Edição 1812 . 23 de julho de 2003

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Medicina
De pecado a remédio

Estudo australiano sugere que masturbação ajuda a evitar o câncer de próstata

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A novidade partiu de um grupo de médicos australianos. Depois de analisar o histórico de mais de 2.000 homens, entre 40 e 69 anos, eles concluíram que a masturbação talvez proteja contra o câncer de próstata, o mais comum dos tumores masculinos. Para chegarem a essa conclusão, os pesquisadores enviaram um questionário a 1 079 homens vítimas da doença, a fim de que detalhassem seus hábitos sexuais ao longo da vida. As respostas foram comparadas às de outros 1.259 homens saudáveis da mesma faixa etária. O resultado indica que, quanto mais ejaculações um homem teve entre os 20 e os 50 anos, menor é a chance de ele desenvolver o tumor. A proteção seria ainda mais efetiva quando o entusiasmo onanista se concentra na faixa dos 20 anos. Quem ejaculou mais de cinco vezes por semana nesse período estaria 30% menos propenso a desenvolver o câncer em idades mais avançadas. Para a prevenção do tumor de próstata, ejaculações que são fruto de masturbação seriam bem melhores do que as originadas por relações sexuais porque não implicam o risco de contrair infecções de um parceiro – essas infecções, apontam pesquisas precedentes, contribuiriam para o aumento do risco de aparecimento do tumor.

A ejaculação, segundo os pesquisadores australianos, ajudaria a evitar que algumas substâncias cancerígenas presentes no sêmen ficassem armazenadas por tempo demais na próstata, onde parte desse fluido é fabricada. É curioso observar que, num passado não tão distante, muitos médicos, influenciados pela visão católica, acreditavam que a masturbação representava um mal à saúde. Eles não chegavam a dizer que fazia crescer pêlo na mão, uma crendice popular universalmente difundida, mas diziam que enfraquecia o organismo, facilitando o surgimento de doenças como a tuberculose. Foi só no final dos anos 50 que os professores americanos William Masters e Virginia Johnson, pioneiros da sexologia, afirmaram num relatório que se tornaria um clássico que os jovens podiam masturbar-se quantas vezes quisessem, porque o hábito não causava nenhum dano físico. Depois disso, a masturbação passou a ser recomendada por alguns médicos e psicólogos como forma de diminuir a ansiedade e o stress. Agora, vêm os australianos dizer que masturbação evita câncer. É, o mundo mudou.

 

 
 
 
 
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