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Cartas
Operação Satiagraha Não saberia
dizer ao certo há quantas décadas sou leitora
de VEJA, mas uma coisa posso garantir: ela jamais me decepcionou.
Dos mais escandalosos aos mais importantes fatos que já
aconteceram neste país, abrimos as páginas da
revista e lá estão eles, relatados com imparcialidade
e impecável jornalismo. Como não poderia deixar
de ser, neste furacão em que se transformou o caso Daniel
Dantas, mais uma vez VEJA nos esclarece, por meio da reportagem
"Dantas contra a parede" (16 de julho), que não
foi só o interesse investigativo que provocou a prisão
da cúpula do banco Opportunity. Motivos pessoais e políticos
com certeza fizeram parte do cardápio policial. VEJA
coloca os pontos nos is e mostra o que muitos fingem ou não
querem ver, os interesses políticos e ideológicos
na maneira de agir por parte de alguns dos integrantes da PF,
apoiados, evidentemente, por seus superiores. E esta não
foi a primeira vez. Não poderia deixar também
de aplaudir a decisão competente e destemida do ministro
Gilmar Mendes, mostrando por que foi escolhido para ser presidente
do STF. O país agradece sua decisiva contribuição
à democracia brasileira, infelizmente capenga e atualmente
bastante ameaçada. Parabéns a VEJA e ao ministro
Gilmar Mendes. O Brasil encontra-se
em estado de estarrecimento com as notícias sobre os
motivos da prisão de Daniel Dantas, sem dúvida
nenhuma um gênio do mal do sistema financeiro do Brasil.
Nós, da cadeia produtiva, cidadãos cumpridores
dos deveres com a família e com a sanha tributária
deste país, estamos cada vez mais ardendo em dificuldades,
enquanto esses poderosos corruptores e corrompidos estão
cada vez mais ricos. É de uma perplexidade
inacreditável que um homem como Daniel Dantas, com um
histórico absurdo de crimes políticos, possa ficar
livre por causa da "falta de literatura" do delegado
Protógenes Queiroz. A guerrilha dentro da PF só
faz atrasar o processo de luta contra a corrupção. Quando achamos que
a "letargia" é a estrela das investigações
policiais, vem a "incompetência" e rouba a cena. Fui vítima
de uma dessas "operações holofote" patrocinadas
pela Polícia Federal. Foram mais de 400 agentes, recolhidos
Brasil afora por dois aviões Hércules, fortemente
armados e equipados, com uniformes e atitudes sincronizadas
ziguezagueando pelas ruas de Curitiba. O nome então com
que ela foi batizada, "Tentáculos" (ocorreu
em Curitiba no mês de julho de 2005), causou furor. Foi
um show. Ou melhor, teria sido, se não tivesse resultado
em um fiasco. Não me prenderam. Colocaram, na ocasião,
o meu filho de 15 anos de idade ajoelhado sob a mira de um fuzil
para ele dizer onde eu estava, mantiveram minha família
como refém para que eu me apresentasse, invadiram meu
escritório de advocacia e de lá levaram tudo o
que não podiam levar. Fiquei quatro longos meses escondido
até conseguir que o infame mandado de prisão fosse
recolhido. Depois fiz, em causa própria, minha defesa
e fui, finalmente, absolvido. A vaidade e a insensatez dos "Protógenes"
de plantão, aliadas às decisões emotivas
e desmotivadas de jovens magistrados, tiram a paz e a segurança
de todos. Lamentavelmente, pela
nossa inércia e pela falta de ética, a atuação
de profissionais honestos é muito difícil, motivo
pelo qual é provável que esse gravíssimo
caso seja abafado pelo governo federal, como tem sido desde
há muito tempo. A esperança é que ainda
tenhamos políticos honestos, interessados em trabalhar
a favor do povo, esclarecendo e punindo os responsáveis.
