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Sábado popozudo

Nunca se viu tanto traseiro e seio de fora
no dia mais desprezado pelos espectadores

Já se tornou tradição: as noites de sábado são tristes na televisão brasileira. Como a audiência é mais baixa nesse dia e nessa faixa de horário do que no restante da semana, as grandes redes aproveitam para colocar no ar o que há de mais rasteiro em sua programação: filmes de segunda categoria, humorísticos reciclados e shows baratos. Nos últimos tempos, porém, um outro produto tem se destacado no sabadão televisivo – as popozudas. Em qualquer canal que se sintonize, as musas calipígias lá estão, com seus volumes a preencher a tela e a fantasia dos distintos (e desocupados) espectadores. A exibição de traseiros femininos não é uma novidade, mas ela nunca foi tão explícita, tão explorada pelas câmaras. Também jamais se viu tanto seio de fora na televisão aberta. Com exceção do período carnavalesco, é evidente.

Nos humorísticos da Globo (Zorra Total), do SBT (A Praça É Nossa) e da Record (Escolinha do Barulho), a quantidade das piadas engraçadas é inversamente proporcional ao número de moças bem fornidas. Na Bandeirantes, a principal atração do último dia 12 foi o making of do ensaio fotográfico da Feiticeira para a Playboy. Exatamente como na revista, a exuberante Joana Prado tirou o véu – e tudo o mais – em um programa inteiramente dedicado a ela. Já Sérgio Mallandro, da Gazeta, é do tipo que gosta de acessórios. Ele instalou um touro mecânico em seu cenário. Sobre o brinquedo, mulheres em trajes sumários são jogadas para cima e para baixo, proporcionando visões panorâmicas de suas vergonhas – ou da falta destas. Em semelhante contexto, as garotas de camiseta molhada de Gugu Liberato têm o impacto de uma pintura acadêmica.

Tem-se a impressão de que o público desse tipo de programa é apenas masculino. Dá até para ver o marmanjo babando na frente da TV, enquanto a patroa cochila ao lado no sofá – e toca mudar de canal rapidinho, quando ela ameaça abrir os olhos. No entanto, o presidente da agência de propaganda Neogama, Alexandre Gama, afirma que as coisas estão mudando. "Hoje em dia, as mulheres também se ligam nessas atrações, nem que seja para falar mal das garotas que mostram seus atributos", diz ele. Não deixa de ser uma tese interessante para você, leitor homem, justificar o interesse pelas imagens lúbricas que, com o perdão do verbo, abundam diante de seus olhos. "Olhe só que horror, querida!", eis uma frase a ser usada em tais situações. Embora não tenha hora para acabar, avançando madrugada adentro, o sábado das popozudas tem hora certa para começar: depois do término da novela das 8 da Rede Globo. Nesse momento, a audiência da emissora costuma cair abruptamente em até 10 pontos e todas as concorrentes lançam a rede para colher o seu punhado de público. "Não adianta reclamar", diz Homero Salles, diretor do humorístico Escolinha do Barulho. "Nada segura um espectador perdido como uma mulher bonita, de preferência sem roupa."


 

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