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VEJA
Edição 2070

23 de julho de 2008
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NESTA EDIÇÃO
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Lya Luft
J.R. Guzzo
Millôr
Roberto Pompeu de Toledo
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Cartas

"O Brasil deseja que a Polícia Federal
continue forte e atuante. Eliminemos,
portanto, a pífia parcela que destoa
da atuação constitucional do órgão."

Valdomiro Nenevê
São José dos Pinhais, PR

 

Operação Satiagraha

Não saberia dizer ao certo há quantas décadas sou leitora de VEJA, mas uma coisa posso garantir: ela jamais me decepcionou. Dos mais escandalosos aos mais importantes fatos que já aconteceram neste país, abrimos as páginas da revista e lá estão eles, relatados com imparcialidade e impecável jornalismo. Como não poderia deixar de ser, neste furacão em que se transformou o caso Daniel Dantas, mais uma vez VEJA nos esclarece, por meio da reportagem "Dantas contra a parede" (16 de julho), que não foi só o interesse investigativo que provocou a prisão da cúpula do banco Opportunity. Motivos pessoais e políticos com certeza fizeram parte do cardápio policial. VEJA coloca os pontos nos is e mostra o que muitos fingem ou não querem ver, os interesses políticos e ideológicos na maneira de agir por parte de alguns dos integrantes da PF, apoiados, evidentemente, por seus superiores. E esta não foi a primeira vez. Não poderia deixar também de aplaudir a decisão competente e destemida do ministro Gilmar Mendes, mostrando por que foi escolhido para ser presidente do STF. O país agradece sua decisiva contribuição à democracia brasileira, infelizmente capenga e atualmente bastante ameaçada. Parabéns a VEJA e ao ministro Gilmar Mendes.
Anna Maria Leão
Salvador, BA

O Brasil encontra-se em estado de estarrecimento com as notícias sobre os motivos da prisão de Daniel Dantas, sem dúvida nenhuma um gênio do mal do sistema financeiro do Brasil. Nós, da cadeia produtiva, cidadãos cumpridores dos deveres com a família e com a sanha tributária deste país, estamos cada vez mais ardendo em dificuldades, enquanto esses poderosos corruptores e corrompidos estão cada vez mais ricos.
Djalma Alves Gomes
Salvador, BA

É de uma perplexidade inacreditável que um homem como Daniel Dantas, com um histórico absurdo de crimes políticos, possa ficar livre por causa da "falta de literatura" do delegado Protógenes Queiroz. A guerrilha dentro da PF só faz atrasar o processo de luta contra a corrupção.
Sidnei Pereira
Diadema, SP

Quando achamos que a "letargia" é a estrela das investigações policiais, vem a "incompetência" e rouba a cena.
Bruno Israel
Rio de Janeiro, RJ

Fui vítima de uma dessas "operações holofote" patrocinadas pela Polícia Federal. Foram mais de 400 agentes, recolhidos Brasil afora por dois aviões Hércules, fortemente armados e equipados, com uniformes e atitudes sincronizadas ziguezagueando pelas ruas de Curitiba. O nome então com que ela foi batizada, "Tentáculos" (ocorreu em Curitiba no mês de julho de 2005), causou furor. Foi um show. Ou melhor, teria sido, se não tivesse resultado em um fiasco. Não me prenderam. Colocaram, na ocasião, o meu filho de 15 anos de idade ajoelhado sob a mira de um fuzil para ele dizer onde eu estava, mantiveram minha família como refém para que eu me apresentasse, invadiram meu escritório de advocacia e de lá levaram tudo o que não podiam levar. Fiquei quatro longos meses escondido até conseguir que o infame mandado de prisão fosse recolhido. Depois fiz, em causa própria, minha defesa e fui, finalmente, absolvido. A vaidade e a insensatez dos "Protógenes" de plantão, aliadas às decisões emotivas e desmotivadas de jovens magistrados, tiram a paz e a segurança de todos.
Peter Amaro de Sousa
Advogado
Curitiba, PR

Lamentavelmente, pela nossa inércia e pela falta de ética, a atuação de profissionais honestos é muito difícil, motivo pelo qual é provável que esse gravíssimo caso seja abafado pelo governo federal, como tem sido desde há muito tempo. A esperança é que ainda tenhamos políticos honestos, interessados em trabalhar a favor do povo, esclarecendo e punindo os responsáveis. Meus parabéns pela reportagem, que comenta de forma clara e objetiva a atuação do bilionário, e provedor de recursos para a classe política brasileira, senhor Daniel Dantas.
Marcos Schoenberger
Por e-mail