Meus parabéns pela reportagem, que comenta de forma clara
e objetiva a atuação do bilionário, e provedor
de recursos para a classe política brasileira, senhor
Daniel Dantas. Embora as pessoas
envolvidas em ilícito penal possam ser culpadas dos crimes
que lhes são imputados, elas, como todos os brasileiros,
têm o direito da presunção de inocência
e, em decorrência, não deveriam ser premeditadamente
expostas à execração pública como
o foram na Operação Satiagraha. Tão flagrante
era a intenção de autopromoção dos
captores e de achincalhamento dos capturados que estes foram
algemados com as mãos para a frente, o que em nada contribui
para a segurança de uns ou de outros e contraria a boa
técnica policial. No tocante às
dúvidas levantadas pela revista VEJA na edição
2 069, acerca dos serviços prestados pelo meu escritório
à Brasil Telecom, é fácil esclarecer. O
escritório foi contratado para atuar no inquérito
referente à venda da Companhia Riograndense de Telecomunicações,
CRT, que era o maior caso à época de interesse
da Brasil Telecom, e, posteriormente, para atuar no inquérito
que se convencionou chamar de caso Kroll, indicado pelo grande
criminalista Nélio Machado. É importante registrar
que todos os serviços contratados foram efetivamente
prestados. Quero ainda esclarecer aos leitores, por imperativo
da verdade, que jamais fui procurador informal do ex-ministro
José Dirceu, conforme afirmado por esta revista. Em relação
à matéria "Os alvos do doutor
Protógenes", é preciso esclarecer: 1) o governador
José Serra jamais mencionou ao senhor Naji Nahas nem
a empresário algum a decisão de vender a Cesp;
2) em 1º de novembro de 2007, quatro dias antes do telefonema
interceptado pela Polícia Federal e agora vazado para
a imprensa, a Cesp divulgou fato relevante informando a contratação
de um consórcio liderado pelo Banco Citibank para a avaliação,
modelagem e execução de venda de participação
acionária detida pelo governo do Estado de São
Paulo no capital da companhia, fato amplamente noticiado pelos
jornais no dia seguinte. A partir dessa data, já era
de conhecimento público a intenção do governo
de negociar a sua participação nas ações
da empresa; 3) é importante mencionar que o volume de
ações da Cesp negociado nesse período manteve
o mesmo padrão dos meses anteriores; 4) todo o processo
para a venda da companhia energética paulista, que afinal
não se materializou, foi realizado segundo as normas
da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que
assegura acesso público a todas as informações
referentes à alienação da empresa. Quando esperávamos
uma reação do Planalto no sentido de apoiar a
investigação criando um grupo de intocáveis
encarregados de iniciar uma Operação Mãos
Limpas que mostre e venha punir a corrupção nas
altas esferas do judiciário, legislativo e executivo
deste país, vemos justamente o contrário, uma
operação desesperada de abafa com o incrível
afastamento e obstrução ao trabalho dos investigadores,
promotores e juízes honestos que ainda querem fazer algo
certo pelo Brasil. Com relação
às recentes menções à Kroll publicadas
na edição número 2 069 da revista VEJA
, a empresa gostaria de ressaltar que: o conteúdo dessas
declarações é antigo, falso e vem sendo
repetido sem a existência de nenhuma prova baseada em
fatos. A Kroll nunca participou de atividades de espionagem,
incluindo escutas telefônicas e "invasão de
e-mails" (hacking). A própria Polícia Federal
constatou que o equipamento apreendido em 2004 serve para eliminar
escutas telefônicas. O senhor Frank Holder saiu da Kroll
em janeiro de 2005, portanto um ano e cinco meses antes da divulgação
da referida "lista de contas", e não possui
nenhum tipo de vínculo com a empresa.
