Edição 1812 . 23 de julho de 2003

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CINEMA


Extermínio
(28 Days Later..., Estados Unidos/Inglaterra/Holanda, 2002. Estréia nesta sexta-feira no país) – Jim sofre um acidente e, ao fim de 28 dias em coma, acorda num hospital absolutamente deserto. Sai às ruas de Londres e vê a mesma coisa – ou seja, ninguém. À medida que encontra outros poucos sobreviventes, ele descobre a causa da devastação: um vírus, libertado do laboratório por ambientalistas, que transforma os seres humanos em monstros de ira, prontos a trucidar quem virem pela frente. O inglês Danny Boyle, que dirigiu Trainspotting, recupera-se do fiasco de A Praia com esse misto de terror, comédia e aventura feito para ser B. Roteirizado pelo escritor Alex Garland (também autor de A Praia) e rodado em vídeo digital, Extermínio é direto, vigoroso e sem frescuras, qualidades que andam muito raras no cinema de entretenimento.
Assista ao trailer.


A Inglesa e o Duque: Rohmer surpreendente

A Inglesa e o Duque (L'Anglaise et le Duc, França, 2001. Desde sexta-feira em São Paulo e no Rio de Janeiro) – Expoente da nouvelle vague, o francês Eric Rohmer tem defensores e detratores apaixonados. O que jamais se poderá negar é a ousadia desse veterano. A Inglesa e o Duque é um filme surpreendente por vários motivos. Primeiro, porque Rohmer, hoje com 83 anos, resolveu filmá-lo no formato ainda novo do vídeo digital. Em segundo lugar, pela maneira como recria a Paris do século XVIII: por meio de pinturas, dentro das quais os personagens foram inseridos digitalmente. Há também surpresa no retrato da Revolução Francesa que o filme apresenta. Para compor o roteiro, Rohmer baseou-se nas memórias de uma amante do duque de Orleans, primo do rei Luís XVI: a escocesa Grace Elliot, interpretada de maneira memorável pela atriz inglesa Lucy Russell.

 

LIVROS

Alex Rider contra Stormbreaker, de Anthony Horowitz (tradução de Mônica Rodrigues da Costa e Gabriela Romeu; Publifolha; 165 páginas; 22 reais) – Assim como James Bond, Alex Rider trabalha para o serviço secreto britânico e usa bugigangas tecnológicas de última geração. A diferença é que Rider tem apenas 13 anos ao iniciar suas aventuras nesse livro – em que precisa combater o criador de um computador ultrapoderoso. Criada pelo inglês Anthony Horowitz, a série do pequeno espião é um entretenimento juvenil despretensioso, mas bem-feito.


Uma Breve História do Vinho, de Rod Phillips (tradução de Gabriela Máximo; Record; 462 páginas; 52 reais) – Ao contrário do pão e da cerveja, que tiveram de ser inventados, o vinho foi descoberto ainda no neolítico por nossos ancestrais. Isso porque, como observa o historiador canadense Rod Phillips, "cada uva é a sua própria minivinícola": basta que seja esmagada e fermente para dar origem à bebida. Graças à sua antiguidade – e também, claro, ao seu poder para revigorar, dar prazer e embriagar –, o vinho tornou-se, entre todos, o alimento de história mais rica e cheia de simbolismo. Phillips faz justiça a essa história nesse livro informativo e agradável, que parte da Mesopotâmia, 7.000 anos atrás, e chega aos sofisticados mercados vinícolas da atualidade.
Leia trecho.

 

DVD

Live in Verona, Jamiroquai (Sony Music) – A voz de Jason Kay, cantor do grupo inglês Jamiroquai, continua a mesma, mas o seu chapéu... Quanta diferença! Ele trocou o adereço de pele, que fazia com que parecesse um integrante da Ordem dos Búfalos d'Água, do desenho animado Os Flintstones, e se apresenta agora com um cocar indígena. A mudança visual, porém, não afetou a sonoridade do Jamiroquai. A banda continua a se pautar pelo som negro americano dos anos 70, em especial os funks de Stevie Wonder. Esse DVD foi gravado ao vivo em Verona, na Itália, na famosa Arena da cidade, um anfiteatro romano construído em 290 d.C. Sob um temporal de encharcar os ossos, Kay e agregados colocam os italianos para dançar com os sucessos Little L e Alright. Os bônus incluem um documentário e a opção de assistir ao concerto em ângulos diferentes.

 

DISCOS

Paulo Rubens Fonseca
Elizeth: emoção em cada verso cantado


Faxineira das Canções,
Elizeth Cardoso (Biscoito Fino) – Elizeth Cardoso (1920-1990) foi uma cantora como poucas. Tinha classe, um repertório de primeira e colocava emoção em cada verso que cantava. Essa caixa está cheia de exemplos da categoria de Elizeth – da gaiatice de Tem Dó, de Baden Powell e Vinicius de Moraes, à candura de No Rancho Fundo, de Ary Barroso e Lamartine Babo. Faxineira das Canções reúne cinco álbuns de Elizeth Cardoso. O ponto alto é um CD duplo que traz a gravação de um show de 1968, que reúne Elizeth, os grupos Zimbo Trio e Época de Ouro e o instrumentista Jacob do Bandolim, o descobridor da cantora. Os outros três discos foram gravados nos últimos anos de vida de Elizeth e contêm tributos a Ary Barroso e um irretocável dueto com o violonista Raphael Rabello.


Obrigado, Brazil, Yo-Yo Ma (Sony Music) – Vários artistas internacionais já gravaram discos dedicados à música brasileira. Boa parte deles não passa de macumba realizada por turista. Mas em Obrigado, Brazil, CD do cellista francês de ascendência chinesa Yo-Yo Ma, tudo dá certo. Ele convocou artistas de talento inquestionável, como o pianista e arranjador César Camargo Mariano e a cantora Rosa Passos. O repertório é abrangente: vai de bossas-novas e chorinhos a obras de compositores eruditos brasileiros respeitados no exterior (leia-se Villa-Lobos e Camargo Guarnieri). Entre as delícias do CD estão
Doce de Coco, de Jacob do Bandolim, e Apelo, do violonista Baden Powell.

 



 
Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Nobel, Laselva, Sodiler, Siciliano, Argumento, Travessa; Porto Alegre: Saraiva, Nobel, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Nobel, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Nobel, Saraiva, Siciliano; Natal: Nobel, Solider; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano, Nobel; Fortaleza: Siciliano, Laselva, Nobel; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Nobel, Leitura; Maceió: Sodiler, Nobel.
 
 
 
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