Edição 1812 . 23 de julho de 2003

Índice
Brasil
Internacional
Geral
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Luiz Felipe de Alencastro
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
VEJA on-line
Contexto
Veja essa
Arc
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Música
A vida começa aos cinqüenta

Rod Stewart parecia estar no fim da linha,
mas conseguiu dar a volta por cima
bancando o crooner


Sérgio Martins

Divulgação
Rod Stewart: clássicos do cancioneiro americano e fama de pão-duro

Para ouvir: sucessos de Rod Stewart

Discografia

Trajetória da carreira


Se envelhecer como artista pop não é fácil, renascer para o sucesso depois dos 50 anos é quase impossível. O cantor inglês Rod Stewart conseguiu. Dois anos atrás ele parecia ter chegado ao fim da linha. Sem emplacar um hit havia mais de uma década, foi considerado um caso perdido pela gravadora Warner, que simplesmente o demitiu. Stewart resolveu então deixar de lado o figurino roqueiro e brincar de crooner. E o resultado foi surpreendente para o cantor de 58 anos. Lançado no fim do ano passado, o disco It Had to Be You... The Great American Songbook, em que ele canta clássicos do cancioneiro americano, já se converteu na maior vendagem de sua carreira recente. O álbum superou os 2 milhões de cópias nos Estados Unidos – seus trabalhos anteriores não chegaram a um quarto disso naquele país. Também no Brasil It Had to Be You... emplacou. Duas de suas canções entraram na trilha sonora da novela Mulheres Apaixonadas, da Rede Globo, como fundo para os devaneios amorosos de Tony Ramos e Christiane Torloni. Esse velho estratagema de divulgação turbinou a procura pelo CD, que vendeu 120.000 cópias até agora. E, se depender das novelas brasileiras, o velho Rod não vai ficar na mão: ele deve fazer uma aparição especial na próxima trama das 8 da Globo, Celebridades.

O retorno triunfante do cantor ocorreu quase por acaso. Rod Stewart cantarolava algumas velhas canções de jazz antes de uma entrevista e o repórter perguntou por que ele nunca havia gravado aquele tipo de música. Entusiasmado com a idéia, o cantor entrou em contato com um grupo de instrumentistas de primeira linha e se trancafiou num estúdio para registrar seus standards preferidos. Outra providência importante foi associar-se ao empresário Clive Davis, que bancou o projeto de It Had to Be You... e o lançou por sua gravadora, a J Records. Quatro anos atrás, Davis foi responsável pela ressurreição artística de um outro veterano, o guitarrista mexicano Carlos Santana. O empresário parece ter descoberto um método para tirar do esquecimento dinossauros do rock. Consiste, basicamente, em fazer com que eles assumam sua idade e deixem de se portar como garotões. No caso de Santana, isso significou gravar um disco, Supernatural, em que sua única contribuição estava nos solos de guitarra: a tarefa de soar contemporâneo cabia a jovens revelações da música americana, como os cantores Rob Thomas e Lauryn Hill. No caso de Rod Stewart, a solução foi aproveitar sua voz rouca e transformá-lo em crooner. Existe, é verdade, um outro caminho possível para velhos cantores que querem sentir mais uma vez o gostinho do sucesso, mas ele tem menos garantias: é o de mirar em nichos bem específicos de público. Foi por aí que enveredou Tom Jones, de 63 anos. Espécie de Sidney Magal do País de Gales, ele decidiu cultivar nos últimos tempos novas bases de fãs entre o público gay e os amantes da música trash. Ganhou uma certa aura "descolada" e acabou emplacando uma música na trilha sonora da série de televisão Sex and the City.

Para Rod Stewart, a volta às paradas traz um benefício adicional: serve de contrapeso aos diversos problemas que ele vem enfrentando na intimidade. No ano passado Sean Stewart, filho do astro, foi preso em Los Angeles após uma tentativa frustrada de assalto. Sean queria dinheiro para comprar drogas e acabou detido pelo Super-Homem – ou, melhor dizendo, pelo ator que interpretou o herói numa série de TV. Stewart também atravessa, desde 1999, um divórcio tempestuoso na Justiça. Sua última mulher, a modelo neozelandesa Rachel Hunter, trocou-o por um roqueiro trinta anos mais jovem, Robbie Williams, e reivindica uma boa fatia dos bens do cantor. Rod Stewart tem fama de pão-duro. "Ele é do tipo que enche a cara e faz você pagar a conta", disse a ex-modelo Britt Ekland, com quem o cantor teve um caso nos anos 70.

 
 
 
 
topo voltar