Embora as pessoas envolvidas em ilícito penal possam ser culpadas dos crimes que lhes são imputados, elas, como todos os brasileiros, têm o direito da presunção de inocência e, em decorrência, não deveriam ser premeditadamente expostas à execração pública como o foram na Operação Satiagraha. Tão flagrante era a intenção de autopromoção dos captores e de achincalhamento dos capturados que estes foram algemados com as mãos para a frente, o que em nada contribui para a segurança de uns ou de outros e contraria a boa técnica policial.
Cézaro Marques de Souza
Porto Alegre, RS

No tocante às dúvidas levantadas pela revista VEJA na edição 2 069, acerca dos serviços prestados pelo meu escritório à Brasil Telecom, é fácil esclarecer. O escritório foi contratado para atuar no inquérito referente à venda da Companhia Riograndense de Telecomunicações, CRT, que era o maior caso à época de interesse da Brasil Telecom, e, posteriormente, para atuar no inquérito que se convencionou chamar de caso Kroll, indicado pelo grande criminalista Nélio Machado. É importante registrar que todos os serviços contratados foram efetivamente prestados. Quero ainda esclarecer aos leitores, por imperativo da verdade, que jamais fui procurador informal do ex-ministro José Dirceu, conforme afirmado por esta revista.
Antônio Carlos de Almeida Castro
Brasília, DF

Em relação à matéria "Os ‘alvos’ do doutor Protógenes", é preciso esclarecer: 1) o governador José Serra jamais mencionou ao senhor Naji Nahas nem a empresário algum a decisão de vender a Cesp; 2) em 1º de novembro de 2007, quatro dias antes do telefonema interceptado pela Polícia Federal e agora vazado para a imprensa, a Cesp divulgou fato relevante informando a contratação de um consórcio liderado pelo Banco Citibank para a avaliação, modelagem e execução de venda de participação acionária detida pelo governo do Estado de São Paulo no capital da companhia, fato amplamente noticiado pelos jornais no dia seguinte. A partir dessa data, já era de conhecimento público a intenção do governo de negociar a sua participação nas ações da empresa; 3) é importante mencionar que o volume de ações da Cesp negociado nesse período manteve o mesmo padrão dos meses anteriores; 4) todo o processo para a venda da companhia energética paulista, que afinal não se materializou, foi realizado segundo as normas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que assegura acesso público a todas as informações referentes à alienação da empresa.
Bruno Caetano
Secretário de Comunicação do Governo do Estado de São Paulo
São Paulo, SP

Quando esperávamos uma reação do Planalto no sentido de apoiar a investigação criando um grupo de intocáveis encarregados de iniciar uma Operação Mãos Limpas que mostre e venha punir a corrupção nas altas esferas do judiciário, legislativo e executivo deste país, vemos justamente o contrário, uma operação desesperada de abafa com o incrível afastamento e obstrução ao trabalho dos investigadores, promotores e juízes honestos que ainda querem fazer algo certo pelo Brasil.
Ophir Toledo
Por e-mail

Com relação às recentes menções à Kroll publicadas na edição número 2 069 da revista VEJA , a empresa gostaria de ressaltar que: o conteúdo dessas declarações é antigo, falso e vem sendo repetido sem a existência de nenhuma prova baseada em fatos. A Kroll nunca participou de atividades de espionagem, incluindo escutas telefônicas e "invasão de e-mails" (hacking). A própria Polícia Federal constatou que o equipamento apreendido em 2004 serve para eliminar escutas telefônicas. O senhor Frank Holder saiu da Kroll em janeiro de 2005, portanto um ano e cinco meses antes da divulgação da referida "lista de contas", e não possui nenhum tipo de vínculo com a empresa.
Deborah Jacob
Hill & Knowlton
São Paulo, SP

 

Diogo Mainardi

É de admirar a coragem de Diogo Mainardi, que não hesita em fazer denúncias ou desmoralizar os corruptos e jornalistas antiéticos. Parabéns, continue assim! O Brasil precisa de mais jornalistas sérios e corajosos como você (Diogo Mainardi, 16 de julho).
Carolina Nepomuceno
Por e-mail

Desde que eu li a notícia da prisão de todos esses "graúdos", tenho pensado no Diogo Mainardi. Em como ele deveria estar feliz. A certeza veio na edição desta semana. Parabéns, Diogo.
Jerry William da Silveira
Dom Cavati, MG

 

Carlos Ayres de Britto

Fantástica a entrevista com o ministro Carlos Ayres Britto ("Pela transparência", Amarelas, 16 de julho). Ele apenas transcreveu o que pulsa latente na alma de um povo, que em sua maioria tem caráter e que, por não desistir nunca, briga por um Brasil passado a limpo. É uma pena que neste imenso país tão poucos em seu meio pensem como ele.
Maria Clara Cardoso Ferreira Rocha
Águas de São Pedro, SP