Diogo Mainardi É de admirar
a coragem de Diogo Mainardi, que não hesita em fazer
denúncias ou desmoralizar os corruptos e jornalistas
antiéticos. Parabéns, continue assim! O Brasil
precisa de mais jornalistas sérios e corajosos como você
(Diogo Mainardi, 16 de julho). Desde que eu li a
notícia da prisão de todos esses "graúdos",
tenho pensado no Diogo Mainardi. Em como ele deveria estar feliz.
A certeza veio na edição desta semana. Parabéns,
Diogo.
Carlos Ayres de Britto Fantástica
a entrevista com o ministro Carlos Ayres Britto ("Pela
transparência", Amarelas, 16 de julho). Ele apenas
transcreveu o que pulsa latente na alma de um povo, que em sua
maioria tem caráter e que, por não desistir nunca,
briga por um Brasil passado a limpo. É uma pena que neste
imenso país tão poucos em seu meio pensem como
ele. Cumprimento o ministro
Carlos Ayres Britto pela firmeza e coerência com que expõe
seu compromisso com os valores democráticos. Admiro e
concordo com sua atitude em defender a divulgação
da lista dos candidatos "fichas-sujas", pois para
representar o interesse público é necessário
respeito aos princípios basilares da administração
pública (legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade
e eficiência). Sendo assim, não há espaço
para a presunção de inocência ser usada
como escudo da impunidade, maculando o processo eleitoral.
André Petry Concordo inteiramente
com André Petry ("Os débeis mentais",
16 de julho). É facílimo acusar apenas os policiais.
O difícil é acabar com a palhaçada que
deve ser o treinamento (se é que existe) da PM carioca.
Se não houver mudança radical, continuaremos a
ser alvo dos bandidos e daqueles que deveriam ser os mocinhos. Essa é simplesmente
a polícia que mais mata no mundo. Estamos vivendo há
tempos uma guerra, em que quase a sua totalidade de vítimas
é de civis indefesos na Bagdá brasileira.
Caos no setor aéreo Ao ler a reportagem
"Um ano depois do desastre..." (16 de julho) me vem
à lembrança a frase "O Brasil é o
país do futuro", dita nos anos 70. Realmente vejo
que o Brasil é o país do futuro, pois tudo o que
é necessário virá no futuro: a ampliação
do Aeroporto de Guarulhos em 2014, já pequeno para os
passageiros na época da inauguração; o
Aeroporto de Brasília, quando as obras ficarem prontas,
também já estará pequeno; e os aeroportos
de Viracopos e Congonhas, em 2030, estarão mais do que
saturados. Isso mostra a total falta de planejamento. O trem
que ligará a estação Barra Funda do metrô
ao Aeroporto de Guarulhos é tido como certo desde 1997.
O trem rápido que ligará São Paulo a Viracopos
era dado como certo já na década de 90.
Realmente, o Brasil é um país do futuro. Tudo
fica para o futuro.
Silas Malafaia VEJA publicou um dos
seus maiores equívocos. Em nenhum momento, afirmei em
meu programa que a VEJA é inimiga dos evangélicos
("Silas Malafaia se enganou", 16 de julho). Disse,
sim, que a revista tinha preconceito em relação
aos evangélicos, devido à coluna de André
Petry. A revista, ao criticar-me, falando do que não
viu ou ouviu, comete o grave erro de fazer julgamentos injustos.
E, pelo nível que a revista tem, isso é inadmissível!
O que mais me espanta em toda essa discussão do PLC122
é a total falta de conhecimento dos jornalistas em relação
à lei! (André Petry, "A fé dos homofóbicos",
2 de julho.) Por isso, insisto em que leiam o texto do PLC122.
Vão ver o absurdo que é. Parece-me que o colunista
não entende que nós, evangélicos, somos
contra a prática dos homossexuais, dos fumantes, dos
viciados em drogas, dos adúlteros, dos que se prostituem,
mas não contra as pessoas. Há uma diferença
gigantesca entre condenar atos e discriminar pessoas. Os grupos
homossexuais fingem não entender, e a maioria da imprensa
caiu nessa "esparrela".
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