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Espelho meu

Preocupada com o figurino, Demi
esqueceu de atuar

Isabela Boscov

Espera-se que Demi Moore esteja vivendo uma fase de sorte no amor. Porque na carreira é que ela não está. Há três anos sem filmar e há dois separada de Bruce Willis, a atriz imaginou que poderia recuperar-se do fiasco de Striptease e Até o Limite da Honra arrumando vaga num drama "elevado". Escolheu Paixões Paralelas (Passion of Mind, Estados Unidos, 2000), que estréia nesta sexta-feira em São Paulo e no Rio de Janeiro. Demi vive uma crítica de livros (daquelas que só lêem antes de dormir), viúva, que mora com as duas filhas na França. Mas interpreta também uma agente literária ambiciosa e solteira de Nova York. Tudo o que ela tem de fazer para saltar de uma vida para a outra é cair no sono. Ou seja, uma vida é de sonho e a outra é real. Mas as duas são tão coerentes que a moça não sabe distinguir qual é a de verdade. Poderia render um filmaço se essa confusão fosse levada até o limite. Nas mãos do belga Alain Berliner (de Minha Vida em Cor-de-Rosa), vira uma tolice. Preocupada com o figurino, Demi não notou o que estava acontecendo. Só se lembrou de garantir que todos os personagens dissessem o quanto ela é maravilhosa. Assim, enquanto a carreira de Willis continua em alta, a de sua ex afunda. É porque ele não se incomoda de servir de escada para um menino, como em O Sexto Sentido. Já Demi acha que filme é espelho.

 

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