Cumprimento o ministro Carlos Ayres Britto pela firmeza e coerência com que expõe seu compromisso com os valores democráticos. Admiro e concordo com sua atitude em defender a divulgação da lista dos candidatos "fichas-sujas", pois para representar o interesse público é necessário respeito aos princípios basilares da administração pública (legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência). Sendo assim, não há espaço para a presunção de inocência ser usada como escudo da impunidade, maculando o processo eleitoral.
Thamara Duarte Cunha Carvalho
Campina Grande, PB

 

André Petry

Concordo inteiramente com André Petry ("Os débeis mentais", 16 de julho). É facílimo acusar apenas os policiais. O difícil é acabar com a palhaçada que deve ser o treinamento (se é que existe) da PM carioca. Se não houver mudança radical, continuaremos a ser alvo dos bandidos e daqueles que deveriam ser os mocinhos.
Márcia Andrade
Rio de Janeiro, RJ

Essa é simplesmente a polícia que mais mata no mundo. Estamos vivendo há tempos uma guerra, em que quase a sua totalidade de vítimas é de civis indefesos na Bagdá brasileira.
André Ricardo Sutil
São Jorge d’Oeste, PR

 

Caos no setor aéreo

Ao ler a reportagem "Um ano depois do desastre..." (16 de julho) me vem à lembrança a frase "O Brasil é o país do futuro", dita nos anos 70. Realmente vejo que o Brasil é o país do futuro, pois tudo o que é necessário virá no futuro: a ampliação do Aeroporto de Guarulhos em 2014, já pequeno para os passageiros na época da inauguração; o Aeroporto de Brasília, quando as obras ficarem prontas, também já estará pequeno; e os aeroportos de Viracopos e Congonhas, em 2030, estarão mais do que saturados. Isso mostra a total falta de planejamento. O trem que ligará a estação Barra Funda do metrô ao Aeroporto de Guarulhos é tido como certo desde 1997. O trem rápido que ligará São Paulo a Viracopos era dado como certo já na década de 90. Realmente, o Brasil é um país do futuro. Tudo fica para o futuro.
José Pires de Camargo
Engenheiro e oficial da Aeronáutica
São Paulo, SP

 

Silas Malafaia

VEJA publicou um dos seus maiores equívocos. Em nenhum momento, afirmei em meu programa que a VEJA é inimiga dos evangélicos ("Silas Malafaia se enganou", 16 de julho). Disse, sim, que a revista tinha preconceito em relação aos evangélicos, devido à coluna de André Petry. A revista, ao criticar-me, falando do que não viu ou ouviu, comete o grave erro de fazer julgamentos injustos. E, pelo nível que a revista tem, isso é inadmissível! O que mais me espanta em toda essa discussão do PLC122 é a total falta de conhecimento dos jornalistas em relação à lei! (André Petry, "A fé dos homofóbicos", 2 de julho.) Por isso, insisto em que leiam o texto do PLC122. Vão ver o absurdo que é. Parece-me que o colunista não entende que nós, evangélicos, somos contra a prática dos homossexuais, dos fumantes, dos viciados em drogas, dos adúlteros, dos que se prostituem, mas não contra as pessoas. Há uma diferença gigantesca entre condenar atos e discriminar pessoas. Os grupos homossexuais fingem não entender, e a maioria da imprensa caiu nessa "esparrela".
Silas Lima Malafaia
Vice-presidente do Conselho Interdenominacional de Ministros Evangélicos no Brasil
Membro do Conselho Diretor das Assembléias de Deus no Brasil
São Paulo, SP


Correções: o faturamento do Wal-Mart é de 379 bilhões de dólares, e não milhões, como foi publicado na seção Sobe (16 de julho).Na página 127 da edição 2 069 ("Um ano depois do desastre...", 16 de julho), a foto identificada como sendo do Aeroporto de Guarulhos é, na verdade, do Aeroporto de Congonhas. O título do álbum dos monges de Heiligenkreuz é Chant: Music for Paradise, e não Chant: Music for the Masses, como informou a reportagem "Os monges são pop" (16 de julho).

 

 

Cerco aos pedófilos

A reportagem "Conversando com o inimigo" (16 de julho), sobre o uso da internet por pedófilos, dizia que, "no Brasil, a posse de imagens e as conversas aliciadoras não são qualificadas como crimes. A CPI da Pedofilia encaminhou ao plenário do Senado um projeto de lei para mudar essa distorção, mas ainda não há data de votação". Até o fechamento da reportagem não havia, mesmo, previsão de data para a votação do projeto de lei que criminaliza a posse de material relacionado com pornografia infantil e o aliciamento de crianças pela rede mundial de computadores. Mas na madrugada do dia 10 a proposta foi incluída de última hora na pauta e aprovada pelo plenário do Senado. O projeto segue agora para aprovação da Câmara dos Deputados e, em seguida, para a sanção presidencial.



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