Edição 1812 . 23 de julho de 2003

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Saúde
Será que dá espinha?

A ciência nega que chocolate cause acnes.
Mas os dermatologistas continuam a ouvir
essa queixa

Afinal de contas, chocolate dá ou não dá espinhas? Para a medicina, até o momento, não existe relação entre uma coisa e outra. Mas, quando surge uma maldita acne no meio do rosto, não há vítima que não a associe àquela caixa de bombons que devorou dois dias antes. O fato concreto é que os consultórios dos dermatologistas continuam a receber clientes que se queixam do aparecimento de acnes depois do consumo exagerado da guloseima. "Essas queixas são ainda mais comuns após a Páscoa, quando se abusa de chocolate", diz a dermatologista Marcia Ramos-e-Silva, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O que reforça a crença de que o alimento dá espinhas é que o chocolate é extremamente gorduroso e alergênico. Se a ciência já associou o dito-cujo a enxaquecas, aparecimento de aftas, formação de pedras nos rins e piora dos sintomas da tensão pré-menstrual, por que ele não seria também responsável pelo surgimento de espinhas?

Bem, quando a ciência não consegue provar uma hipótese, ela passa a ser considerada falsa. Não adianta espernear, caro e infeliz espinhoso, é desse jeito que o negócio funciona. Se foi estabelecida uma relação entre chocolate e enxaqueca, por exemplo, é porque foi descoberto que a sensibilidade a um dos compostos do alimento, uma substância chamada beta-feniletilamina, pode levar ao aparecimento desse tipo de dor de cabeça. No caso da acne, só o que existe são hipóteses de que o chocolate poderia deflagrar erupções cutâneas. A mais aceita é mesmo a de que a gordura liberada no sangue depois da ingestão de chocolate incentivaria a produção das glândulas sebáceas – e, conseqüentemente, isso facilitaria o aparecimento de acne. Mas é uma hipótese, lembre-se. De qualquer forma, se você tem tendência a ter espinhas, não custa nada reduzir o consumo de chocolate. Inconclusivo? Pois é.

 
 
 
 
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