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Cartas  | "O
estranho é que essa gente excluída decide a eleição,
mas não encontra ninguém que lhe abra o caminho para a plena cidadania."
Renzo Sansoni Uberlândia,
MG |
Nordeste
Louváveis as considerações
de VEJA sobre o Nordeste brasileiro, na perspectiva de que essa região
tão sofrida deixe de ser apenas um curral eleitoral barato dos grandes
políticos para se converter numa zona de desenvolvimento humano sustentável,
acima de tudo. Obrigado pela iniciativa e que vocês estejam sempre dispostos
a exercer com seriedade um dever sagrado da imprensa: o aperfeiçoamento
da sociedade por meio da informação imparcial, responsável
e produtiva ("Ela pode decidir a eleição", 16 de agosto). Caio
Jataí Capistrano Quixadá, CE
VEJA expôs de maneira sucinta e clara a vergonhosa situação
da população nordestina, comprada com esmolas. O senhor Lula da
Silva deveria considerar as sábias palavras de seu conterrâneo, o
grande Luiz Gonzaga, que em 1953 já clamava: "Mas doutor uma esmola / A
um homem que é são / Ou lhe mata de vergonha / Ou vicia o cidadão"
(Vozes da Seca, de Zé Dantas e Luiz Gonzaga, 1953). Márcia
Helena de Lima São Paulo, SP
Tem muita gente, principalmente no Nordeste, que ainda não sabe o que é
mensalão e não conhece o candidato Alckmin. É por aí
que Lula vai. Ele aposta na ignorância popular. Bastaria o mensalão
para a oposição pedir o impeachment dele e não pediu. O resultado
está aí. Jonas Silva Ethel Olinda, PE
Lamentavelmente, com a expansão do Bolsa Família, Lula conseguiu
fortalecer o "ócio remunerado" e a proliferação da "esmola
oficial". Coitado do bravo povo nordestino! Jaime de Moura Ferreira
Lauro de Freitas, BA VEJA
tem feito tudo o que é possível para mostrar o que está sendo
o governo Lula. Infelizmente há ainda muita gente que não consegue
ver nada. E assim teremos de engolir esse engodo por mais quatro anos. Mulheres
do Nordeste, votem no "bom Lula". Sua casa de taipa, com chão de terra
batida e paredes encardidas, continuará exatamente da mesma maneira que
está agora. Maria Lúcia Benevides da Silva Natal,
RN VEJA deu de presente ao
futuro presidente a solução para tirar o país da lama. Temos
de eleger alguém no mínimo alfabetizado, que possa ler VEJA e descobrir
como este país ainda tem chance! Stone Sam Nogueira do Nascimento
Natal, RN Eleições
Em entrevista ao Jornal Nacional na
semana passada, nosso presidente atestou mais uma vez que o assunto corrupção
em seu governo em nada o atinge. Apostou, e com razão, na ignorância
política da maioria do povo brasileiro, que desconhece o real sentido das
palavras ética e dignidade ("Não diga, presidente!", 16 de agosto)!
Lélia Moscato Ziquinatti Santiago, RS
As perguntas de William Bonner e Fátima Bernardes foram realmente incisivas
e funcionaram como um autêntico detetor de mentiras. Há tempos não
se via o presidente tão inseguro, desnorteado, despido de seu poder de
dissimulação e irremediavelmente perdido no labirinto de suas contradições.
Vítor Menezes Boa Esperança, MG
Sucintamente, como psicóloga da linha freudiana, aconselho todo mundo a
prestar muita atenção aos atos falhos do senhor presidente da República.
Devemos nos lembrar sempre de que "seu governo faz o combate à ética"
e, durante seu governo, "só o salário caiu". Isso para ficarmos
restritos ao publicado nessa matéria de VEJA. Berenice de Lara
São Paulo, SP É
natural que o candidato Lula tenha se queixado da cadeira que usou durante a entrevista
concedida ao "casal global" na última quinta-feira. Observa-se na foto
ilustrativa da matéria que a utilização de uma almofada,
discretamente forrada com tecido semelhante ao das excelentes cadeiras destinadas
aos três, além de alterar a ergonomia da peça, provocando
o desconforto alegado pelo entrevistado, não lhe conferiu estatura suficiente
para convencer a assistência. Marcio Paixão Franco da Cruz
Rio de Janeiro, RJ
Terrorismo A polícia inglesa há
muito tempo é rigorosa com a entrada de turistas em seu país, e
a cada ano o cerco se fecha mais. Ainda em 1990, na principal porta de entrada
marítima da Inglaterra, o Porto de Dover, meu marido e eu presenciamos
esse rigor. A polícia fez descer de nosso ônibus de excursão
dois homens e uma mulher. Eles foram submetidos a interrogatório, tiveram
toda a bagagem revirada e foram revistados e radiografados simplesmente por serem
colombianos. Eram simples turistas, como ficou provado depois, mas a suspeita
era que poderiam ser traficantes de drogas. Foram liberados. Já em nossa
última viagem, em 2003, pós o 11 de Setembro, todos tivemos a bagagem
revistada (inclusive a de mão) e respondemos a muitas perguntas para poder
visitar o país. Algumas pessoas de nosso grupo não tiveram esse
privilégio e o visto de turismo foi negado sem maiores explicações.
