BUSCA

Busca avançada      
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
Publicidade
REVISTAS
VEJA
Edição 2070

23 de julho de 2008
ver capa
NESTA EDIÇÃO
Índice
COLUNAS
Diogo Mainardi
Lya Luft
J.R. Guzzo
Millôr
Roberto Pompeu de Toledo
SEÇÕES
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA.com
Holofote
Contexto
Radar
Veja essa
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 

Televisão
A Humilhada

A relação sadomasoquista entre os autores
de novela e Deborah Secco, a Céu de A Favorita


Marcelo Marthe

Deborah, como Céu (à esq.) e como Sol: bons tempos em que ela só ficava presa num porta-luvas

Maria do Céu, a pobretona destrambelhada vivida por Deborah Secco na novela A Favorita, confirma: há algo de sadomasoquista na relação entre a atriz e os autores de folhetim da Rede Globo. Nas últimas três tramas das 8 de que participou em papel de destaque, Deborah interpretou personagens que só apanham da vida. E ela retribui a gentileza com atuações que realçam os trancos a que é submetida. A Darlene de Celebridade (2004), de Gilberto Braga, já dava mostras disso com sua busca inglória pelos holofotes. Glória Perez acrescentou algumas voltas à coroa de espinhos de Deborah com a personagem Sol, de América (2005). Sol foi presa por se esconder no compartimento secreto de um carro quando tentava entrar nos Estados Unidos ilegalmente (toda espremida, ela lutava para respirar pelo buraco do porta-luvas) e sofreu horrores num emprego de estátua viva. Mas sua personagem em A Favorita pode superar tudo o que ela já amargou nas novelas. A pé-rapado do interior paulista, que sonha com a riqueza e o glamour da cidade grande, já sofreu diversas humilhações – numa cena emblemática, exibida há três semanas, tomou uma surra de duas mendigas ao disputar com elas um posto de pedinte nas ruas de São Paulo. Céu é Sol ao quadrado.

Chama atenção que uma atriz como Deborah Secco tenha essa sina. Linda e simpática, ela ostenta o perfil da mocinha clássica. Poderia ser uma daquelas heroínas românticas que penam sem perder a altivez. Mas, por motivos insondáveis, que só um daqueles psicanalistas que exploram o inconsciente coletivo poderia desvendar, autores, diretores de novela e até mesmo o público gostam de vê-la na lama – uma gata borralheira sem garantias de redenção. No capítulo de A Favorita de sexta retrasada, João Emanuel Carneiro esmerou-se no sadismo. Bêbada, Céu foi expulsa de um vernissage. Em seguida, foi escorraçada de um restaurante por não pagar a conta – havia torrado com a compra de um vestido os 3.000 reais que sua paixão não-correspondida, Cassiano (Thiago Rodrigues), lhe conseguira para pagar o casebre que seu pai comprou para a família. Dormiu então na sarjeta e voltou para casa a pé (sim, ela andou de São Paulo até a fictícia Triunfo a pé). Ao chegar, faminta, atacou uma marmita de macarrão gelado, mas foi impedida de comer pelo pai, que rasgou seu vestido e a pôs na rua aos gritos de "vagabunda". Esse tom exagerado, segundo Carneiro, não vem só dele. "É uma opção da direção da novela", diz. E também tem a ver, é claro, com a própria Deborah, sempre pronta a oferecer a outra face (despida de maquiagem, para ressaltar o miserê) aos golpes reservados à sua personagem. Em breve, Céu vai virar namorada de fachada do gay enrustido Orlandinho (Iran Malfitano). "Ela vai deixar de sofrer como uma retirante de Vidas Secas (alusão ao romance de Graciliano Ramos) para entrar numa roubada ainda maior", diz Carneiro.



Publicidade
 
Publicidade

 
  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |