Só
para adultos
Um
desenho recheado de baixarias - das boas

Isabela
Boscov
Fotos Warner Bros.
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| South
Park: visual
singelo e imaginação sem limites |
Comédias recheadas de profanidades e mau gosto não
são novidade no cinema. O que é raro é que
essas características convivam com a inteligência,
como no desenho animado South Park Maior, Melhor &
Sem Cortes (South Park: Bigger, Longer and Uncut,
Estados Unidos, 1999), que estréia nesta sexta-feira no país.
Quem conhece o seriado sabe que seus personagens são capazes
de atingir níveis abissais de incorreção política.
Raça, credo, sexo e a cantora Barbra Streisand, tudo é
motivo de piada para os garotões destrambelhados Trey Parker
e Matt Stone, que criaram esse imenso sucesso da televisão.
Virtuoses do desleixo, os dois não perdem tempo com o visual.
Sua "técnica" não passa de um punhado de figuras toscas
de cartolina que se movimentam sobre cenários esquemáticos.
Já sua imaginação (para o mal) não tem
limites. No primeiro longa-metragem nascido do seriado, os garotos
Cartman, Kyle, Stan e Kenny (protagonistas habituais do desenho)
vão assistir a um filme de seus ídolos, os canadenses
Terrance e Phillip, cujo único talento é o da flatulência
explícita, e saem da sessão com o vocabulário
reabastecido de vulgaridades. As mães ficam furiosas e saem
atrás de um bode expiatório a quem crucificar. A culpa
recai sobre o Canadá. Daí para a III Guerra Mundial,
por incrível que pareça, é um passo.
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Stone (à esq.) e
Parker: eles odeiam Barbra Streisand |
É
fácil perceber que hipocrisia, censura e autoritarismo são
os alvos preferenciais de Parker e Stone. Mas nem de longe os únicos.
Fiéis ao estilo metralhadora-giratória que celebrizaram
na televisão, eles atiram para todos os lados. Dos irmãos
Baldwin, astros de Hollywood, ao ditador iraquiano Saddam Hussein
(que, despachado diretamente para o inferno, transforma Satã
em seu escravo sexual), sobra para todo mundo. Até para a
Disney: à moda das produções do estúdio,
South Park é um musical, com melodias que não
ficariam mal na Broadway. As letras, porém, são de
fazer até um borracheiro corar. O resultado desse pastiche
é um filme divertido. Desde que, é claro, o espectador
não se incomode em ouvir o maior número de palavrões
por metro de filme de que se tem registro na história do
cinema americano.
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