Sinal dos tempos ("A bomba líquida do terror", 16 de agosto). Elexina
Neri de Medeiros D'Angelo São Bernardo do Campo, SP
Foi-se o tempo em que fazer uma viagem de avião era prazeroso, bacana,
praticamente uma parte da diversão da viagem de férias. Ao ler a
reportagem pude confirmar aquela sensação de alerta de funcionários
e passageiros que senti tanto no aeroporto de Miami quanto no de Orlando. Cheguei
dos EUA há pouco mais de uma semana e vivi nos dois aeroportos a árdua
tarefa que é viajar de avião em tempos de ameaças terroristas.
Passei por situações simplesmente humilhantes, desde tirar o sapato
até ser revistada fisicamente por uma policial como se eu fosse uma criminosa.
Isadora Marina Carvalho e Callegaro São Paulo, SP
Carlos Henrique de Brito Cruz
Parabéns pela excelente entrevista com o professor Carlos Henrique de Brito
Cruz (Amarelas, 16 de agosto). Além de ser um ótimo cientista, certamente
o professor Brito Cruz é um dos mais lúcidos gestores de pesquisa
do país. Desejo ressaltar que nas últimas décadas o Brasil
ampliou, de maneira significativa, a pesquisa científica de boa qualidade,
mas não soubemos até o momento como aplicar grande parte desse conhecimento
no desenvolvimento do país e, conseqüentemente, na melhoria da qualidade
de vida da população. Apesar de hoje podermos nos orgulhar de que
somos responsáveis por cerca de 1,8% dos artigos científicos publicados
em periódicos internacionais indexados anualmente, nossa participação,
por enquanto, em patentes internacionais é irrisória (menos que
0,1%). Temos, portanto, uma tarefa difícil e premente, e o professor Brito
Cruz apresentou um caminho importante para transformar o conhecimento em desenvolvimento
econômico e social. Vahan Agopyan Professor titular
da Escola Politécnica da USP Diretor-presidente do Instituto de Pesquisas
Tecnológicas (IPT) São Paulo, SP
Crescimento brasileiro Ter tantas possibilidades
e oportunidades e mesmo assim só conseguir produzir problemas é
uma façanha que dificilmente outro país, que não o Brasil,
conseguiria. Não é sem razão que a revista VEJA solicitou
a sete ganhadores de Prêmio Nobel possíveis explicações
para esse fenômeno ("Por que o Brasil não cresce como a China e a
Índia?", 16 de agosto). Afinal, é como ter uma seleção
com os melhores jogadores do mundo e ainda assim ser um fiasco na Copa. Curioso
ainda é que a maioria dos brasileiros fica mais indignada com a última
situação que com a primeira. Marcus de Medeiros Matsushita
Marília, SP Elucidativos
os depoimentos dos sete nobéis de Economia. Todos eles apontaram problemas
veementes no país. Torço, e muito, para que as autoridades competentes
também os leiam, reflitam e comecem a tomar atitudes concretas para as
tão imprescindíveis reformas de que o Brasil tanto precisa. Juliana
Pisetta de Oliveira Foz do Iguaçu, PR
Os nobéis foram quase unânimes ao indicar como nossos principais
obstáculos a burocracia e a grande carga tributária (incidem em
cascata, diminuindo a concorrência no mercado externo). Porém, eles
se esqueceram do problema endêmico que assola o país em tempos de
mensalão e sanguessugas: o grande número de corruptos presentes
na esfera governamental. João Donizetti de Oliveira Alfenas,
MG Medicamentos
Com relação à nota "Anvisa na UTI" (Radar, 9 de agosto),
esclareço que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa) já havia identificado o problema referente ao registro de informações
de produtos importados em nosso banco de dados, o qual tem ocasionado atraso na
entrada de alguns itens ligados à saúde no país. Visando
à solução do problema, a agência vem realizando reuniões
com os representantes do setor farmacêutico e colocou para apreciação
da sociedade, por meio da Consulta Pública nº 42, de 26 de julho,
uma proposta de regulamentação que vai garantir maior agilidade
ao trabalho de fiscalização em nossos portos, aeroportos e fronteiras.
