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Legislação
Bordéis
com alvará
Alguns
países ainda tentam reprimir,
mas a tendência agora é legalizar
a prostituição
Reuters
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| Prostituta
em Amsterdã: com os direitos de uma trabalhadora qualquer
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A venda
de sexo é uma atividade com comprovada capacidade de sobrevivência,
apesar de condenada pela religião e perseguida pelos governos
desde a Antiguidade. A novidade é que vários países
do Primeiro Mundo estão agora adotando leis que tratam a
prostituição como se fosse qualquer outro negócio.
No plano teórico, a discussão é se sexo pago
entre adultos é realmente, como sempre se ouviu, uma ameaça
à ordem e aos bons costumes e se o Estado tem o direito de
tentar impedi-lo. Do ponto de vista pragmático, quem defende
a legalização argumenta que a mais antiga das profissões
é impossível de ser eliminada, e torná-la legal
é uma forma de controlar doenças, combater o crime,
a prostituição de menores e, por que não?,
criar mais uma fonte de impostos. Neste mês, o governo da
Bélgica apresentou um projeto de lei para legalizar os bordéis,
medida que a Nova Zelândia adotou no mês passado. Para
variar, a Holanda, país conhecido pelo espírito de
tolerância, foi pioneira também nesse assunto. Há
três anos, os holandeses legalizaram os bordéis, e
as prostitutas passaram a ter os direitos de qualquer trabalhador:
carteira assinada, plano de saúde e aposentadoria. Em contrapartida,
vão descontar para a previdência e pagar imposto de
renda, como todo mundo. A Alemanha adotou legislação
semelhante no ano passado.
Tanto
na Holanda como na Alemanha e na Nova Zelândia foram estabelecidas
restrições. A idade mínima para a prostituição
é 18 anos e, no caso holandês e no neozelandês,
os prostíbulos precisam de licenças especiais. Em
alguns países, a situação é mais confusa.
A prostituição é legal em certas cidades do
Estado de Nevada, nos Estados Unidos, e em algumas regiões
da Austrália, incluindo a maior cidade, Sydney. Na Itália,
o primeiro-ministro, Silvio Berlusconi, já propôs autorizar
a abertura de bordéis, banidos desde 1958, como alternativa
à fracassada tentativa italiana de acabar com a prostituição
nas ruas. Ainda que sua legalização seja a tendência
dominante nos países mais ricos, a oposição
é forte e tem bons argumentos. A Igreja Católica,
obviamente, condenou a proposta de Berlusconi. Apesar de ser um
dos países mais liberados sexualmente, a Suécia apertou
o cerco à prostituição em 1999: lá,
um homem pego solicitando os serviços de uma prostituta pode
passar seis meses na cadeia. Uma lei parecida está em debate
no Parlamento da Rússia.
Um
bom argumento a favor da legalização é que
a proibição não acaba com a mais antiga das
profissões. Apenas obriga as prostitutas a viver no submundo.
Sexo sempre foi um bom negócio e a legalização
torna isso bem evidente. O Daily Planet, o maior bordel da Austrália,
começou a negociar suas ações na bolsa de valores
no início de maio e movimentou 2,2 milhões de dólares
só no primeiro dia. Para chegar à bolsa, os executivos
do bordel convenceram os tribunais de que não lucravam com
a prostituição em si, mas com o aluguel dos quartos.
Cerca de metade das ações foi comprada por mulheres,
entre elas prostitutas que trabalham para o Daily Planet.
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