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Música
A
vida começa aos cinqüenta
Rod
Stewart parecia estar no fim da linha,
mas conseguiu dar a volta por cima
bancando o crooner

Sérgio
Martins
Divulgação
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| Rod
Stewart: clássicos
do cancioneiro
americano
e fama de pão-duro |
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Se envelhecer como artista pop não é fácil,
renascer para o sucesso depois dos 50 anos é quase impossível.
O cantor inglês Rod Stewart conseguiu. Dois anos atrás
ele parecia ter chegado ao fim da linha. Sem emplacar um hit havia
mais de uma década, foi considerado um caso perdido pela
gravadora Warner, que simplesmente o demitiu. Stewart resolveu então
deixar de lado o figurino roqueiro e brincar de crooner. E o resultado
foi surpreendente para o cantor de 58 anos. Lançado no fim
do ano passado, o disco It Had to Be You... The Great American
Songbook, em que ele canta clássicos do cancioneiro americano,
já se converteu na maior vendagem de sua carreira recente.
O álbum superou os 2 milhões de cópias nos
Estados Unidos seus trabalhos anteriores não chegaram
a um quarto disso naquele país. Também no Brasil It
Had to Be You... emplacou. Duas de suas canções
entraram na trilha sonora da novela Mulheres Apaixonadas,
da Rede Globo, como fundo para os devaneios amorosos de Tony Ramos
e Christiane Torloni. Esse velho estratagema de divulgação
turbinou a procura pelo CD, que vendeu 120.000
cópias até agora. E, se depender das novelas brasileiras,
o velho Rod não vai ficar na mão: ele deve fazer uma
aparição especial na próxima trama das 8 da
Globo, Celebridades.
O retorno triunfante do cantor ocorreu quase por acaso. Rod Stewart
cantarolava algumas velhas canções de jazz antes de
uma entrevista e o repórter perguntou por que ele nunca havia
gravado aquele tipo de música. Entusiasmado com a idéia,
o cantor entrou em contato com um grupo de instrumentistas de primeira
linha e se trancafiou num estúdio para registrar seus standards
preferidos. Outra providência importante foi associar-se ao
empresário Clive Davis, que bancou o projeto de It Had
to Be You... e o lançou por sua gravadora, a J Records.
Quatro anos atrás, Davis foi responsável pela ressurreição
artística de um outro veterano, o guitarrista mexicano Carlos
Santana. O empresário parece ter descoberto um método
para tirar do esquecimento dinossauros do rock. Consiste, basicamente,
em fazer com que eles assumam sua idade e deixem de se portar como
garotões. No caso de Santana, isso significou gravar um disco,
Supernatural, em que sua única contribuição
estava nos solos de guitarra: a tarefa de soar contemporâneo
cabia a jovens revelações da música americana,
como os cantores Rob Thomas e Lauryn Hill. No caso de Rod Stewart,
a solução foi aproveitar sua voz rouca e transformá-lo
em crooner. Existe, é verdade, um outro caminho possível
para velhos cantores que querem sentir mais uma vez o gostinho do
sucesso, mas ele tem menos garantias: é o de mirar em nichos
bem específicos de público. Foi por aí que
enveredou Tom Jones, de 63 anos. Espécie de Sidney Magal
do País de Gales, ele decidiu cultivar nos últimos
tempos novas bases de fãs entre o público gay e os
amantes da música trash. Ganhou uma certa aura "descolada"
e acabou emplacando uma música na trilha sonora da série
de televisão Sex and the City.
Para Rod Stewart, a volta às paradas traz um benefício
adicional: serve de contrapeso aos diversos problemas que ele vem
enfrentando na intimidade. No ano passado Sean Stewart, filho do
astro, foi preso em Los Angeles após uma tentativa frustrada
de assalto. Sean queria dinheiro para comprar drogas e acabou detido
pelo Super-Homem ou, melhor dizendo, pelo ator que interpretou
o herói numa série de TV. Stewart também atravessa,
desde 1999, um divórcio tempestuoso na Justiça. Sua
última mulher, a modelo neozelandesa Rachel Hunter, trocou-o
por um roqueiro trinta anos mais jovem, Robbie Williams, e reivindica
uma boa fatia dos bens do cantor. Rod Stewart tem fama de pão-duro.
"Ele é do tipo que enche a cara e faz você pagar a
conta", disse a ex-modelo Britt Ekland, com quem o cantor teve um
caso nos anos 70.
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