Assim, provoca-nos estranheza o fato de que, justamente no momento em que estamos
próximos de dar fim às causas do problema apontado, o mesmo tenha
sido motivo de reclamação por parte de nossos parceiros na busca
de solução. Paulo Ricardo Santos Nunes Adjunto de
diretor da Anvisa Brasília, DF
Oriente Médio O artigo "Por que não
param" (26 de julho) cita a Síria como sendo um país pobre, que
seria totalmente irrelevante nas questões internacionais não fosse
seu poder de influência no Líbano. A Síria não é
um país pobre, mas um dos mais ricos do mundo árabe, principalmente
pelo fato de estar livre dos fardos da dívida externa. Sua presença
no Líbano atendeu a um pedido oficial do governo libanês, a fim de
cessar a guerra civil. A Síria é uma nação de vital
importância na região, de acordo com o reconhecimento de todas as
potências mundiais, encabeçadas pelos EUA. Ela é governada
por um partido político, o Baath Árabe Socialista, que comanda uma
frente progressista formada por oito partidos. Temos um sistema eleitoral democrático,
conhecido por todos. O Exército israelense se retirou de uma grande parte
dos territórios ocupados no sul do Líbano, porém restam algumas
áreas, como as Fazendas de Shabaa e as Colinas de Kafer Chuba. Essa ocupação,
além da questão dos prisioneiros libaneses, justifica, plenamente,
a continuação da resistência nacional no sul do Líbano.
Em relação à suspeita de que o presidente Bashar Al-Assad
seja o mandante do assassinato do ex-primeiro-ministro do Líbano Rafik
Hariri, gostaria de esclarecer que os trabalhos de investigação
continuam, e o juiz Datlev Mehlis, o primeiro a presidir a comissão da
ONU, conduziu os trabalhos de forma política, atendendo às vontades
da administração americana. Porém, o atual presidente da
comissão de investigação, o belga Serge Brammertz, conduz
os trabalhos com mais profissionalismo. A Síria por diversas vezes se prontificou
a colaborar em tudo o que for possível, pois tem interesse em que a verdade
seja esclarecida. Doutor Ali Diab Embaixador da Síria Brasília,
DF Parlamentares investigados
Com relação à reportagem
"Museu vivo do código penal" (12 de julho), em que a legenda "crime contra
a ordem tributária" aparece logo abaixo da minha foto, gostaria que fosse
dada publicidade à decisão do Ministério Público Federal
pelo arquivamento do inquérito nº 2309-4/140, contra a Empresa Cipa,
da qual faço parte e que é objeto da citação feita
pela revista VEJA. Para não restarem dúvidas, transcrevo a seguir
o parecer da subprocuradora-geral da República, Cláudia Sampaio
Marques, com o "aprovo" do procurador-geral da República, Antônio
Fernando Barros e Silva de Souza: "A ausência de elementos investigatórios
que evidenciem a prática, pela empresa investigada, de qualquer das condutas
incriminadas nos tipos penais acima mencionados conduz ao arquivamento das peças
de informação". Deputado Sandro
Mabel Brasília, DF Claudio
de Moura Castro A "vingança de Fred"
é minha "vingança particular". Numa época em que o ensino
da administração tem sido crescentemente influenciado por "livros
de auto-ajuda", seria importante para os detratores de Taylor e administradores
de modismos gerenciais conhecer Princípios de Administração
Científica. Essa obra importante de Taylor é prática,
eficiente, produtiva. Claudio de Moura Castro foi preciso ("A vingança
de Fred", Ponto de vista, 16 de agosto). Leilson
de Souza Lyra Campos dos Goytacazes, RJ
Diogo Mainardi
Quando acho que ele não tem mais nada para comentar, eis que surge "Fidel
é brasileiro" (16 de agosto). No início de sua participação
em VEJA, eu não me interessei muito por suas crônicas, mas, ao longo
do tempo, percebi sua lucidez, profundidade e coragem (quase única) de
expor seus pensamentos baseados em fatos reais e, acredito, incontestáveis.
