos Estados Unidos, eles recebem
10% das agulhadas. "O cliente masculino clássico de Botox tem mais de 50
anos, certa importância profissional, é ocupado, objetivo, quer uma
aplicação rápida e que não mude a expressão",
descreve Ligia. A vergonha de botocar persiste, mas já começa a
ser vencida. "Antigamente, eles marcavam o último horário e pediam
para ficar em uma sala de espera separada. Hoje, alguns já ficam ali no
meio das pacientes e falam abertamente sobre o tratamento", relata Matsudo. O
ator Edson Celulari, 48 anos de verdade e até quinze a menos nas novelas,
alisa a testa na clínica da dermatologista Denise Steiner, em São
Paulo. O apresentador Otavio Mesquita, 47 anos, é outro que se submete
a aplicações na testa e ao redor dos olhos a cada seis meses. "Serve
para dar uma rejuvenescida, até porque televisão envelhece. Não
sou escravo da beleza ou da estética, mas eu me cuido", diz ele, que também
"apara" os pêlos do corpo, faz mão e pé, usa sabonete e creme
especiais para o rosto e tinge o cabelo.
Em geral, celebridade (principalmente homem) que apela à toxina para parecer
mais jovem prefere negar. Contrariando todas as evidências, o apresentador
Cid Moreira, 78 anos e rosto lisíssimo, avisa: "Estou assim porque parei
de comer carne há trinta anos. Fiz três ou quatro plásticas
para corrigir uma malsucedida aplicação de silicone líquido
no rosto, do tempo em que a televisão ainda era preta-e-branca. E só".
O arquiteto Sig Bergamin, enxutíssimo aos 52 anos, ecoa: "Cuidar do rosto,
para mim, é como escovar os dentes. Não durmo sem limpar e passar
um creme. Botox e plástica, nunca fiz porque não precisei". Os que
confessaram muitas vezes se arrependem, ou do tratamento, ou da confissão.
O cantor Zezé di Camargo fez "uma vez, há dois anos"; a apresentadora
Eliana experimentou há cinco anos e "nunca mais". Vaidoso assumido, o publicitário
e showman Roberto Justus está no mesmo clube. "Fiz só uma vez, em
volta dos olhos, há dois anos. Mas doeu tanto que mandei parar na terceira
picada", afirma. Ouvindo, parece que o tratamento com Botox é um fracasso.
| O EXEMPLO VEM DE
CASA
Lincoln Iff  |
Quem converteu o presidente Lula
ao Botox foi sua mulher, Marisa, que aderiu em 2003 à toxina botulínica
e desde então repete fielmente o tratamento a cada seis meses, com a médica
Denise Steiner, que trata também da pele clarinha da primeira-dama. Marisa,
de 56 anos, tornou-se uma vaidosa assumida na campanha de 2002. Para acompanhar
Lula, submeteu-se a um lifting no rosto, realizado pelo cirurgião paulista
Pedro Albuquerque. No começo de 2004, voltou ao bisturi, dessa vez para
uma plástica de abdômen e lipoescultura. Atualmente, faz regime (perdeu
5 quilos em três meses), caminha todos os dias e ainda faz ginástica
com um personal trainer na academia do Palácio da Alvorada.
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Fonte: Dóris Hexsel, dermatologista
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