Edição 1812 . 23 de julho de 2003

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Radar

BRASIL

Fardo nordestino? 1
No imaginário de boa parte do país, o Nordeste é um ônus permanente que o resto do Brasil tem de carregar nas costas. Nada mais incorreto. O governador de Sergipe, João Alves, mandou fazer detalhado estudo que joga por terra essa falsa crença. Contabilizando-se todos os recursos que a União envia ao Nordeste e todos os que saem de lá para o governo federal, chega-se a um resultado surpreendente: a região com o maior número de pobres do país dá por ano 3 bilhões de dólares mais do que recebe da União – o triplo de vinte anos atrás.

Fardo nordestino? 2
Aliás, nos anos 70, o Nordeste recebia da União o equivalente a 15,8% do Orçamento global em investimentos. Hoje, esse porcentual não passa dos 7%.

 

GOVERNO

Comportado, enfim
Chega-se às vésperas de mais uma reunião do Copom e – já repararam? – José Alencar não reclamou dos juros altos.

O espetáculo e o show
A comemoração do 7 de Setembro não será como aquela que passou... A idéia, bem ao feitio petista, é "aproximar mais o povo da festa", como resume um integrante do Planalto. Os preparativos já estão sendo feitos. Pelo visto, enquanto o espetáculo do crescimento não começa, o governo apresentará o "show do 7 de Setembro".

Em vão
Lula iniciou com um apelo a reunião de quinta-feira passada em que se discutiriam investimentos em infra-estrutura. À mesa estavam também o vice-presidente, doze ministros e o presidente do BNDES, Carlos Lessa. "Que ninguém adiante para a imprensa nada do que está sendo debatido", pediu. No dia seguinte, os jornais traziam parte do que foi apresentado. Segredo com tantas testemunhas é difícil. No Planalto, Lula já deveria saber, é impossível.

"Muy amigo"
FHC confidenciou na quarta-feira passada a um velho aliado que considerou um "desastre" o saldo da última viagem de Lula à Europa. E não estava exatamente triste com isso.

Gavetas limpas
Cláudio Fonteles, novo procurador-geral da República, está tendo um trabalho danado para limpar a famosa gaveta de seu antecessor, Geraldo Brindeiro. Só em ações diretas de inconstitucionalidade (Adin) encontrou 770 na gaveta – algumas com mais de dez anos. Fonteles quer livrar-se dos processos até dezembro. Já analisou 69 Adins (47 não foram aceitas e 22 foram dirigidas ao STF). Essas 22 Adins, encaminhadas em duas semanas, são mais que o dobro do que Brindeiro fez em todo o ano passado.

Itamaraty versus Fazenda
Cresce a animosidade entre a turma do Ministério da Fazenda e o secretário-geral do Itamaraty, Samuel Pinheiro Guimarães. No centro do confronto está a Alca. A cúpula da Fazenda acha que o embaixador, notório pela posição antiamericana, está levando o governo a cometer erros na questão da Alca.

 

ECONOMIA

País parado
A queda nas vendas de sucos prontos e água mineral em abril e maio foi de 10% e 11%, respectivamente, em comparação com o bimestre anterior. Esses dois segmentos – junto com o de chás prontos, que também caiu – foram as vedetes dos últimos anos no setor de bebidas. Só que agora a fonte secou: o consumidor está de bolso vazio e boca fechada.

Espírito animal
Quantos pontos os juros deveriam baixar na quarta-feira? Quem fez essa pergunta a Delfim Netto na semana passada ouviu o seguinte: "Duzentos pontos! Crescimento é um estado de espírito, e o governo tem de ajudar a soltar o espírito animal de crescimento dos empresários".

Relações de trabalho
Já foram mais fraternas as relações entre os executivos Fernando Xavier Ferreira e Manoel Amorim, respectivamente presidente do Grupo Telefônica e diretor-geral da empresa em São Paulo.

O mito da boa imagem da Varig no exterior


Eduardo Albarello
Varig: a crise aos olhos do mundo

Sem alarde, chegou às mãos da cúpula do governo na semana passada uma pesquisa internacional que abala um mito muito difundido – o da boa imagem da Varig no exterior. O levantamento, realizado por uma empresa americana, é atualizado anualmente e tenta medir a força e o prestígio de centenas de marcas e companhias no mundo. Foi feito em 45 países, onde se ouviram 350 000 pessoas. O resultado da pesquisa revela que a progressiva crise financeira da Varig na última década não passou (e nem podia passar) despercebida. O item "a força da marca", que é a síntese de todos os atributos da empresa, batia os 100% em 1997. Hoje, esse porcentual está em torno dos 60%. Em todos os itens pesquisados – exceto o conhecimento da marca – houve queda.

 

LOTERIAS

Crise? Que crise?
O dinheiro sumiu. Talvez por isso mesmo o brasileiro esteja apostando tudo por uma graninha a mais. É uma das explicações possíveis para o excelente desempenho do setor de loterias num ano em que chegamos ao fundo do poço. De janeiro a junho, as oito loterias administradas pela Caixa Econômica Federal arrecadaram 1,7 bilhão de reais, aproximadamente 300 milhões de reais mais que no mesmo período do ano passado. Raros foram os setores que cresceram neste ano. Mais ainda os que cresceram 21%.

 

TELEVISÃO

A escalada das mulheres
Não tem para ninguém. De acordo com o Ibope, a audiência média de Mulheres Apaixonadas em seus primeiros 130 capítulos – ou seja, até quinta passada – já é maior que suas seis antecessoras no horário das 8.

 

O exemplo brasileiro

Campanha contra o fumo: nos maços da Austrália

Não é um daqueles ufanismos vazios que de vez em quando ganham eco no país: o Brasil virou mesmo vanguarda e referência nas campanhas de controle do tabagismo. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) acaba de receber um pedido do governo australiano para que se possa reproduzir nos maços de lá a foto de um bebê prematuro que circula impressa nos maços daqui. Mais: a Tailândia encomendou ao Inca um estudo que mostre os caminhos trilhados pelo Brasil na adoção das imagens de advertência nos maços. E o Conselho Antidrogas do México fez solicitação semelhante.

 

Colaborou Malu Gaspar


Lauro Jardim (e-mail: ljardim@abril.com.br)

 




 
 
 
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