Os relatos, as ponderações e as análises expondo alguns mitos
da mídia ("colegas" jornalistas) e da política simplesmente são
corrosivos e me chocam pela clareza e objetividade. Parabéns por nos brindar
semanalmente com momentos inesquecíveis. Sergio
Risaliti Campinas, SP
Rondônia
O deputado mensaleiro Paulo Delgado (PT-MG), cujo assessor Raimundo Vieira Júnior
sacou 100.000 reais das contas de Marcos Valério no Banco Rural, cometeu
uma terrível injustiça própria dos prepotentes retóricos
para com os setores produtivos de Rondônia, atingindo por conseqüência
toda a sua população, ao afirmar sem base em estudo algum, na reportagem
"A máfia de Rondônia" (16 de agosto), que por aqui "não há
carteira assinada. Só contracheque do serviço público. É
uma União Soviética na Amazônia". Diferentemente do que afirmou
o nobre parlamentar sociólogo, Rondônia possui 3.797 indústrias
cadastradas na Federação das Indústrias de Rondônia,
gerando 133.961 empregos regulares com carteira assinada, dos quais mais de 30
000 só na indústria, 41 000 no comércio e em serviços,
além de milhares de postos de trabalho em atividades de mineração,
na agropecuária e na agroindústria. Valbran
Junior Assessor de comunicação
social da Federação das Indústrias
de Rondônia (Fiero) Porto
Velho, RO Livros
VEJA fez muito bem em divulgar e comentar
o livro de Ali Kamel ("Contra o mito da 'nação bicolor'", 16 de
agosto). A política racial no Brasil é mais que regressiva, e acabará
por instituir a verdadeira discriminação ao cabo de um tempo, em
vez dos benefícios pretendidos. Tudo a começar pela base: "raça"
não existe, é um conceito cientificamente errado, geneticamente
inexistente e politicamente mais que incorreto. Essa é a modernidade que
leva ao passado, e não é máquina do tempo. Celio
Levyman São Paulo, SP 
ANTONIO RIBEIRO DE XANGAI
 | | A
reportagem de VEJA e o "nosso" Antonio Ribeiro |
Assinante da revista VEJA digital, o brasileiro Antonio Ribeiro está em
Xangai, na China, há quase sete anos. Ele leu a reportagem especial feita
naquele país e escreveu: "VEJA captou muito bem tudo o que tem acontecido
aqui. Posso dizer que vi essa extraordinária mudança, tive de me
acostumar a um ritmo totalmente diferente daquele do Brasil. O que não
falta são mão-de-obra e gente querendo fazer tudo o mais rápido
possível". Ele notou também a presença de seu xará,
o correspondente de VEJA em Paris, Antonio Ribeiro, na equipe da revista: "Gostaria
de tê-lo conhecido". O leitor Antonio Ribeiro conta que seu nome ganhou
uma tradução oficial do governo chinês: Rui An. "Nosso nome
é muito considerado aqui, quer dizer sorte e tranqüilidade", escreveu
numa mensagem para o correspondente de VEJA. | |
A GRANDE MURALHA DE ÁGUA
O leitor Haydn Plínio Fonseca, de
Minas Gerais, aproveitou o especial sobre a China, publicado na edição
de 9 de agosto, para destacar um fato relevante nesse país do Sudeste Asiático:
a construção da maior hidrelétrica do mundo. "A revista poderia
ter inserido na matéria imagens e dados sobre a hidrelétrica de
Três Gargantas, que, segundo informações, devido a sua grandeza,
também pode ser vista do espaço, assim como a Grande Muralha", diz
Fonseca. Embora já esteja operando, o complexo, com 185 metros de altura
e 2,3 quilômetros de extensão, deverá ser concluído
em 2008. Construída no Rio Yang-tsé, a usina terá capacidade
para gerar 50% mais energia que Itaipu, antes a líder do ranking mundial
em capacidade operacional. 
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IDADE DECLARADA X IDADE CIVIL DE
GILMARA
 | | Gilmara:
o pai errou na data do registro de nascimento |
Setenta
e quatro leitores escreveram para a redação apontando a discrepância
entre a data de nascimento exibida no título de eleitor e a idade declarada
de Gilmara dos Santos Cerqueira, personagem que ilustrou a capa da edição
da semana passada. Afinal, Gilmara tem 30 anos, como mostra o documento, ou 27,
como diz a reportagem? Gilmara, sua mãe e seu empregador reafirmaram a
VEJA na semana passada que ela tem mesmo 27 anos e que nasceu no dia 25 de dezembro
de 1978, e não no dia 1º de dezembro de 1975. Maria Angélica,
a mãe, contou que o pai, no momento do registro, feito tardiamente, errou
o ano e o dia do nascimento da filha. "Ele registrou tudo errado." VEJA também
errou. A discrepância entre a idade declarada da personagem e sua idade
civil registrada no título eleitoral deveria ter chamado a atenção
dos editores ou sido flagrada pela equipe de checagem de fatos. O erro felizmente
não comprometeu a adequação de Gilmara como símbolo
do eleitor decisivo (mulheres nordestinas de 16 a 44 anos) que a reportagem se
propôs a relatar. | | |